Nos últimos dias, Lula está preocupado com seu desgaste político, marcado pela aparente ascensão de Flávio Bolsonaro nas supostas pesquisas de opinião. Perdido, Lula tenta correr contra o tempo lançando medidas e discutindo meios de reforçar a propaganda de seu governo.
Lula, em entrevista há poucos dias com a mídia solidária - Brasil 247, Diário do Centro do Mundo e Fórum - , afirmou, exaltando o terceiro mandato, que o quarto será "melhor que o terceiro" e que o Brasil dará "um salto estrutural" no próximo mandato, com a "transformação do país em uma nação desenvolvida, apoiada em crescimento econômico, inclusão social e fortalecimento institucional". É sonhar demais para um país que social e culturalmente está bastante deteriorado.
O terceiro mandato de Lula tornou-se o mais medíocre dos três. Ambicioso, mas pouco produtivo. Com muita grandiloquência e poucas e mornas realizações. Muita festa e pouca reconstrução. Colheita sem plantação. Muito falatório e pouca ação. E os simulacros de sempre: relatorismos, pesquisismos, opiniões, promessas e propostas, vendidos como se fossem “realizações”.
Lula não se comportou como deveria se comportar um grande líder durante a reconstrução do Brasil. O petista preferiu festejar a sua vitória, colocou a comemoração antes do serviço e ele ao menos deveria ter tido uma frieza cirúrgica e um apuro mais técnico no trato com os problemas do país. E, antes de gráficos, números e palavras, a reconstrução deveria ter mostrado resultados concretos.
O povo pobre é o primeiro a sentir as ações e realizações de um governo. Não há a tal “desinformação” que o governo acusa acontecer. Se falta comida nas casas dos pobres, não será a “comunicação” do governo Lula que vai desmentir essa realidade.
Além disso, a propaganda do Governo Federal é vista com indiferença. É o comercial que o pessoal deixa passar para garantir o acesso gratuito a certas páginas da Internet. Na TV, a propaganda ocorre quando os telespectadores fazem outra coisa ou vão ao banheiro ou à cozinha. Não desperta curiosidade.
Lula não distinguiu reconstrução com festa. Ele foi celebrar a retomada de seus direitos políticos e se esqueceu das responsabilidades com o Brasil. A queda de popularidade e o desgaste pessoal foram os preços caros que pagou por priorizar, no primeiro ano, as viagens ao exterior, e, no segundo, os discursos cheios de gafes.
Seria preferível que Lula fosse lacônico e tivesse agido para reconstruir o país, acompanhando de perto o povo brasileiro mais necessitado. Em vez disso, preferiu um governo do faz-de-conta, excursionando no exterior enquanto relatorismos surgem do nada mostrando um balé de números e palavras fantásticos que, em tese, anunciavam as "milagrosas realizações" do governo Lula.
Dentro da bolha lulista, cria-se um consenso a partir dos factoides do governo, cujas "gigantescas realizações", se ocorreram, foram poucas, amenas ou medíocres e dentro do protocolo de ações de qualquer governo da direita moderada.
O povo seria o primeiro a sentir, não custa repetir essa realidade, se houve alguma realização de um governo presidencial. Uma ação governamental tem alcance direto com o povo, seja ele positivo ou negativo. Se o governo Lula precisa ampliar o "alcance" de suas "realizações", é que essas ações simplesmente ou não ocorreram ou foram inexpressivas.
Soa, portanto, patético ver os lulistas querendo divulgar para a população o que só eles acreditam. A economia até melhorou, dentro dos limites de um neoliberalismo assistencialista, mas nada que fosse revolucionário ou transformador. Apenas os preços estão sob controle, mas sofrendo reajustes que os pobres da vida real não conseguem acompanhar com seus precários salários e seus auxílios financeiros.
Por isso o governo Lula se desgasta. Lula queria festejar e comemorar, enquanto lançava a ficção dos relatorismos que fazem o povo desconfiar dessa "colheita sem plantação". E influenciadas por seitas neopentecostais e pela mídia venal, às quais os pobres têm acesso mais fácil para, respectivamente, obter auxílio e receber informações, as classes populares não conseguem confiar no governo Lula, que em seu terceiro mandato foi mais espetáculo do que trabalho, mais marketing do que realidade. Daí o desgaste que os lulistas não conseguem entender.
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