Pular para o conteúdo principal

HÁ DEZ ANOS, ME LIBERTEI DE UM PESADELO


Há exatos dez anos, em 30 de março de 2012, decidi me libertar de um pesadelo.

Resolvi romper com a religião chamada de Espiritismo brasileiro, a maior farsa religiosa que pouquíssima gente tem a coragem de reconhecer.

Meu irmão também rompeu com a religião nesse dia, já que constatamos, em conversas, o quanto essa religião foi bastante prejudicial para nossas vidas.

Tive um envolvimento relativamente regular com essa religião entre 1992 e 2012, mas no geral foi uma trajetória que começou de 1984 a 2012.

Já da parte de meus pais, o contato veio mais cedo, em 1976, e o mau agouro veio em várias circunstâncias da vida pessoal minha e do meu irmão.

Nesse tempo todo, nós recorremos a essa religião para pedir pão e receber serpentes, para pedir peixe e receber pedras.

Não vou detalhar porque são coisas muito pessoais. Mas a verdade é que a religião representou azar para mim e meu irmão.

Muita gente estranha essa constatação, já que estamos num contexto de mediocrização e imbecilização cultural.

Neste sentido, as pessoas preferem matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem. Ou então chutar cachorro morto com o cadáver apodrecido.

É fácil falar dos "neopenteques" que cobram abusivamente dinheiro dos fiéis e cujos escândalos já são mais do que manjados.

Eles são reprováveis, sim, e eu mesmo considero patético o imaginário "neopenteque" de falar coisas como "viver de adoração" e "ajoelhar diante do trono".

Mas tudo isso é óbvio. Só que poucos veem o perigo maior por trás de um suposto espiritualismo que pede para as pessoas renunciarem até ao que lhes é necessário visando a recompensa da "vida maior".

Qual é a diferença?

Dar dinheiro, eletrodomésticos e automóveis para sustentar as fortunas dos pastores neopentecostais, por um lado, e, por outro, viver de desgraças cotidianas, e se subordinar ao jugo de um "médium" ou palestrante "espírita", que obtém, mesmo indiretamente, privilégios financeiros com isso?

Nas igrejas neopentecostais, os fiéis sacrificam geladeiras, fogões, automóveis, visando as bênçãos e a proteção do pastor do templo de sua comunidade.

Nos centros "espíritas", os fiéis sacrificam com filhos, amigos, namoradas, esposas, entes queridos em geral, mortos em circunstâncias azarentas, muitos na tenra juventude, em troca de proteção divina garantida pelo ambicioso "médium", tarefeiro ou palestrante "espírita".

O Espiritismo brasileiro é alimentado por uma literatura fake, que, de maneira oportunista, se utiliza de nomes de pessoas mortas para enganar a população.

Essas obras sempre apresentam algum aspecto que contradiz a natureza pessoal de cada morto. E os textos são padronizados conforme a mentalidade do "médium", ou seja, na prática o ghost writer é uma pessoa viva ou, no jargão "espírita", "encarnada".

O dito "maior médium do Brasil" - que não digo o nome, para não dar mais azar, daí o chamo de "médium de peruca" - é uma figura deplorável em todos os sentidos. Ele é o maior ícone dessa religião lamentável que é o Espiritismo brasileiro.

Farsante, reacionário, demagogo, canastrão humanitário. Que fez coisas ruins por trás da imagem "bondosa" que carrega no imaginário de milhares de brasileiros.

Ele defendeu e colaborou com a ditadura militar (como mostra um programa da TV Tupi em 1971) como poucos que zelaram pela permanência do regime. E defendeu tanto que foi condecorado pela Escola Superior de Guerra.

E foi condecorado com gosto, enquanto a ESG dava ao "médium", também de maneira prazerosa, as premiações pelos serviços que o religioso fez em prol de governos que promoviam a tortura, as mortes de pessoas inocentes e oprimidas.

Ou será que os presos políticos eram apenas "enviados para o outro lado, mais cedo, para a vida maior"?

O "médium" já ofendeu seriamente Humberto de Campos, um escritor subestimado, mas que agora sobrevive pelas obras fake que criminosamente carregam seu nome.

