TORCEDORES BRASILEIROS DANÇAM A "MELÔ DO CRÉU" EM NOVA YORK.
Em Nova York, pessoas celebraram a chegada da Copa do Mundo tocando a “melô do Créu”, do funqueiro MC Créu, um dos símbolos da idiotização musical brasileira. A supremacia da música brega-popularesca atinge níveis de quase monopólio, ganhando uma reputação falsamente cult no Brasil.
Isso representa uma catástrofe cultural muito grande e isso é preocupante, se compararmos com a situação do exterior, quando a geração nascida a partir dos anos 1990 começa a apreciar artistas antigos considerados bastante relevantes e até seminais.
Nomes como Fleetwood Mac e o falecido David Bowie estão entre os nomes mais apreciados. Os Rolling Stones e os dois remanescentes dos Beatles, Paul McCartney e Ringo Starr, lançam novos trabalhos não só bastante inspirados mas também bem recebidos por um público jovem lá fora.
No Brasil, ocorre o oposto. Temos o modismo do brega-vintage, uma falsa nostalgia que tentava mostrar ares pseudocult através de nomes como Michael Sullivan, É O Tchan, Bell Marques, Gretchen, Odair José e Chitãozinho & Xororó, estes com "Evidências".
Tudo isso representou um pretenso saudosismo fabricado pelo poder da mídia venal e seu potencial marqueteiro bastante escancarado. Um saudosismo que tenta realimentar o sucesso até mesmo de um genérico do É O Tchan, a Gang do Samba, através da reconstituição de uma antiga edição da Playboy com a então dançarina Rosiane Pinheiro.
Em 2004, quatro anos após ter sido lançado o filme Alta Fidelidade (High Fidelity), a imprensa brasileira, tomando como gancho a campanha do "combate ao preconceito", usou a temática do filme de valorização da música para empurrar fenômenos da música brega-popularesca, dos antigos ídolos cafonas aos nomes da axé-music. Ou seja, aquela coisa de levar gato por lebre, confundindo valorização musical com a aceitação da mediocridade musical brasileira.
É uma grande aberração o contraste vergonhoso entre adolescentes estadunidenses e britânicos que ouvem música de qualidade, incluindo nomes veteranos e até falecidos, e pessoas no Brasil que, com mais de 30 anos de idade, ouvem Balão Mágico, Xuxa e Menudo como se fossem o suprassumo da canção de protesto. A idiotização cultural no Brasil chegou a esses níveis surreais.
O terrível narcisismo da classe média abastada no Brasil ainda esbanja um preocupante complexo de superioridade, que chegou a esnobar a retomada, nos EUA, do sucesso "Pretty Little Baby" (1962) de Connie Francis, que faleceu após saber da derradeira homenagem a ela nas redes sociais de lá. A chacota brasileira se baseou na paródia da introdução da música, em ritmo de "funk", dizendo "Pirulito Baby, ah-ah!". Falamos a respeito disso em postagem já publicada.
Isso quer dizer que, para o público brasileiro, a mediocridade da música popularesca é "superior" a qualquer coisa decente que se produza na música, seja a internacional, seja a canção brasileira do passado. Hoje em dia, Tom Jobim, João Gilberto, Cazuza e Renato Russo viraram alvo de ofensas e gozações por um público que mal consegue esconder sua inveja, atribuindo "superioridade artística" às porcarias popularescas que ouve.
Enquanto isso, o "novo normal" é sempre ter um breguinha de estimação, mesmo quando se fala de canções mais antigas. No cotidiano, as pessoas nas conversas falam sempre em algum nome popularesco que ouve ou que quer ouvir durante uma festa, e há muitos exageros por conta da pretensa sofisticação atribuída a nomes medíocres, mas musicalmente "arrumadinhos", como Péricles e João Gomes.
A idiotização cultural brasileira, que tem como carro-chefe o "funk", apesar de envolver TODA a música popularesca de todos os cantos do Brasil, mostra o quanto o nosso país está longe de realizar o sonho de fazer parte do Primeiro Mundo, uma obsessão que hoje atinge a elite do bom atraso.
Isso traz profunda apreensão, pois nosso país não tem as condições socioculturais para se tornar desenvolvido, mesmo admitindo critérios problemáticos. Melhor, portanto, o Brasil descer do pedestal e arrumar a casa, antes de querer bancar o "dono do mundo".
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