A intelectualidade "bacana" tem agora que engolir os sapos que criaram.
Depois de Damares Alves e Abraham Weintraub, "filhos" inesperados do suposto "combate ao preconceito" que passava pano na degradação cultural do Brasil, ninguém menos que Regina Duarte deu uma nova contribuição a esse festival.
Ela havia dito, quando assumiu a Secretaria Especial da Cultura, do governo Jair Bolsonaro, no último dia 04, o seguinte: "Cultura é aquele pum produzido com talco espirrando do traseiro do palhaço",
Explicando com maior clareza: Regina Duarte definiu a cultura como se fosse uma palhaçada.
Justamente ela, que vive esse processo, é atriz com larga experiência no teatro e na televisão.
Ela se notabilizou, depois de se projetar em papéis como Malu (Malu Mulher) e Porcina (Roque Santeiro), como ativista de direita, pediu todo o golpe político e agora vem com essa ideia.
Mas, convenhamos, a intelectualidade "bacana", que queria um Brasil mais brega, não pensa ou pensava diferente.
O ANTROPÓLOGO ROBERTO ALBERGARIA DEFENDIA A "ESCULHAMBAÇÃO" NA CULTURA POPULAR.
Vemos o caso do antropólogo baiano Roberto Albergaria, falecido em 2015.
Uma das várias "vacas sagradas" da intelectualidade pró-brega, Roberto Albergaria defendia a "esculhambação" na cultura popular.
Um dos intelectuais "bacanas" analisados pelo meu livro Esses Intelectuais Pertinentes..., Albergaria desprezava a baianidade, os movimentos sociais e o folclore popular.
Ele não acreditava nas tradições culturais baianas e supunha que "baianidade", mesmo, era comer lanche do McDonalds e usar tênis Nike.
Ele confundiu a assimilação de referenciais estrangeiros que ocorre em toda sociedade com as tradições culturais locais, como se ser forasteiro e regional fossem sinônimos.
O que Roberto Albergaria gostava de "cultura" era o que a bregalização simbolizava: a ideia do pobre rir de sua própria pobreza, que o antropólogo baiano definia como "brincadeiragem" ou "esculhambação".
Ou seja, o valor da "cultura popular", para Roberto Albergaria, estava no papel de ridículo do povo pobre, e na aceitação das classes populares à sua condição imprestável, como se fosse divertido ser miserável, analfabeto, banguela, caipira etc.
E imaginar que Roberto Albergaria era uma "unanimidade" naqueles meios intelectuais baianos, que já tem o Milton Moura exaltando o "pagodão" pós-Tchan e passam pano até para a canastrice pseudo-intelectual de um Mário Kertèsz, o astro-rei da Rádio Metrópole.
São elites intelectuais que se autoproclamam "modernas" ou "progressistas", mas só querem mesmo manter os problemas do establishment sócio-cultural da Bahia.
E isso é apenas um contexto regional, mas no âmbito nacional há casos semelhantes. Até o mineiro Eugênio Raggi (que me xingou de "patético" por não pensar igual a ele) deve imaginar que o papel do povo pobre é fazer papel de ridículo em sua cultura.
Daí a bregalização ter sido defendida por uma elite de intelectuais e seu poderoso lobby onde seus pares passam pano uns aos outros, em exaltações corporativistas bastante viscosas.
É um paraíso de elogios, uma canonização generalizada, todo mundo sendo sábio, defendendo a bregalização.
Daí a santíssima trindade, os mais destacados desse clero todo: Paulo César de Araújo, Pedro Alexandre Sanches e Hermano Vianna.
Basta chorar e perguntar por que o Calcinha Preta não tem o mesmo reconhecimento musical que João Gilberto e, pronto, vira "deus" dentro dos meios intelectuais.
As causas defendidas pela "sagrada" intelligentzia, a "mais legal do Brasil", é justamente essa: defendendo a bregalização, acreditam que a cultura é "uma palhaçada".

A NAMORADINHA E O MITO.
Daí a semelhança da "esculhambação" de Roberto Albergaria com o "pum com talco espirrado do traseiro de um palhaço".
Tudo brincadeiragem, terraplanismo, esculhambação, bregalização.
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