Houve tentativa de processo judicial, mas um juiz suplente passou pano no "médium" que, esperto, apenas escondeu o nome usurpado por um pseudônimo (Irmão X) para não causar problemas.

Pior. Depois que a viúva de Humberto de Campos morreu, o "médium" vigarista armou, em 1957, um evento religioso, com medidas traiçoeiras como o "bombardeio de amor" e amostras de Assistencialismo (nada muito diferente do "Lata Velha" de Luciano Huck) para o filho homônimo do escritor.

Para quem não sabe, houve um outro profissional da TV, chamado Humberto de Campos Filho, que foi jornalista, diretor e produtor, e que na Internet aparece em uma foto ao lado de Hebe Camargo.

Pois Humberto de Campos Filho foi enganado pelo "médium" e, de um elegante cético de notável e discreto senso crítico, virou um deslumbrado patético a se ajoelhar diante daquele que o enganou, décadas depois do patético festival de demagogia religiosa de 65 anos atrás.

E tem mais. O "bom médium", conhecido como "lápis de Deus", tem também um aspecto macabro nas suas costas: a morte suspeita de um sobrinho, que iria denunciar as fraudes do tio e de outros envolvidos.

Como naquelas mortes de um membro da Máfia que resolve trair seus parceiros e denunciá-los, o rapaz, chamado Amauri, teria sido alvo de campanha caluniosa pelo "meio espírita" na qual teve tudo que os "amáveis espíritas" julgam serem incapazes: ofensas, mentiras, ódio e ameaças de morte.

Inventaram que Amauri era alcoólatra e ladrão, e investiram na mentira de que o "passatempo" do rapaz era arrombar casas em Sabará, cidade onde morava.

Tinha até um delegado solidário ao "médium de peruca" (que não usava peruca na época) cujo comportamento é bem típico dos policiais bolsonaristas de hoje. O delegado era o "maestro" de toda essa campanha de assassinato de reputação que atingiu o coitado do Amauri.

Aí Amauri teria sido internado num sanatório "espírita", onde, suspeita-se, teria sofrido agressões físicas e assédio moral. Foi solto, assim que veio um homem que dizia ser amigo de Amauri e, acolhendo-o, teria levado o rapaz para um bar e o teria matado pondo veneno na bebida.

São episódios horripilantes, que o chamado "movimento espírita" bota debaixo do tapete, mas que merece investigação jornalística, embora o caso, ocorrido entre 1958 (denúncias) e 1961 (envenenamento), não tem mais efeitos jurídicos que impliquem numa sentença criminal.

O caso precisa, urgentemente, ser investigado por um jornalista investigativo que não sucumba à habitual mania de passar pano no "médium", como fazem muitos jornalistas e escritores pretensamente "céticos", "ateus" e "investigativos", mas com abordagem demasiadamente chapa-branca.

A farsa do "médium de peruca" é tal que um exame médico sério, cujos resultados foram publicados na revista Realidade, edição de novembro de 1971, em matéria feita pelo grande José Hamilton Ribeiro (que recentemente saiu do Globo Rural), atestaram que o "médium" sofria de alucinações mentais.

Era uma tomografia cerebral que mostrou que toda aquela "maravilhosa mediunidade" não passava de uns distúrbios mentais de um homem cuja lucidez se mostrava quando expressava ideias ultraconservadoras dignas do século XII, mas em outros parecia exprimir debilidade mental.

O "bom médium", associado à constrangedora e fracassada "profecia da data-limite", também fez outras coisas pavorosas.

Ele ofendeu os humildes cidadãos de Niterói e outras localidades que, vítimas de um incêndio criminoso que atingiu o Gran Circo Norte-Americano no final de 1961, foram acusadas de terem sido "romanos sanguinários". Foi um juízo de valor violentamente agressivo.

E é por isso que não há mérito algum em usar o nome do "médium" para a tal Avenida da Ciclovia no bairro niteroiense de Piratininga. Isso transforma o bairro numa área perigosa, ante as energias maléficas que o nome do "médium" representa.

