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HÁ DEZ ANOS, ME LIBERTEI DE UM PESADELO


Há exatos dez anos, em 30 de março de 2012, decidi me libertar de um pesadelo.

Resolvi romper com a religião chamada de Espiritismo brasileiro, a maior farsa religiosa que pouquíssima gente tem a coragem de reconhecer.

Meu irmão também rompeu com a religião nesse dia, já que constatamos, em conversas, o quanto essa religião foi bastante prejudicial para nossas vidas.

Tive um envolvimento relativamente regular com essa religião entre 1992 e 2012, mas no geral foi uma trajetória que começou de 1984 a 2012.

Já da parte de meus pais, o contato veio mais cedo, em 1976, e o mau agouro veio em várias circunstâncias da vida pessoal minha e do meu irmão.

Nesse tempo todo, nós recorremos a essa religião para pedir pão e receber serpentes, para pedir peixe e receber pedras.

Não vou detalhar porque são coisas muito pessoais. Mas a verdade é que a religião representou azar para mim e meu irmão.

Muita gente estranha essa constatação, já que estamos num contexto de mediocrização e imbecilização cultural.

Neste sentido, as pessoas preferem matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem. Ou então chutar cachorro morto com o cadáver apodrecido.

É fácil falar dos "neopenteques" que cobram abusivamente dinheiro dos fiéis e cujos escândalos já são mais do que manjados.

Eles são reprováveis, sim, e eu mesmo considero patético o imaginário "neopenteque" de falar coisas como "viver de adoração" e "ajoelhar diante do trono".

Mas tudo isso é óbvio. Só que poucos veem o perigo maior por trás de um suposto espiritualismo que pede para as pessoas renunciarem até ao que lhes é necessário visando a recompensa da "vida maior".

Qual é a diferença?

Dar dinheiro, eletrodomésticos e automóveis para sustentar as fortunas dos pastores neopentecostais, por um lado, e, por outro, viver de desgraças cotidianas, e se subordinar ao jugo de um "médium" ou palestrante "espírita", que obtém, mesmo indiretamente, privilégios financeiros com isso?

Nas igrejas neopentecostais, os fiéis sacrificam geladeiras, fogões, automóveis, visando as bênçãos e a proteção do pastor do templo de sua comunidade.

Nos centros "espíritas", os fiéis sacrificam com filhos, amigos, namoradas, esposas, entes queridos em geral, mortos em circunstâncias azarentas, muitos na tenra juventude, em troca de proteção divina garantida pelo ambicioso "médium", tarefeiro ou palestrante "espírita".

O Espiritismo brasileiro é alimentado por uma literatura fake, que, de maneira oportunista, se utiliza de nomes de pessoas mortas para enganar a população.

Essas obras sempre apresentam algum aspecto que contradiz a natureza pessoal de cada morto. E os textos são padronizados conforme a mentalidade do "médium", ou seja, na prática o ghost writer é uma pessoa viva ou, no jargão "espírita", "encarnada".

O dito "maior médium do Brasil" - que não digo o nome, para não dar mais azar, daí o chamo de "médium de peruca" - é uma figura deplorável em todos os sentidos. Ele é o maior ícone dessa religião lamentável que é o Espiritismo brasileiro.

Farsante, reacionário, demagogo, canastrão humanitário. Que fez coisas ruins por trás da imagem "bondosa" que carrega no imaginário de milhares de brasileiros.

Ele defendeu e colaborou com a ditadura militar (como mostra um programa da TV Tupi em 1971) como poucos que zelaram pela permanência do regime. E defendeu tanto que foi condecorado pela Escola Superior de Guerra.

E foi condecorado com gosto, enquanto a ESG dava ao "médium", também de maneira prazerosa, as premiações pelos serviços que o religioso fez em prol de governos que promoviam a tortura, as mortes de pessoas inocentes e oprimidas.

Ou será que os presos políticos eram apenas "enviados para o outro lado, mais cedo, para a vida maior"?

O "médium" já ofendeu seriamente Humberto de Campos, um escritor subestimado, mas que agora sobrevive pelas obras fake que criminosamente carregam seu nome.

Houve tentativa de processo judicial, mas um juiz suplente passou pano no "médium" que, esperto, apenas escondeu o nome usurpado por um pseudônimo (Irmão X) para não causar problemas.

