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O DESFECHO SOMBRIO DE UM GOVERNO SURREALMENTE ELEITO

LANÇADA EM 2020, A DRAMÁTICA CHARGE DE LAERTE COUTINHO FOI RELANÇADA AGORA PARA ILUSTRAR A TERRÍVEL TRAGÉDIA NOS HOSPITAIS DE MANAUS E OUTRAS CIDADES BRASILEIRAS SEM TUBOS DE OXIGÊNIO.

Tinha que haver um episódio como a tragédia dos hospitais de Manaus e outras cidades brasileiras - onde surgem denúncias de falta de tubos de oxigênio para a respiração de enfermos graves - para mostrar o quanto Jair Bolsonaro não serve para o Brasil.

Completamente despreparado, incompetente, autoritário, a única especialidade de Bolsonaro é matar, como ele havia dito em uma entrevista.

Ver que ele havia tido um favoritismo comparável ao de um Nobel da Paz na campanha presidencial de 2018 já era assustador, na época.

Tudo soava surrealismo puro, num Brasil em que surrealismo se recusa a ser ficção e procura se impor à realidade, de preferência sob o silêncio até de intelectuais renomados e jornalistas investigativos.

Coisa do Rio de Janeiro pragmático, que "presenteou" para o Brasil mais uma vitória eleitoral de Bolsonaro no surto moralista de 2014. 

Não fosse isso, Bolsonaro teria tido uma aposentadoria política forçada e nosso país teria evitado esse pesadelo. E, se Eduardo Cunha não tivesse sido eleito em 2014, Dilma Rousseff teria completado o mandato e o pior que teríamos seria um candidato neoliberal governando o país.

Claro, haveria retrocessos, mas talvez não a ponto desse massacre de hospitais que já sofriam superlotação e agora veem pacientes morrerem em série por não haver oxigênio para ajudar na respiração de seus corpos fragilizados.

Teríamos, talvez, o fim gradual da Petrobras e o cancelamento de várias conquistas trabalhistas. Mas a direita moderada causaria menos estragos porque ela prima por um verniz de civilidade.

Não seria bom, mas evitaria consequências extremas como esse massacre que acontece nos hospitais, causando traumas em tantas famílias e amigos.

E aí Jair Bolsonaro diz que não devemos ter traumas quanto à Covid-19. Diz que "fez sua parte" para combater a pandemia, com sua duvidosa cloroquina.

E aí ele lava as mãos quanto à tragédia hospitalar, mesmo diante da realidade chocante de muitos parentes e amigos que veem seus entes queridos morrendo pela falta de cuidados que iriam salvá-los de eventuais doenças.

A tão demonizada Venezuela, em contrapartida, se adiantou para doar tubos de oxigênio para os hospitais de Manaus.

E olha que, do lado dos bolsonaristas, morreram muitos vítimas da Covid-19, gente que duvidava da doença e até ridicularizou a pandemia e as medidas de prevenção social.

O general Carlos Roberto Pinto de Souza, coordenador do ENEM e a cantora de apoio do Boi Garantido Roci Mendonça estão entre os mortos.

Amanhã haverá manifestações a favor e contra Jair Bolsonaro. As manifestações contra tendem a ser mais enérgicas, diante desse cenário trágico, antes que "novas Manaus" se multipliquem dizimando cada vez mais pessoas.

E aí vemos Rodrigo Maia fazendo suas "notas de repúdio" contra Bolsonaro, mas passando pano em seu governo. Uma coisa é certa: ele deixará o comando da Câmara dos Deputados de forma vergonhosa.

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