A região é uma das que mais atraem milicianos, traficantes de armas e drogas e até estupradores para viverem no bairro da Região Oceânica, ao passo que já ocorreu deslizamento trágico numa favela próxima e ocorrem vários acidentes de carros matando jovens inocentes.

O "bom homem", que já foi homenageado, musicalmente, por desavisados Roberto Carlos e Flávio Venturini (este junto com Marcus Viana, do Sagrado Coração da Terra) por músicas que não são de autoria desses habituais compositores, também fez outro horror.

Ofendeu os amigos de um jovem chamado Jair Presente, que morreu afogado no interior de São Paulo, em 1974.

O "lápis de Deus" foi forjar suas habituais psicografakes, primeiro com aquela mensagem habitual, depois com uma linguagem neurótica que só nos fazia confundir a respeito do mundo espiritual, pois a impressão que se tinha é que também se "fumava baseado" e dizia asneiras no além-túmulo.

Os amigos, que sabiam muito bem quem foi seu finado amigo, desconfiaram com muitíssima razão. E sabe qual foi a reação do "médium"? Irritação e comentário ríspido, chamando a desconfiança dos amigos de "bobagem da grossa".

Hipócrita, o "médium" antecipou Luciano Huck (assumidamente discípulo do religioso) na falsa caridade, aquela que serve mais para a promoção pessoal do bem feitor.

No esquema "quem muito diz ser é porque não é", o "médium" sempre falava, o tempo todo, com exagerado alarde, que "nunca fez caridade pensando no retorno pessoal", mas era isso que ocorria.

Ele já era favorecido pelo "culto à personalidade", uma aberração que só existe no Brasil mas inexistiu nos verdadeiros médiuns do tempo de Allan Kardec, precursor do Espiritismo original que foi arruinado pelos supostos representantes no Brasil.

Kardec foi o maior lesado pelo "médium de peruca" que rebaixou o legado do pedagogo francês e discípulo de Pestalozzi num "Espiritismo de chiqueiro", que dá chicote nos pobres coitados que pedem o pão nosso de cada dia.

A filantropia "lata-velha" do "médium de peruca" consistia em ostensivas caravanas para doar uns poucos donativos que nem de longe combateram a pobreza humana de verdade, ou de falsas "cartas mediúnicas" feitas para promover sensacionalismo midiático e iludir as pessoas.

Pior: as "cartas mediúnicas", supostamente de entes queridos falecidos - mas que há provas de fraudes diversas, inclusive nas caligrafias e na coleta de dados - , prolongavam lutos familiares, expunham tragédias pessoais para o divertimento público e causavam emoções tóxicas nas famílias.

Essa "adorável caridade" nunca fez de Uberaba, onde o farsante encerrou seus dias, a Oslo brasileira, como esperaria de uma ação que prometia grandes proezas e, segundo os fanáticos seguidores do "médium de peruca", expressavam uma grandeza de dimensões homéricas.

Pelo contrário. A cidade nunca saiu de padrões medíocres de qualidade urbana, comparáveis ao de medianas cidades do interior paulista.

Reduto do bolsonarismo, Uberaba caiu mais de cem pontos em Índice de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas, entre 2000 e 2010, ano do centenário de nascimento do "médium".

O "médium de peruca", segundo os críticos do Espiritismo brasileiro, é mais blindado do que os políticos tucanos (PSDB) no auge de seus escândalos políticos.

O "médium" também é uma síntese de Aécio Neves, na esperteza, de Jair Bolsonaro, no reacionarismo, e de Luciano Huck, na pretensa caridade, reunidos numa só pessoa. Mas até as esquerdas passam pano nele, iludidas com as promessas de "paz mundial".

O farsante religioso foi incluído entre os "Heróis da Pátria" por conta de um político de direita vinculado à chamada Bancada do Boi, uma das forças macabras do Legislativo federal.

A Bancada do Boi é responsável por legislar em prol do desmatamento criminoso que devasta florestas, da grilagem de terras e a invasão de reservas indígenas e áreas de proteção ambiental.