Pior. Depois que a viúva de Humberto de Campos morreu, o "médium" vigarista armou, em 1957, um evento religioso, com medidas traiçoeiras como o "bombardeio de amor" e amostras de Assistencialismo (nada muito diferente do "Lata Velha" de Luciano Huck) para o filho homônimo do escritor.

Para quem não sabe, houve um outro profissional da TV, chamado Humberto de Campos Filho, que foi jornalista, diretor e produtor, e que na Internet aparece em uma foto ao lado de Hebe Camargo.

Pois Humberto de Campos Filho foi enganado pelo "médium" e, de um elegante cético de notável e discreto senso crítico, virou um deslumbrado patético a se ajoelhar diante daquele que o enganou, décadas depois do patético festival de demagogia religiosa de 65 anos atrás.

E tem mais. O "bom médium", conhecido como "lápis de Deus", tem também um aspecto macabro nas suas costas: a morte suspeita de um sobrinho, que iria denunciar as fraudes do tio e de outros envolvidos.

Como naquelas mortes de um membro da Máfia que resolve trair seus parceiros e denunciá-los, o rapaz, chamado Amauri, teria sido alvo de campanha caluniosa pelo "meio espírita" na qual teve tudo que os "amáveis espíritas" julgam serem incapazes: ofensas, mentiras, ódio e ameaças de morte.

Inventaram que Amauri era alcoólatra e ladrão, e investiram na mentira de que o "passatempo" do rapaz era arrombar casas em Sabará, cidade onde morava.

Tinha até um delegado solidário ao "médium de peruca" (que não usava peruca na época) cujo comportamento é bem típico dos policiais bolsonaristas de hoje. O delegado era o "maestro" de toda essa campanha de assassinato de reputação que atingiu o coitado do Amauri.

Aí Amauri teria sido internado num sanatório "espírita", onde, suspeita-se, teria sofrido agressões físicas e assédio moral. Foi solto, assim que veio um homem que dizia ser amigo de Amauri e, acolhendo-o, teria levado o rapaz para um bar e o teria matado pondo veneno na bebida.

São episódios horripilantes, que o chamado "movimento espírita" bota debaixo do tapete, mas que merece investigação jornalística, embora o caso, ocorrido entre 1958 (denúncias) e 1961 (envenenamento), não tem mais efeitos jurídicos que impliquem numa sentença criminal.

O caso precisa, urgentemente, ser investigado por um jornalista investigativo que não sucumba à habitual mania de passar pano no "médium", como fazem muitos jornalistas e escritores pretensamente "céticos", "ateus" e "investigativos", mas com abordagem demasiadamente chapa-branca.

A farsa do "médium de peruca" é tal que um exame médico sério, cujos resultados foram publicados na revista Realidade, edição de novembro de 1971, em matéria feita pelo grande José Hamilton Ribeiro (que recentemente saiu do Globo Rural), atestaram que o "médium" sofria de alucinações mentais.

Era uma tomografia cerebral que mostrou que toda aquela "maravilhosa mediunidade" não passava de uns distúrbios mentais de um homem cuja lucidez se mostrava quando expressava ideias ultraconservadoras dignas do século XII, mas em outros parecia exprimir debilidade mental.

O "bom médium", associado à constrangedora e fracassada "profecia da data-limite", também fez outras coisas pavorosas.

Ele ofendeu os humildes cidadãos de Niterói e outras localidades que, vítimas de um incêndio criminoso que atingiu o Gran Circo Norte-Americano no final de 1961, foram acusadas de terem sido "romanos sanguinários". Foi um juízo de valor violentamente agressivo.

E é por isso que não há mérito algum em usar o nome do "médium" para a tal Avenida da Ciclovia no bairro niteroiense de Piratininga. Isso transforma o bairro numa área perigosa, ante as energias maléficas que o nome do "médium" representa.

A região é uma das que mais atraem milicianos, traficantes de armas e drogas e até estupradores para viverem no bairro da Região Oceânica, ao passo que já ocorreu deslizamento trágico numa favela próxima e ocorrem vários acidentes de carros matando jovens inocentes.

