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NÃO É A TERCEIRA VIA QUE ESTÁ COM MEDO. É LULA QUE TEM RECEIO DE DERROTA

LULA (D) SAÚDA O EMPRESÁRIO ABÍLIO DINIZ, POR IRONIA UM DOS IDEALIZADORES DA TERCEIRA VIA PARA A CAMPANHA PRESIDENCIAL DE 2022.

Temos notícias de que a Terceira Via está, supostamente, em profundo desespero e pânico.

No PSDB, João Dória Jr., cotado para a Presidência da República, está brigando com Aécio Neves porque este quer o agora ex-governador gaúcho Eduardo Leite como candidato para o Executivo federal.

Aparentemente, o clima do "baixo clero" do tucanato está muito tenso e Dória, que tenta também articular uma chapa com a emedebista Simone Tebet, é tido como condenado ao naufrágio político na campanha deste ano.

No PDT, Ciro Gomes é acusado de se preocupar mais com memes e com ataques aos esquerdistas comprometidos com Lula.

Num dos memes, algumas figuras apoiadoras de Lula aparecem numa montagem, sob o nome de "Novos Tucanos".

Na montagem aparecem Fernando Haddad, Manuela d'Ávila, Guilherme Boulos, Jean Wyllys, Marcelo Freixo e Gleisi Hoffmann, esta com uma camiseta azul claro com o tucano símbolo do PSDB.

O meme, produzido em GIF, tem como fundo um trecho da música "Chorando Se Foi", do Kaoma (o vídeo credita a música pelo título mundial, "Lambada"), que diz: "A recordação / Vai estar com ele aonde for / A recordação / Vai estar pra sempre aonde for".

O trecho se refere ao passado de Geraldo Alckmin, que aparece com várias cabeças soltas flutuando ao redor do cenário, com Brasília com fogueira numa das conchas e alguns membros das esquerdas em posição de engajamento. 

Eles e Geraldo "cantam" o trecho do sucesso do Kaoma, através de um recurso gráfico que movimenta, digitalmente, cabeça e lábios.

A letra do Kaoma usada no vídeo é uma gozação à frase de Geraldo Alckmin citada na cerimônia de sua filiação ao PSB: "Vamos olhar para a frente. Política não se faz olhando para o retrovisor".

É certo que Ciro Gomes surgiu na ARENA, já apoiou Antônio Carlos Magalhães, recentemente andou cortejando Ronaldo Caiado e, em sua trajetória política, já foi tucano.

Há até rumores de que o PDT está incomodado com Ciro Gomes e que existe pressão para que ele deixe a candidatura presidencial.

Mas tudo isso é festejado pelas esquerdas médias que não percebem quem é que está com muito medo e apreensão: Lula, o aparentemente todo-favorito da campanha presidencial.

Na coluna de ontem de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo, informou-se que, em outubro do ano passado, Lula se encontrou com o empresário Abílio Diniz, por ironia um dos artífices da Terceira Via, há cerca de três anos.

Abílio disse, recentemente, que estava entusiasmado com a aliança de Lula com Geraldo Alckmin. "Vem coisa boa por aí", disse o empresário.

Lula anda se contradizendo, misturando sua habitual campanha junto às forças progressistas por estranhíssimas declarações enfatizando que quer ter em sua chapa pessoas contrárias ao seu projeto político.

Essas declarações têm desculpas que já se tornaram conhecidas: "derrubar Bolsonaro", "promover diálogo e entendimento", "recuperar a democracia" e "garantir a governabilidade".

Lula já cometeu recuos. Quis entrar no clima de "doce vida" com sua noiva Rosângela Silva, a Janja, interditando praia para os dois tomarem banho sossegados.

A medida não se repetiu, tamanha a má repercussão e a exploração do caso pelos antipetistas.

Lula já falou para a mídia coronelista do Nordeste que iria fazer regulação da mídia. A mídia corporativa se assustou, pouco adiantando Lula dizer que a proposta se basearia nos modelos adotados em países capitalistas como a Grã-Bretanha.

Recentemente, Lula decidiu adiar encontros com o empresariado para focar nos movimentos sociais.

Isso mostra uma grande falta de estratégia e uma atitude extremamente perigosa para o caso de Lula ser presidente da República.

Pois foi assim, de forma ainda mais branda, que João Goulart e Dilma Rousseff sofreram golpes políticos.

Lula vai fazer um governo conservador, para atender às demandas de seus aliados da direita moderada. Ele diz que não, mas vai ter que governar para o "mercado", para a "Faria Lima", por conta das alianças que quis conquistar.

Nada sai de graça e só mesmo um ingênuo para achar que Lula terá seu projeto político intato ao fazer alianças com a direita moderada.

E há muitos ingênuos desse tipo. Gente que dizendo que "Alckmin virou esquerdista", "o PSDB faliu e o tucanato agora lulou de vez", que "Lula vai se impor até para os liberais ortodoxos" etc.

Mas a verdade é que o perigo de Lula é começar conservador, seguir mais progressista e, não agradando direita nem esquerda, ser golpeado.

Antes da campanha presidencial se oficializar, o medo é de Lula ser derrotado nas urnas.

Sua ênfase em querer fazer alianças com quem não se afina com seu projeto político já afastou muita gente séria de esquerda, eu incluído.

Jair Bolsonaro está decadente, em crise, mas consegue respirar politicamente e até ameaçar retomar fôlego. E Sérgio Moro, o algoz de Lula, mesmo com toda sua incompetência política, pode se tornar a zebra das eleições de 2022.

Lula é visto oficialmente como um favorito quase invicto. Mas com tanto clima de "já ganhou" e tanta festa identitária em torno de Lula, ele já começa a se desgastar.

Lula queimou muita munição na sua pré-campanha. Daí os seus recuos. Ele não pode fazer o que quer, só por ser o suposto favorito.

E assim vemos, por trás de tanta fantasia política em favor de Lula, o risco de uma grave decepção política, neste Brasil distópico em que a festa, como as manifestações identitaristas do Lollapalooza Brasil, é só uma grande ilusão.




 

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