É graças a esse "médium de peruca" que morreu, há 20 anos, como um cosplay do Eustáquio do desenho Coragem o Cão Covarde (Courage de Cowardly Dog), sucesso do Cartoon Network, que o Espiritismo brasileiro tornou-se fonte de mau agouro.

O que entendemos aqui como "kardecismo" - apesar das traições violentas aos ensinamentos de Kardec - é o Catolicismo medieval de botox, ou seja, repaginado para os tempos atuais.

Só mesmo a "elite do atraso" acha que o Espiritismo brasileiro é o "sal da terra", a "salvação da lavoura", e que basta doar roupas estragadas, remédios de validade vencida e um punhado de pacotes de alimentos não-perecíveis para famílias numerosas para mudar o Brasil.

Isso nunca adiantou coisa alguma. Os "filantropos" comemoram uma ação assistencialista por meses, mas os mantimentos se esgotam em menos de uma semana.

Bem que no meu inconsciente tentaram me avisar, quando eu tinha seis anos em 1977, que o "médium de peruca", como pretensa novidade religiosa, era tão oportunista quanto Edir Macedo e R. R. Soares.

Os três eram os astros religiosos de uma armação da ditadura militar, suspeita de financiar "espíritas" e "neopenteques" para enfraquecer a Igreja Católica, que então era a maior força de oposição ao poder ditatorial, denunciando os crimes militares aos organismos internacionais de direitos humanos.

O Espiritismo brasileiro só deu certo porque uma geração nascida nos anos 1930 e 1940 se iludiu com as promessas messiânicas do "médium de peruca", que depois foi um colaborador da ditadura tão convicto e certeiro quanto Cabo Anselmo.

Infelizmente se acostumou com as mentiras desse oportunista religioso de tal forma que só se multiplicam desmerecidas homenagens, seja no livro de Heróis da Pátria, nos nomes de logradouros e até em selos dos Correios, décadas atrás.

O mau exemplo do "médium de peruca" inspirou outros farsantes. Atualmente a Bahia virou a sucursal do Inferno de Dante graças às energias maléficas de dois "médiuns" locais muito conhecidos, dos quais, infelizmente, eu assisti às palestras e um programa de TV do mais jovem dos dois. E me dei mal.

A federação que representa o Espiritismo brasileiro sempre tem lugar cativo nas bienais dos livros, dentro de um mercado literário em que a transmissão de Conhecimento é prejudicada pela prevalência de obras anestésicas que não contribuem para desenvolver o aprendizado humano.

Atualmente, a recente armação do Espiritismo brasileiro é o surgimento repentino, nos últimos anos, de mulheres celibatárias propagandistas da religião, nas redes sociais.

Isso inclui até conhecidas atrizes, com belezas comparáveis às princesas da Disney, que eram até namoradeiras e casadonas, mas de repente viraram celibatárias a ponto de segurar vela para outras amigas casadas (e laicas).

Mas não se cai nesse canto de sereia das novas noviças que fazem topless nas praias, vestem camisetas do Nirvana e vão para rodas de pagode nos fins de semana e se divertem no parquinho como mães solteiras ao lado dos filhinhos.

Eu sai dessa religião de mau agouro. E não vou voltar. Nem as "princesas da Disney" em carne e osso vão me fazer voltar.

Sei que existem histórias horripilantes de gente que repudiou ou duvidou da religião "espírita" e tornou-se devoto dela.

Mas é preciso ter muita força emocional e uma certa frieza racional para evitar cair nesses apelos traiçoeiros de paisagens floridas. 

Falam tanto na ministra Damares Alves que aos nove anos viu Jesus Cristo aparecer numa goiabeira. E ninguém fala a respeito de pessoas adultas e até idosas que veem a cabeça do "médium de peruca" aparecer brotando em flores ou voando por céus azuis.

Foi um grande pesadelo do qual não quero e não vou voltar. E não vou voltar mesmo.

É preciso ter coragem, não a do cão covarde do desenho animado e o "Eustáquio de Uberaba".

É necessário ter a verdadeira coragem, do Erasto de Paneas, discípulo de São Paulo, que é o nome da cidade onde hoje vivo.

