FAXINA É UMA DAS ATIVIDADES USADAS PARA REFORÇAR A RENDA DE QUEM GANHA POUCO.
Uma pesquisa realizada pelo Instituto Cidades Sustentáveis mostra que 60% dos brasileiros arruma algum trabalho complementar, o chamado “bico” (ou “trampo”, na linguagem paulista), para reforçar a renda precária de um ou dois salários mínimos.
O índice de 60% é médio, podendo variar de 54%, no caso de Belo Horizonte, a 68%, que é o caso de Goiânia. Funções como faxina, reformas, manutenção e jardinagem estão entre os trabalhos escolhidos para quem não consegue pagar as contas em dia com apenas uma profissão.
A estagnação ou a redução do poder aquisitivo estão entre os fatores que forçam essa solução drástica, e isso desmascara o governo Lula, que repetidas vezes falava em “recordes de empregos” com o relatorismo fabricado por ordens do amigo do petista, Márcio Pochmann, no IBGE hoje lamentavelmente aparelhado em seu comando.
Os tais “recordes históricos” do “Efeito Lula” mostravam supostas façanhas do governo, mas por trás disso o que se viu foi a repetição das narrativas de emprego divulgadas por Michel Temer anos atrás, o que significa que nada foi mais do que o crescimento do trabalho precarizado.
A situação está tão complicada, com salário mínimo precário de R$ 1.621 e poder de compra de apenas R$ 182, segundo cálculo da evolução do poder de compra de R$ 100 desde o surgimento do real, em 1994, que reduziu essa nota a um valor de apenas R$ 11,20. É como se, para adquirir uma cesta básica, quem recebe um salário mínimo em 2026 recebe, na verdade, somente R$ 182. E pode receber menos em 2027, vide a carestia de alimentos, produtos e serviços.
Visamdo reverter a crise de popularidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou ontem o reajuste do Bolsa Família, a pouco mais de duas semanas das eleições. Com índice de 15%, o valor mínimo do programa sai de R$ 600 para R$ 691 e o benefício médio vai dos atuais R$ 675 para R$ 777.
Só que o motivo de queixas dos antipetistas é justamente o Bolsa Família, que acusam ser um programa não só paliativo, mas responsável por acomodar famílias pobres à sua situação de miséria, sem lutar pela verdadeira qualidade de vida. Os bolsonaristas chegam a definir, com certo exagero, o Bolsa Família como “fábrica de vagabundos”.
Para piorar, a medida pode soar como um tiro pela culatra, pois muitos opositores vão ver que se trata de uma atitude eleitoreira e demagógica, sem qualquer real sensibilidade social. A concessão do Bolsa Família acaba piorando o desgaste que Lula está vivendo ultimamente, pois o aumento do benefício tem um forte cheiro de compra de votos.
Lula também não fez uma política de geração de empregos. E, passando pano nos juros altos da dívida pública, provocou a falência de várias empresas, causando desemprego em massa. As classes trabalhadoras acabam vendo em Lula um traidor irremediável.
Mesmo a justa defesa do fim da escala 6x1 no trabalho acabou sendo rejeitada a contragosto pelos trabalhadores, pois, diante dos salários precários, a solução foi apelar para trabalhar seis dias por semana e até dobrar o expediente de seis ou oito para doze horas, para obter algum reforço na apertada remuneração.
Essa realidade mostra o lado sombrio do governo Lula 3.0 e só mesmo motivos surreais poderão fazer Lula ser reeleito, mesmo com margem minúscula de votos em relação ao segundo colocado. O terceiro mandato de Lula mostrou ser confirmadamente o pior dos três. Quem mandou botar a festa antes da reconstrução?

Comentários
Postar um comentário