Pouco importa se os especialistas querem mostrar que funções como Analista de Redes Sociais e cargos similares são mais complexas do que se imagina. A contratação de humoristas e influenciadores nas funções, na esperança de atrair visibilidade para pequenas empresas que atuam como consultorias e oficinas de ideias, acaba degradando o trabalho.
Recebendo chacotas da sociedade, como se vê, justamente, nas redes sociais, as empresas tiveram que mudar o nome para Analista de Marketing Digital e replanejar a função para algo próximo de um cargo técnico.
Oficinas de ideias chegaram a mudar de nome. Os comediantes e influenciadores ainda estão lá, tomando vaga de quem mais precisa. E as empresas se contentam em ser consultorias de segunda categoria, preferindo a visibilidade do que o talento.
Que trabalho de “analista” é esse? Na prática, a empresa-cliente que usa o serviço de consultoria e propaganda já é analisada pela gerência, que dá ao contratado a missão de apenas ter noção do desempenho do cliente nas redes sociais e bolar uma campanha em cima.
Humoristas e influenciadores, em grande parte, lidam com humor. Sua missão é tão somente divertir. Não possuem, salvo raras exceções, o apuro investigativo dos jornalistas e nem a habilidade técnica dos especialistas. Daí que, num cargo como Analista de Redes Sociais, essas pessoas quase sempre fazem o que é previamente designado, sem acrescentar algo vigoroso em termos profissionais.
Os mais atrevidos, então, vão se esbanjar de vaidade, mesmo quando, nesses cargos, só ganham cerca de R$ 3 mil. Por fora, ganham mais do que isso. Mesmo quando monetizam nas plataformas digitais, eles já ganham uma grande bolada. E aí vemos esse pessoal trabalhando menos e conversando mais, confortáveis no seu prestígio e sob o consentimento dos patrões, cientes de que contrataram “estrelas” e não trabalhadores.
E esses astros ainda se dão ao luxo de poderem papear com os colegas, sobretudo sobre futebol, que não raro toma mais tempo do que fazer uma campanha de uma empresa para as redes sociais. Não se cobra deles um apuro técnico, embora haja a obrigação de fazer uma campanha dentro das normas publicitárias eficientes.
Com o desgaste do termo Analista de Redes Sociais, agora temos a reestruturada função de Analista de Marketing Digital. Será que as empresas vão novamente transformar um cargo profissional numa piada, colocando o prestígio acima do talento?
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