Na capital paulista, o "movimento espírita" protagonizou incidentes negativos, que vão da defesa do "médium de peruca" à ditadura militar à apresentação de uma ração apodrecida chamada "farinata" feita pelo mais idoso dos "médiuns" baianos, passando pelo suicídio de um homem numa federação local.

As energias de Paulo de Tarso e seu discípulo Erasto de Paneas contribuem para neutralizar as energias medievais do Catolicismo obscurantista repaginado sob o nome do Espiritismo, religião que durante anos foi o maior pesadelo da minha vida.

Fugi desse pesadelo para nunca mais voltar. 

Forte é aquele que não cai numa armadilha religiosa dessas. E eu quero ter essa força.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PAOLA CAROSELLA É UMA VOZ REALISTA QUE SE ENCAIXA EM TEMPOS DISTÓPICOS COMO HOJE

Fico refletindo o quanto há muitos estrangeiros que se demonstram tão ou mais brasileiros do que muito nativo deste Brasil deitado eternamente em berço esplêndido. Mino Carta, por exemplo, é um jornalista honrado, lúcido, experiente e mais apaixonado pelo Brasil do que muito jornalista hidrófobo que quer entregar toda a condução da política e economia de nosso país para paus-mandados de Wall Street, da Casa Branca e do Pentágono, aqui nascidos. Temos Noam Chomsky, que sabe mais do que muitos brasileiros que houve golpe político em 2016, um evento que começa a desaparecer até da memória de muitos esquerdistas iludidos com o identitarismo fácil. Temos alemães que, lá do seu país, nos alertam para o risco de endurecimento fascista do governo Jair Bolsonaro. Temos japoneses e estadunidenses que apreciam a mesma MPB autêntica que é demonizada pela nossa intelectualidade tupiniquim, mais identificada com os "bumbum tantãs", os "tecnobregas" e as "pisadinhas" da ...

MARMANJOS BRASILEIROS SÃO MAIS INFANTILIZADOS QUE ADOLESCENTES NOS EUA

  Existe uma coisa esquisita, entre os EUA e o Brasil. Nos EUA, jovens com menos de 30 anos de idade estão ouvindo sons mais antigos. Não apenas um passado relativamente mais recente, como o som dos anos 1980, mas veteranos ainda mais antigos, como Fleetwood Mac, Bob Dylan e os pioneiros da Invasão Britânica dos anos 1960, os Rolling Stones e os dois remanescentes dos Beatles, Paul McCartney e Ringo Starr. Em contrapartida, no Brasil, pessoas com mais de 30 anos mergulham fundo na mediocridade musical dos sucessos popularescos e, quando há alguma nostalgia, ela se situa nas breguices que fizeram sucesso comercial há 30, 40 e 50. Michael Sullivan, É O Tchan, Gretchen, Odair José, e a versão de “Evidências” com Chitãozinho & Xororó. É preocupante que,num momento em que uma parcela privilegiada da sociedade brasileira vive uma megalomania crônica, se achando dona do mundo e ávida pela entrada do Brasil no Primeiro Mundo e no protagonismo mundial pleno,o cenário cultural esteja tão...

“FARMAR A AURA” É HOJE O QUE A GÍRIA “BALADA” FOI NOS ANOS 1990-2000

O jornalismo de escritório, fechado para o mundo e de costas para os fatos, ainda insiste na palavra “balada”, como de vez em quando ocorre no noticiário “sério”, pelo qual não se poderia usar uma gíria, mas ela é usada de forma abusiva, comprometendo a boa escrita jornalística. Comparo isso com a nova moda de “farmar a aura”, um processo de idiotização cultural num contexto em que o que era imbecil ou medíocre há trinta anos hoje é considerado “genial”. Fala-se que o “sertanejo” de hoje só fala de “encher a cara”, mas os canastrões promovidos a “gênios” Chitãozinho & Xororó tiveram um sucesso chamado “Cerveja”. A onda de “farmar a aura”, antes de mais nada, é composta de rituais estranhos de rodas de jovens que se competem abanando as mãos, fazendo gestos inusitados ou qualquer coisa que possa chamar a atenção dos amigos. Algo tolo e inócuo, mas que a geração Z brasileira está adotando junto a um vocabulário inspirado em jogos de Minecraft, em sucessos do trap e em reality shows ...

