O Brasil vive uma infância interminável, de país com apenas 526 aninhos de idade. Praticamente um parque de diversões da humanidade, o Brasil tem uma elite abastada que, salvo exceções, carece de lucidez, coerência e, sobretudo, de humildade. É uma elite que vive se achando e que esbanja pedantismo e pretensiosismo em níveis altamente preocupantes.
Simples obsessões como a vitória da Seleção brasileira de Futebol e a reeleição de Lula mostram o quanto uma numerosa, mas ainda pequena, classe de privilegiados, com dinheiro para encarar uma maratona de shows estrangeiros realizados no Brasil, cujos ingressos custam muito caro, quer dominar o mundo.
As alegações parecem nobres para defender tamanho domínio. A principal delas é de um caráter pedante escancarado, a de que o Brasil é, supostamente, a “nação síntese do mundo”. A desculpa é muito conhecida, com base no pretexto de que vários povos de outras nações de algum modo colonizaram o Brasil.
Só que isso não garante a superioridade social do Brasil sobre o resto do mundo e o atraso cultural que assola nosso país foi muito grande. A última oportunidade de construirmos para valer um projeto de país em vários aspectos foi entre 1958 e 1963. A ditadura causou um traumatismo sociocultural do qual ainda não se recuperou de maneira plena.
Daí o aspecto grave de que a bregalização cultural tornou-se não só hegemônica como também quase monopolista. Subcelebridades e falsos artistas se multiplicam criando um perigoso referencial de realização pessoal para as futuras gerações.
Vivemos uma sociedade cada vez mais anestesiada, aceitando sucessivos retrocessos que, quando duram por mais tempo, são naturalizados, o que diz muito desse vício dos brasileiros em querer se acostumar com prejuízos.
Se muitos desses retrocessos são alvo de nostalgia, isso se torna catastrófico. Ver modos de vida se adaptando a pioras no âmbito da música, do transporte público, da mídia, da alimentação etc, isso faz do Brasil um país cujo atraso não somente é evidente como atinge níveis dramáticos.
O nosso país ainda não resolveu os entulhos culturais da Era Geisel. Não há como pensar num país novo, desenvolvido e líder mundial se ainda se apegar a esses entulhos, ligados ao obscurantismo religioso, à bregalização cultural e ao fanatismo esportivo. Nosso país está sendo desafiado a sair da infância, não para a postura madura de mandar mo mundo, mas na hora de teconhecer impasses e problemas.
O Brasil continua um país desigual e precário. A expressiva quantidade de bolsonaristas com sua visão terraplanista da realidade já indica um quadro de profundo atraso, com pessoas adultas e até grisalhas escrevendo besteiras nas redes sociais.
Com tantas “crianças” birrentas, tanto entre os lulistas quanto entre os bolsonaristas, é difícil o Brasil virar um país desenvolvido. A obsessão infantil pelo Primeiro Mundo está fora da realidade, perdida na eterna briguinha entre o sonho e o pesadelo. Com esta briguinha da polarização, o Brasil dificilmente despertará.
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