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A PANDEMIA DO EGOÍSMO É TAMBÉM A DA FALSIDADE




Nunca nossas elites se tornaram tão hipócritas e pretensiosas como nos últimos tempos, quando os descendentes das classes dominantes agora querem ser "mais povo que o povo", se passadndo por "democrática" e até "de esquerda" para enganar a opinião pública e lacrar nas redes sociais.

Seis décadas depois que seus avós reivindicarem a queda de João Goulart, a burguesia de hoje calça chinelos, faz arremedos de festas na laje nos seus condomínios e fala português errado imitando a fala dos estivadores.

Empresários brincando de ser intelectuais sendo dublês de palestrantes - os tais coaches - , outros empresários financiando o divertimento da juventude, e gente cheia de dinheiro ávida para consumir, como se humanos fossem coisas e produtos fossem seres. Vide o fenômeno dos "animais consumistas".

O "Clube de Assinantes VIP" da "democracia de um homem só" de Lula se configura num bando de pretensos predestinados que querem um Brasil "único" para eles. Os "pobres remediados", a pequena burguesia, a burguesia propriamente dita e os famosos e subcelebridades mostram que "todos somos iguais, mas uns são mais iguais do que os outros".

O que não canso de ver é o proletariado com raiva de Lula. Gente que se sente abandonada pelo petista, gente sem ver chão, sem ver a luz no fim do túnel que, pelo jeito, não termina. Mas essa dura realidade não podemos dizer, porque o negacionista factual não gosta. Para ele, "verdades" só podem ser ditas por quem tem prestígio, mesmo que estas sejam vergonhosas mentiras de fazer Pinóquio ficar abismado.

A pandemia do egoísmo, que faz os privilegiados e sua "frente ampla" de pretensos predestinados sociais aderir ao consumismo voraz e à entrega mórbida aos instintos, também é a pandemia da falsidade. A classe média abastada fingindo ser pobre porque fala português errado, conversa sobre futebol e faz festa com "funk" e "pagode", é o suprassumo dessa falsidade manifesta em níveis preocupantes.

Daí o esforço do negacionista factual em boicotar livros e textos que carreguem Conhecimento e Saber (com maiúsculas) e manifestem o pensamento crítico, além da linha de pensamento rastejante da mídia empresarial.

A burguesia não quer que a gente saiba o que ela fez nos verões passados, agora que ela virou "boazinha", se considera "democrática" e até já declara voto em Lula para 2026 por antecipação. Por isso o boicote ao pensamento crítico, aos textos que façam pensar.

Daí tanta obsessão em produzir mentiras. Uma burguesia que finge ser pobre, finge ser amiga dos jovens, finge ser libertária, promovendo o divertimento "sustentável" e "humanizado" dos festivais de entretenimento enquanto esconde, por baixo dos panos, um trabalho precarizado e mal-remunerado.

Há também a arrogância das pessoas de classe média abastada que, estendendo a mão como gesto de impedimento, juram "não ter dinheiro" para ajudar os miseráveis, mas, depois, escondidos, vão para os supermercados comprar grandes estoques de cigarros e cervejas junto a outros bens supérfluos.

Isso contamina até os ex-pobres que, com uma riqueza "fabricada" por loterias ou por promoções de produtos, tornam-se tão egoístas quanto os burgueses, e aí vemos o quanto o sociólogo Jessé Souza tem razão quando fala da "guerra de pobres contra os pobres", diante da inclusão social seletiva cujo único efeito é produzir uma "alma burguesa" nos pobres "remediados".

Mocinhas brancas e riquinhas dançam o "pagodão" das festinhas burguesas - que tocam até o samba machista do refrão "Bole, bole, bole, bole" - imitando, sob uma escancarada apropriação cultural, as danças das negras ao som dos antigos sambas. Exemplo de como nossa burguesia tenta parecer "pobre" para evitar alguma indignação social contra ela.

E aí vemos o quanto essa burguesia quer sobreviver aos escombros do bolsolavajatismo, importando paradigmas reacionários como a ideia da "ditabranda" da Folha de São Paulo e o conceito olavista de que "fumar cigarro faz bem à saúde".

Afinal, há uma tendência em passar pano na ditadura militar de 1964-1985 e em classificar o tabagismo como "uma das melhores coisas da vida". Tudo isso revela a falsidade da burguesia "democrática" que, no entanto, não consegue enganar o tempo todo. Até porque, ao manifestar o negacionismo factual ao promover o boicote ao pensamento crítico, essa classe está, na verdade, manifestando os mesmos instintos que levaram seus avós a pedirem o endurecimento da ditadura pelo AI-5.

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