LULA SE PREPARANDO PARA JOGAR NOS 45 MINUTOS DO SEGUNDO TEMPO.
A decisão do presidente Lula em deixar as pautas sociais e trabalhistas para a última hora, pressionado pela queda de popularidade e pela ameaça de perder a reeleição, pode complicar ainda mais o seu ingresso para o sonhado quarto mandato.
Matéria da Veja desta semana mostra que juristas ligados ao Partido dos Trabalhadores estão preocupados com a hipótese do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abrir processo contra o presidente Lula pelo uso da máquina pública como catalisador de popularidade, ou seja, o próprio Governo Federal agindo para atrair votos para o presidente que deseja um novo mandato.
Exemplo desse risco está na cassação do ex-governador de Roraima, Antônio Denarium (Republicanos) , e de seu candidato à sucessão e depois governador eleito Edison Damião (União), acusados de terem usado para fins eleitorais os programas Cesta da Família e Morar Melhor.
A defesa de Denarium tentou argumentar que os programas existiram antes do ano eleitoral e só foram estadualizados, mas o TSE entendeu que “houve abuso de poder político e econômico e uso da máquina pública para influenciar a vontade do eleitor na disputa de 2022”.
Entre as irregularidades apontadas pelo TSE estão “a distribuição de cestas básicas, a reforma de casas da população carente e o repasse de quase 70 milhões de reais a doze dos quinze municípios do estado em pleno ano eleitoral”.
Isso é o que preocupa os juristas do PT e mostra um sério erro estratégico de Lula, que abriu mão dos trabalhos presenciais de atendimento à nação, preferindo as viagens internacionais. Isso foi um tiro no pé que, não fosse a complacência dos lulistas, poderia prejudicar a reeleição do petista.
Primeiro, a priorização da política externa fez renascer a narrativa golpista do presidente que viaja usando o dinheiro público. Segundo, o povo pobre se sentiu abandonado pelo presidente Lula. Terceiro, o adiamento dos trabalhos internos de reconstrução do país, mal disfarçado pelos relatórios fantásticos de supostas realizações do governo fez a popularidade de Lula cair drasticamente, uma queda que os institutos de pesquisa não conseguem expressar na sua dramática crueza.
Dessa forma, só quando o TSE decidir passar pano nesses vacilos de Lula é que sua reeleição será garantida, assim como o apoio da burguesia e do "eleitor de centro" servem para garantir um placar de votos que, ainda que bastante apertado, assegurasse a conquista do quarto mandato. Se for pelas vias naturais e se depender do povo pobre, a reeleição de Lula torna-se, praticamente, impossível de ocorrer.
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