Quando se fala em colheita, devemos considerar que houve uma plantação, e, antes, que houve um cultivo. Não existe colheita que surgiu no estalar de dedos nem de um passe de mágica. Algum trabalho teve que ser feito, e mesmo quando se compra produtos agrícolas nos supermercados, fica latente que eles não vieram do zero para chegar até a mesa do consumidor.
O que fez decepcionar no terceiro mandato de Lula foi que faltou o clima realista da frieza cirúrgica e da vontade de ficar dentro do país para acompanhar de perto a recuperação do país arrasado por Temer e Bolsonaro. Lula preferiu a festa, a comemoração de sua volta ao poder e a busca alucinante pela consagração mundial.
Tínhamos que desconfiar das “grandes realizações” de Lula porque elas foram anunciadas como se elas tivessem aparecido da noite para o dia, num piscar de olhos. Os “recordes históricos” que surgiram sem qualquer trabalho prévio e dos quais que tivemos que aceitar por causa das carteiradas do governo Lula e suas instituições que publicaram esses resultados fáceis demais, fantásticos demais e imediatos demais para um processo de reconstrução.
Lula não criou uma política séria de geração de empregos. Ele lançou apenas a notícia de “crescimento recorde” que, depois, se revelou uma farsa. A maioria dos empregos era de trabalho precário e baixos salários. E Lula deixou claro de que os problemas trabalhistas serviriam para serem "debatidos" por empresários e trabalhadores.
Se houve alguma sinalização de que o governo Lula fez ou planejava fazer em relação a políticas de geração de emprego, não houve, todavia, algum projeto que pudesse ser considerado consistente e que gerasse impacto. O subemprego continuou rolando, mesmo quando Lula pretendia regularizar o caso dos trabalhadores de aplicativos, e tudo que o presidente fez não foi além do âmbito do tendencioso.
Milhares de trabalhadores ficaram sem descansar nos sábados durante o governo Lula. Quem trabalhava 100% comissionado tinha que viver de favores quando fracassavam nas vendas. Também não se viu melhorar as vagas para funções mais qualitativas e ver um bom trabalhador assumir uma função ou cargo de acordo com sua vocação e vontade passou a ser visto como um luxo.
Enquanto isso, funções como Jornalismo se transformam numa panela de profissionais amigados com os barões da mídia e num celeiro de redatores e repórteres com a vivência superficial de youtubers. Aliás, os influenciadores digitais e comediantes de estandape, que já prejudicaram no mercado literário aqueles que queriam lançar trabalhos consistentes, também roubaram as vagas de trabalho de quem precisa, transformando cargos como Analista de Redes Sociais numa palhaçada.
Sem medir prioridades, Lula paga o preço das viagens ao exterior, no começo do terceiro mandato. O ano de 2023 poderia ter sido um hiato de política externa e marcado pela ênfase na reconstrução do Brasil, com Lula acompanhando diretamente esses trabalhos. Suas primeiras medidas deveriam ser organizar políticas que melhorassem a Educação, a Saúde, o Emprego e a Moradia, entre outras necessidades populares, com ações concretas e não com a ficção de relatórios fabulosos.
E tudo que Lula só fez a partir do fim do ano passado poderia ter sido feito em 2023 e 2024, o que motivaria e traria mérito na reeleição. Agora Lula só será reeleito se a burguesia, e não o povo, se sentir ameaçada pela volta do bolsonarismo.
Comentários
Postar um comentário