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SAÍDA DA FORD DO BRASIL É UM SOCO NO ESTÔMAGO DO GOLPE DE 2016

 A MONTADORA ESTADUNIDENSE FORD DEU FIM DEFINITIVO ÀS SUAS ATIVIDADES NO BRASIL, COMO A FÁBRICA DE CAMAÇARI, NA BAHIA.

A notícia do fechamento da filial brasileira da montadora Ford pegou todo mundo de surpresa.

A montadora, que estava há cerca de 100 anos no Brasil, tinha sede administrativa em São Paulo e sua principal fábrica ficava em Camaçari, na Grande Salvador. Havia também uma fábrica em Taubaté, em São Paulo.

Fui para Camaçari algumas vezes e é uma cidade simpática. Estava crescendo em função da Ford e o risco é de que a cidade decaia vertiginosamente. O governador da Bahia, Rui Costa, está pensando em chamar montadora chinesa para ocupar a vaga deixada pela Ford.

No passado, a Ford marcou sua trajetória por fabricar, nos anos 1950-1960, a série de camionetas Ford F-100 e, nos anos 1970, o automóvel Corcel. Produzindo caminhões e automóveis que fizeram história, a Ford chegou a fabricar chassis para ônibus nos anos 1990.

Segundo Jim Farley, CEO e presidente mundial da Ford, a medida faz parte de um plano de reestruturação da empresa, sediada em Dearborn, Michigan, EUA, no mercado latino-americano.

Mas a Ford também alegou que o fechamento da filial brasileira se deve à queda nas vendas de veículos, a alta do dólar e as restrições sociais impostas em função da pandemia da Covid-19.

Conta-se que a Ford irá instalar fábricas na Argentina e Uruguai que atuarão em todo o mercado da América do Sul.

A Ford prometeu que irá colaborar com os sindicatos brasileiros para reduzir o impacto causado com o fim das atividades da empresa no nosso país.

Os últimos modelos fabricados pela Ford brasileira, como o Ford Ka, o Eco Sport e o Troller T4, continuarão sendo comercializados normalmente, até o fim dos estoques. Com o fim da fábrica, a marca desaparecerá do mercado automotivo.

FUNCIONÁRIOS DA FORD EM UM MOMENTO DE COMEMORAÇÃO DE SUA PRODUTIVIDADE EM 2012.

O fim da Ford do Brasil ocorre há cerca de três meses antes de completar cinco anos do golpe que deu fim ao governo Dilma Rousseff.

Naquela época, as forças que se opuseram ao Partido dos Trabalhadores alegavam que, com Dilma expulsa do poder, o Brasil iria melhorar.

Eles renegavam o termo "golpe de 2016" e juravam que estavam "reconstruindo o Brasil", prometendo surgir um "novo tempo", com "recuperação e crescimento econômico", além do que eles chamavam de "redemocratização" através do presidente "desinterino" Michel Temer.

O irônico disso tudo é que, embora não fosse um primor de humanismo, o fundador da Ford, o empresário Henry Ford (1863-1947), defendia a melhor remuneração de seus funcionários para aquecer a venda dos seus produtos.

E o Brasil está vivendo um pesadelo que só uma parcela da sociedade, mesmo de esquerda, se recusa a perceber.

As classes trabalhadoras andam desamparadas e esquecidas pelas próprias esquerdas, que se deixam levar por armadilhas que fazem o próprio esquerdismo perder seu protagonismo.

Mesmo as esquerdas se perdem em brincadeiras nas redes sociais que, na prática, acabam mais interagindo com os bolsonaristas do que combatendo os mesmos.

E a ênfase das causas identitárias acaba transformando as esquerdas atuais em "tribos" festivas, conectadas com a Internet mas desconectadas com a realidade do povo brasileiro.

Imagine o que é uma empresa como a Ford fechar todas suas fábricas, depois de 101 anos de atividades.

É muita gente na rua. Pais de família ou outros proletários tendo que arrumar bico para ver se consegue alimentar dignamente ele e seus familiares.

É a rotina do desemprego, que se tornou o inferno do povo brasileiro, e que se agravou com o golpe político de 2016.

Da parte dos golpistas, o fim da filial brasileira da Ford é um soco no estômago. Quiseram Temer e Bolsonaro visando pautas conservadoras e deixaram que a crise crescesse e se agravasse.

Agora os golpistas de 2016, que já não conseguiam desmentir o golpe, também não conseguem explicar por que o tão sonhado crescimento econômico não aconteceu.

Jair Bolsonaro até mentiu a respeito disso, esnobando a saída da Ford do Brasil.

A crise piorou muito e é triste ver que, no Rio de Janeiro, berço do golpismo - em que pese a atuação do Paraná, por meio da Operação Lava Jato - , as pessoas ainda estão felizes achando que vivem os melhores dias.

Agora é ver a coisa despencar. Mas se até as esquerdas andam alegrinhas ultimamente...

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