COM ÔNIBUS “PADRONIZADOS”, EDUARDO PAES VIROU PADRINHO DO BOLSONARISMO

NÃO DÁ PARA ESQUECER O QUE FOI FEITO NOS VERÕES PASSADOS. Enganando a população se vendendo como um falso esquerdista, o hoje candidato a governador do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, impôs, com o autoritarismo de um ditador, a pintura padronizada nos ônibus, medida que confunde as pessoas comuns e deixa as empresas de ônibus serem reconhecidas apenas por “especialistas”, sejam busólogos, autoridades e tecnocratas. O “pesadelo sobre rodas” foi retomado em 2025 e criou um “baile de máscaras” que demonstrou a arrogância de Paes, que fala e age como um Luciano Huck da política, com a curiosa observação de que os dois são muito amigos e sentem admiração um pelo outro. A pintura padronizada é apenas a cereja do bolo que inclui uma degradação do trabalho de fazer Michel Temer ficar de queixo caído. Motoristas acumulando função de cobrador e tendo que cumprir horário, sendo obrigado a aumentar a velocidade para compensar trechos congestionados dos trajetos. Redução de frotas de ônibus em circul...

A GROSSERIA DE LULA, EM MAIS UMA GAFE

Em mais um "pum" declaratório, o presidente Lula cometei mais uma de suas gafes, desta vez das mais grosseiras. Foi durante a cerimônia do programa Brasil Sorridente, em Brasília, ontem. O programa se destina a fabricar próteses dentárias através da tecnologia 3-D, considerada sofisticada. Lula fez um discurso que soou agressivo, mesmo quando disse que "pobre gosta de coisa boa". A declaração, da maneira como foi feita, foi deplorável. Eis o que o presidente disse, mostrando o sinal obsceno do dedo do meio: " Porque nós precisamos acabar com essa história de que eles pensam que pobre não gosta de coisa boa. Aqui para eles [mostra o dedo do meio]. Nós gostamos de coisa boa. Nós queremos tudo de primeira. Tudo. É comida de primeira, roupa de primeira, viajar de primeira, dentista de primeira, médico de primeira ". Só que não foi coisa boa essa grosseria do sinal do dedo e do comentário bruto do presidente, que peca por ser bastante impulsivo. Com certeza, nã...

O MEDO QUE MUITOS TÊM DE ADMITIR O CULTURALISMO DA FARIA LIMA

Corre um forte medo nas redes sociais. A constatação de que o sistema de valores degradado que atinge o Brasil e deixa muita gente na zona de conforto é em grande parte planejado por executivos e publicitários da Faria Lima faz muitos internautas reagirem e recusarem a admitir essa realidade. Reagem achando que esse sistema de valores prevalecente em nosso país se desenvolveu com a naturalidade do ar que respiramos e, só por fazer parte do cotidiano de muitas pessoas, seria “impossível” atribuir qualquer manipulação ou qualquer processo de alienação sociocultural. Tudo parece agradável, mesmo diante de cenários de idiotização cultural, de obscurantismo religioso e de processos de indução ao consumo cego e voraz. Pessoas acordam, passam o dia e vão dormir tranquilas se submetendo a esse processo que lhes parece natural e espontâneo. A gente vê que o Brasil decaiu muito. Em termos culturais, o Brasil está,no conjunto da obra, pior do que em 1963. Até agora, o Brasil não resolveu seus ent...