O "bom homem", que já foi homenageado, musicalmente, por desavisados Roberto Carlos e Flávio Venturini (este junto com Marcus Viana, do Sagrado Coração da Terra) por músicas que não são de autoria desses habituais compositores, também fez outro horror.

Ofendeu os amigos de um jovem chamado Jair Presente, que morreu afogado no interior de São Paulo, em 1974.

O "lápis de Deus" foi forjar suas habituais psicografakes, primeiro com aquela mensagem habitual, depois com uma linguagem neurótica que só nos fazia confundir a respeito do mundo espiritual, pois a impressão que se tinha é que também se "fumava baseado" e dizia asneiras no além-túmulo.

Os amigos, que sabiam muito bem quem foi seu finado amigo, desconfiaram com muitíssima razão. E sabe qual foi a reação do "médium"? Irritação e comentário ríspido, chamando a desconfiança dos amigos de "bobagem da grossa".

Hipócrita, o "médium" antecipou Luciano Huck (assumidamente discípulo do religioso) na falsa caridade, aquela que serve mais para a promoção pessoal do bem feitor.

No esquema "quem muito diz ser é porque não é", o "médium" sempre falava, o tempo todo, com exagerado alarde, que "nunca fez caridade pensando no retorno pessoal", mas era isso que ocorria.

Ele já era favorecido pelo "culto à personalidade", uma aberração que só existe no Brasil mas inexistiu nos verdadeiros médiuns do tempo de Allan Kardec, precursor do Espiritismo original que foi arruinado pelos supostos representantes no Brasil.

Kardec foi o maior lesado pelo "médium de peruca" que rebaixou o legado do pedagogo francês e discípulo de Pestalozzi num "Espiritismo de chiqueiro", que dá chicote nos pobres coitados que pedem o pão nosso de cada dia.

A filantropia "lata-velha" do "médium de peruca" consistia em ostensivas caravanas para doar uns poucos donativos que nem de longe combateram a pobreza humana de verdade, ou de falsas "cartas mediúnicas" feitas para promover sensacionalismo midiático e iludir as pessoas.

Pior: as "cartas mediúnicas", supostamente de entes queridos falecidos - mas que há provas de fraudes diversas, inclusive nas caligrafias e na coleta de dados - , prolongavam lutos familiares, expunham tragédias pessoais para o divertimento público e causavam emoções tóxicas nas famílias.

Essa "adorável caridade" nunca fez de Uberaba, onde o farsante encerrou seus dias, a Oslo brasileira, como esperaria de uma ação que prometia grandes proezas e, segundo os fanáticos seguidores do "médium de peruca", expressavam uma grandeza de dimensões homéricas.

Pelo contrário. A cidade nunca saiu de padrões medíocres de qualidade urbana, comparáveis ao de medianas cidades do interior paulista.

Reduto do bolsonarismo, Uberaba caiu mais de cem pontos em Índice de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas, entre 2000 e 2010, ano do centenário de nascimento do "médium".

O "médium de peruca", segundo os críticos do Espiritismo brasileiro, é mais blindado do que os políticos tucanos (PSDB) no auge de seus escândalos políticos.

O "médium" também é uma síntese de Aécio Neves, na esperteza, de Jair Bolsonaro, no reacionarismo, e de Luciano Huck, na pretensa caridade, reunidos numa só pessoa. Mas até as esquerdas passam pano nele, iludidas com as promessas de "paz mundial".

O farsante religioso foi incluído entre os "Heróis da Pátria" por conta de um político de direita vinculado à chamada Bancada do Boi, uma das forças macabras do Legislativo federal.

A Bancada do Boi é responsável por legislar em prol do desmatamento criminoso que devasta florestas, da grilagem de terras e a invasão de reservas indígenas e áreas de proteção ambiental.

É graças a esse "médium de peruca" que morreu, há 20 anos, como um cosplay do Eustáquio do desenho Coragem o Cão Covarde (Courage de Cowardly Dog), sucesso do Cartoon Network, que o Espiritismo brasileiro tornou-se fonte de mau agouro.

O que entendemos aqui como "kardecismo" - apesar das traições violentas aos ensinamentos de Kardec - é o Catolicismo medieval de botox, ou seja, repaginado para os tempos atuais.

