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A VERGONHOSA ABERRAÇÃO DOS 'PARKLETS' (PRAÇAS DE RUA) EM NITERÓI

 PARQUILETE (PRAÇA DE RUA) NA RUA NÓBREGA, NO JARDIM ICARAÍ.


Parece piada, mas as "praças de rua" foram regulamentadas em lei em Niterói, e, apesar de serem definidas como "instalações temporárias", essas aberrações querem se tornar permanentes.


A lei em questão é o Decreto 12903, de 16 de março de 2018, e as "praças de rua" tem nome "técnico" de parklets. Vou usar o nome aportuguesado de "parquilete".


São verdadeiros monstrengos que se vendem como "passeios públicos". Enfeiam a paisagem urbana e nada têm de funcionais.


O regulamento em questão diz que são "praças públicas" que, em tese, são "acessíveis a todos".


É claro que isso é uma maneira de dizer. Os parquiletes atendem, na verdade, aos interesses comerciais de seus proprietários, os "mantenedores".


Tudo isso é uma grande farsa, porque o "acesso a todos" é apenas um eufemismo. A prioridade são os fregueses dos estabelecimentos contíguos a essas "praças de rua".


Os parquiletes são, portanto, ambientes privados, com a concessão de que ninguém que não seja freguês dos estabelecimentos em questão seja reprimido ou intimidado se decidir sentar lá.



OUTRO DETALHE DA PARQUILETE DA RUA NÓBREGA.

Já existem cinco parquiletes em Niterói, que são uma vergonha para a mobilidade urbana, e um deles, na Travessa Alberto Victor, atrapalha o tráfego de veículos.

E olha que nesta travessa, que fica no Rink, há muito tempo não passam as linhas 43-2 e 49-2. Imagine o problema que seria aqueles ônibus grandões da Ciferal Padron Alvorada passando pelo lugar.


MANEIRA DE DIZER: OS PARQUILETES SE AUTODEFINEM COMO "ESPAÇOS PÚBLICOS", MAS ESTÁ NA CARA QUE ELES SÃO PRIVADOS, ATENDENDO AO MARKETING DE SEUS MANTENEDORES.


A definição dos parquiletes como "espaços públicos" são uma grande galhofa. Falam até que são "passeios públicos" situados em "leito carroçável", termo que define os meios-fios das ruas.


Está na cara que eles são espaços privados. São apenas concessões que, na verdade, priorizam os fregueses dos bares e centros comerciais que sustentam esses monstrengos.


É aquela lógica do banco para portadores de limitações físicas e das filas para idosos nos bancos e supermercados. Qualquer um pode ir, mas a prioridade dos parquiletes é da freguesia.


Tudo maneira de dizer. Se um bar que mantém o parquilete está cheio de fregueses, são eles que vão sentar nesta instalação e não aquela idosa que sai de casa para tomar um arzinho e deseja sentar para tricotar.


São interesses comerciais que estão travestidos por esse pretexto de "espaço público".


Embora sejam "públicos e gratuitos", os parquiletes na verdade só atendem aos desejos publicitários dos comerciantes mantenedores.


Nada contra eles trabalharem sua imagem para atrair a freguesia. 


Mas não na forma aberrante dos parquiletes que deixam, nas ruas, um aspecto feio, grosseiro, que de longe mais parece um curral montado entre uma fila de carros estacionados.


Tomara que essa onda das "praças de rua" que são os parquiletes acabe e que o termo "temporário" seja levado a sério e que essas instalações desapareçam e caiam no esquecimento.


Essas "praças de rua" vieram sem aviso, a população nem foi informada disso, e os parquiletes agora crescem sob o silêncio complacente da opinião (que se pretende) pública, que não dá um pio contra.


Teve gente reclamando do uso do "leito carroçável" para estacionamento privado para fregueses, no entorno de um estabelecimento comercial. Mas ninguém dá um pio sobre os parquiletes. Claro, não é o pessoal que passa por esses locais nem procura nos mesmos um local para estacionar.


Tem um parquilete na Rua Coronel Moreira César, uma monstruosidade diante do Central Prime que é um desperdício de espaço, pois tem calçadão enorme para botar bancos e um passeio público de verdade.


Isso ocorre na cara do "correspondente da Rua Moreira César", o internauta-padrão que faz jornalismo de press release nas páginas noticiosas sobre Niterói. Mas ele fica em silêncio.


O niteroiense médio, que vive anestesiado, nem percebe os parquiletes. Não foi avisado, nem viu a coisa como novidade, sua mente fica boiando e se contenta com tudo como está.


Devemos, isso sim, valorizar as praças já existentes, reurbanizar o entorno da Praça São João Batista, onde fica a igreja, e outras praças que precisam ser frequentadas por moradores.


Enquanto, em sua propaganda enganosa, os parquiletes vendem a imagem de "passeios públicos" - "passeio", só com bancos para sentar? - , as praças públicas de verdade se rebaixam, em muitos bairros, a lamentáveis "largos do crack".


Tomara que os parquiletes sejam removidos e sua lei seja revogada, proibindo novas "praças de rua". 


Só servem para ser mais um ambiente de sono numa cidade-dormitório que é Niterói, com tanta gente com sono (ainda não percebem, por exemplo, a necessidade de avenida própria de ligação entre Rio do Ouro e Várzea das Moças, para aliviar o trânsito da RJ-106).


Niterói já teve instalações mais relevantes, como o Trampolim de Icaraí, que foi definitivamente demolido. Os parquiletes são uma grande vergonha para Niterói.

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