ELITE DO BOM ATRASO NÃO GOSTA QUE SE CRITIQUE O UFANISMO DAS FAVELAS

  Um caso foi divulgado no portal Investi Brasil, que citou a grande repercussão da frase de um jovem, que declarou: “Favela não é cultura. Favela é pobreza, desordem e caos”. O jovem reforçou sua tese argumentando sobre a necessidade de criar políticas habitacionais para a população carente. Embora o internauta tenha recebido manifestações de solidariedade nas redes sociais, ele sofreu ataques e foi vítima de cancelamento. Tudo porque os descolados não gostaram do comentário do rapaz de que favela não é cultura. Antigamente, os jornalistas sérios alertavam para o problema crônico das favelas, definidas como uma grande tragédia social, consequente do abandono da população pobre depois da Abolição da escravidão. É um triste efeito da exclusão imobiliária que forçou os pobres a improvisar construções precárias que não têm segurança nem conforto. Somente nos últimos 25 anos, surgiu a narrativa, com uma forte dose de hipocrisia social, o tratamento glamourizado das favelas, aliado à es...

POR QUE UM FEMINICIDA TENDE A MORRER MAIS CEDO QUE UM HOMEM COMUM?

A tragédia pessoal de um feminicida não ocorre porque supostamente nós desejamos ou não que isso aconteça. Queiram ou não queiram, essa tragédia vem da própria personalidade tóxica do feminicida, que não tinha uma personalidade zen quando cometeu o crime e nem vira um primor de longevidade tempos depois. O próprio feminicida constrói sua morte que de qualquer maneira reduz seu tempo de vida. Antes de cometer o crime, ele desenvolve um sentimento de ódio contra sua vítima, quase sempre uma esposa ou namorada cuja relação terminou ou está para terminar. Esse ódio lhe causa mal estar e isso mina seu organismo e, não obstante, lhe tira o sono, prejudicando seu rendimento físico. Sua consciência, evidentemente, lhe adverte para não cometer o crime, mas a obsessão pelo ato lhe faz o coração bater acelerado, o que se agrava no exato momento do crime, que causa, no seu praticante, um desgaste energético que é apenas pequeno para causar algum problema de saúde, mas abala seu funcionamento de qu...

LULA ESTÁ MANIPULANDO O PROCESSO ELEITORAL?

LULA DÁ INDÍCIOS DE SER POLITICAMENTE ABUSIVO AO BUSCAR VENCER A QUALQUER CUSTO A CORRIDA PRESIDENCIAL. No último fim de semana, o presidente Lula declarou, ao saber da intenção do presidente dos EUA Donald Trump de enviar dois funcionários para fiscalizar e contestar o funcionamento das urnas eletrônicas, que "quem mexer nas eleições brasileiras vai apanhar muito". A justificativa do petista é que as urnas eletrônicas são confiáveis e acusa os funcionários de Trump de quererem prejudicar as eleições brasileiras, prejudicando a soberania e o voto democrático. Tudo bem. A interferência estrangeira é uma ameaça à soberania brasileira e, com toda certeza, atenderá a um interesse externo, divergente do interesse público dos brasileiros. Garantir que o Brasil seja soberano até na realização das eleições é fundamental para a saúde sociopolítica de nosso país. O grande problema, todavia, é que Lula se vende como um "candidato único", que apenas precisa do contraponto bolso...

QUANDO ROCK É PURO NEGÓCIO

    O negacionismo factual dos “roqueiros de butique”, sejam filhinhos de papai, titios do food truck , tietes de parquiletes, garotas mimadas metidas a malvadas, andou prevalecendo nas redes sociais e o pessoal anda passando pano em “rádios rock” como a 89 FM, mesmo quando sua família dona da emissora ter um arrepiante histórico de defesa da ditadura militar e de pautas desumanas como a jornada excessiva de trabalho e as fortunas abusivas dos super-ricos. Para esse pessoal, isso pouco importa. Eles endeusam rádios canastronas como a 89 FM e similares pelos poucos hits roqueiros que se encorajam em ouvir. Um punhado de músicas de Beatles, Rolling Stones, Queen, Pearl Jam, Ramones, Green Day e Nirvana, grupos rebaixados a one-hit wonders como Deep Purple e AC/DC, um nome superestimado como Guns N'Roses, bobagens como Raimundos e Mamonas Assassinas e grupos de thrashno como System of a Down e Korn. E não muito além disso. A indigência da cultura rock no Brasil e o caráter cons...