Só mesmo a "elite do atraso" acha que o Espiritismo brasileiro é o "sal da terra", a "salvação da lavoura", e que basta doar roupas estragadas, remédios de validade vencida e um punhado de pacotes de alimentos não-perecíveis para famílias numerosas para mudar o Brasil.

Isso nunca adiantou coisa alguma. Os "filantropos" comemoram uma ação assistencialista por meses, mas os mantimentos se esgotam em menos de uma semana.

Bem que no meu inconsciente tentaram me avisar, quando eu tinha seis anos em 1977, que o "médium de peruca", como pretensa novidade religiosa, era tão oportunista quanto Edir Macedo e R. R. Soares.

Os três eram os astros religiosos de uma armação da ditadura militar, suspeita de financiar "espíritas" e "neopenteques" para enfraquecer a Igreja Católica, que então era a maior força de oposição ao poder ditatorial, denunciando os crimes militares aos organismos internacionais de direitos humanos.

O Espiritismo brasileiro só deu certo porque uma geração nascida nos anos 1930 e 1940 se iludiu com as promessas messiânicas do "médium de peruca", que depois foi um colaborador da ditadura tão convicto e certeiro quanto Cabo Anselmo.

Infelizmente se acostumou com as mentiras desse oportunista religioso de tal forma que só se multiplicam desmerecidas homenagens, seja no livro de Heróis da Pátria, nos nomes de logradouros e até em selos dos Correios, décadas atrás.

O mau exemplo do "médium de peruca" inspirou outros farsantes. Atualmente a Bahia virou a sucursal do Inferno de Dante graças às energias maléficas de dois "médiuns" locais muito conhecidos, dos quais, infelizmente, eu assisti às palestras e um programa de TV do mais jovem dos dois. E me dei mal.

A federação que representa o Espiritismo brasileiro sempre tem lugar cativo nas bienais dos livros, dentro de um mercado literário em que a transmissão de Conhecimento é prejudicada pela prevalência de obras anestésicas que não contribuem para desenvolver o aprendizado humano.

Atualmente, a recente armação do Espiritismo brasileiro é o surgimento repentino, nos últimos anos, de mulheres celibatárias propagandistas da religião, nas redes sociais.

Isso inclui até conhecidas atrizes, com belezas comparáveis às princesas da Disney, que eram até namoradeiras e casadonas, mas de repente viraram celibatárias a ponto de segurar vela para outras amigas casadas (e laicas).

Mas não se cai nesse canto de sereia das novas noviças que fazem topless nas praias, vestem camisetas do Nirvana e vão para rodas de pagode nos fins de semana e se divertem no parquinho como mães solteiras ao lado dos filhinhos.

Eu sai dessa religião de mau agouro. E não vou voltar. Nem as "princesas da Disney" em carne e osso vão me fazer voltar.

Sei que existem histórias horripilantes de gente que repudiou ou duvidou da religião "espírita" e tornou-se devoto dela.

Mas é preciso ter muita força emocional e uma certa frieza racional para evitar cair nesses apelos traiçoeiros de paisagens floridas. 

Falam tanto na ministra Damares Alves que aos nove anos viu Jesus Cristo aparecer numa goiabeira. E ninguém fala a respeito de pessoas adultas e até idosas que veem a cabeça do "médium de peruca" aparecer brotando em flores ou voando por céus azuis.

Foi um grande pesadelo do qual não quero e não vou voltar. E não vou voltar mesmo.

É preciso ter coragem, não a do cão covarde do desenho animado e o "Eustáquio de Uberaba".

É necessário ter a verdadeira coragem, do Erasto de Paneas, discípulo de São Paulo, que é o nome da cidade onde hoje vivo.

Na capital paulista, o "movimento espírita" protagonizou incidentes negativos, que vão da defesa do "médium de peruca" à ditadura militar à apresentação de uma ração apodrecida chamada "farinata" feita pelo mais idoso dos "médiuns" baianos, passando pelo suicídio de um homem numa federação local.

As energias de Paulo de Tarso e seu discípulo Erasto de Paneas contribuem para neutralizar as energias medievais do Catolicismo obscurantista repaginado sob o nome do Espiritismo, religião que durante anos foi o maior pesadelo da minha vida.

Fugi desse pesadelo para nunca mais voltar. 

Forte é aquele que não cai numa armadilha religiosa dessas. E eu quero ter essa força.

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