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A FUSÃO RJ-GUANABARA E O LEGADO DA CONFUSÃO


A fusão entre os Estados do Rio de Janeiro e da Guanabara causaram estragos profundos e muito maiores do que se pensa. Os poucos benefícios e vantagens que a fusão criou ou garantiu só interessam às elites empresariais e a setores mais ricos da sociedade, que lutam, no atual Estado, para manter seus interesses privativos em detrimento aos da população.

Exemplo disso é o "pesadelo sobre rodas" dos ônibus padronizados que voltaram a infernizar a população carioca, através da decisão autoritária de Eduardo Paes, considerado favorito para o governo estadual sob a crença vã de que ele vai acabar com o extermínio de pobres da gestão Cláudio Castro (e asseguramos que não vai, é bom ficar esperto). 

A propósito, embora se diga apoiador de Lula (claro, visando as verbas federais, não existe almoço grátis), Paes, com os ônibus padronizados, empolgou busólogos que já eram bolsonaristas antes de Jair Bolsonaro ser pré-candidato à Presidência da República e que, hoje, já anunciam seu voto em Flávio Bolsonaro para o Executivo federal.

Voltando ao trágico caso de dois Estados forçadamente unificados e que vivem na zona de conforto da atual condição, num país que conseguiu desmembrar Mato Grosso e Goiás em, respectivamente, Mato Grosso do Sul e Tocantins, um caso aberrante se nota entre a população do município do Rio de Janeiro e das cidades que compõem a atual Região Metropolitana, praticamente sem autonomia e sob a sombra da ex-Cidade Maravilhosa (ausente no ranquim recente de "cidades mais felizes do mundo").

Esse caso aberrante é a população não saber dizer se a cidade da Região Metropolitana pertence ao Rio de Janeiro ou é um município à parte. No meu trabalho de telemarketing, ao perguntar a cada pessoa qual a cidade do Rio de Janeiro onde mora, essa pessoa não decide. Ou seja, tratam municípios como Magé e São Gonçalo, por exemplo, como se fossem bairros do Rio de Janeiro, o que é uma confusão preocupante.

Isso agrava a situação que já tem o caso dramático de Niterói, que nos tempos de capital era considerada o Eldorado para todo fluminense que vivia no exterior. Niterói ainda "respirou" culturalmente até cerca de 15 anos após a fusão e foi sede da Fluminense FM, rádio de rock cujo desempenho tornou-se até hoje insuperável, não havendo até hoje uma emissora que unisse a competência, a relevância e o alcance daquela que foi comandada pelo saudoso Luiz Antônio Mello.

No entanto, Niterói caiu nos últimos anos, ao aceitar ser vassala do poder político e econômico da cidade vizinha, o Rio de Janeiro, dando tons trágicos à velha piada de que "a melhor vista niteroiense é a do Rio de Janeiro". A essas alturas, não somente os urubus voavam de costas e os noticiários de rede mostravam notícias de Niterói creditadas a "Rio de Janeiro-RJ", como agora há essa confusão da população.

E Niterói tornou-se um quintal político do Rio de Janeiro de tal forma que o grupo político da terra de Arariboia tornou-se apenas um grupo subordinado ao do ex-prefeito Eduardo Paes, um bando de demagogos que falam muito bem nas entrevistas e prometem até descobrir a origem do Universo, mas nada fazem de benéfico para a população. Um grupo de meros "gerentes de parque de diversões", que compõem o coronelismo urbano e pós-moderno que assola cariocas e fluminenses.

A burrada de demolir o antigo Rio Decor da Avenida Feliciano Sodré e construir um condomínio fechado no lugar, sem sequer um mini-shopping, mostra esse descaso numa cidade como Niterói, que não cria rodovia própria ligando Rio do Ouro a Várzea das Moças, rebaixando a RJ-106 a uma "avenida de bairro", atrapalhando o trânsito de quem se desloca de longe da Região dos Lagos.

O município do Rio de Janeiro agora quer se impor como "cidade-Estado" de sua própria região metropolitana? As cidades perderam autonomia? Já não basta o crescimento do poder dos milicianos em toda a região metropolitana?

Daí a falência do Estado do Rio de Janeiro atual, da qual deveria haver um desmembramento para a condição anterior, pois o município do Rio de Janeiro deveria ser um Estado à parte, que administraria sozinho seus problemas, por ser uma cidade complexa, enquanto o restante do território fluminense poderia muito bem se desenvolver fora das sombras sombrias da ex-Cidade Maravilhosa.

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