O empresário e dublê de ativista político João Camargo, presidente do Conselho da Esfera Brasil (think tank ligado ao Grupo Camargo de Comunicação), pediu maior engajamento político para o empresariado brasileiro. A declaração foi feita durante o Fórum Esfera, realizado na cidade de Guarujá, no litoral paulista.
“Vocês são empresários, adotem um deputado federal, adotem um senador, cobrem deles, participem mais ativamente da vida pública brasileira”, disse Camargo, que também afirmou que o setor privado tem “legitimidade para cobrar propostas e resultados por pagar impostos, gerar empregos e investir no país”.
Defendendo que os empresários devem apoiar campanhas eleitorais, só que dentro da lei, Camargo pediu “menos polarização política” - eufemismo para uma perspectiva pró-Centrão - e mais foco em programas de governo. Segundo o empresário, o Brasil precisa substituir políticas de governo por políticas de Estado, com continuidade em áreas como inovação, tecnologia e crescimento econômico.
O empresário afirmou que o país perdeu competitividade relativa nos últimos anos e fez críticas à baixa capacidade de inovação da economia do nosso país. De acordo com dados do Global Innovation Index 2025, da World Intellectual Property Organization, o Brasil ocupa o 52° lugar entre as 139 nações no ranquim mundial de inovação econômica.
O presidente da Esfera também afirmou que o Brasil segue excessivamente dependente de setores relacionados a commodities, como mineração, agronegócio e petróleo, e defendeu maiores investimentos em tecnologia e produtividade.
Certo, parecem coisas bem intencionadas, mas lembremos que João Camargo não fala em nome do povo, mas da classe empresarial. O dono da rádio 89 FM, o empresário mais poderoso da Faria Lima, representa aquilo que é o contrário do que o público roqueiro acredita, que são pautas neoliberais que, se algum fã de rock apoiasse, estaria num patamar abaixo do que a de um Roger Moreira no modo reaça.
Camargo defende as fortunas dos super-ricos, a manutenção da escala 6x1 no trabalho - ou talvez até a escala 7x0, como ocorreu com uma locutora de outra rádio do grupo, a Alpha FM - e, como se não bastasse, sua família apoiou a ditadura militar - o patriarca José Camargo foi um deputado da ARENA - e a 89 cresceu com o apoio de seus donos aos governos Collor e FHC.
Daí que, se um roqueiro ainda dá ouvidos à 89 FM e passa pano para esse currículo tão roqueiro quanto Edir Macedo representa para o candomblé, então quem gosta de rock no Brasil, através desse padrão de conduta, é, na melhor das hipóteses, um trouxa. Nada menos rock'n'roll do que um poderoso chefão da Faria Lima controlar a cultura rock no Brasil.
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