
O jornal britânico Financial Times, em exagerado tom de euforia, disse em matéria recente que o fim da escala 6x1 no trabalho “colocaria o Brasil como próximo dos países desenvolvidos” e “reaproxima o presidente Lula das classes trabalhadoras”. O otimismo antecipou outra euforia, a do encontro de Lula com o presidente dos EUA Donald Trump, para tratar de assuntos como a exploração de terras raras e minerais críticos.
Para quem não sabe, terras raras são metais que integram um grupo relativamente abundante de 17 elementos químicos essenciais para a tecnologia moderna, sendo 15 lantanídeos, escândio e ítrio , usados para ímãs de alta potência em carros elétricos, turbinas eólicas, smartphones e equipamentos de defesa. Já os minerais críticos são aqueles essenciais para o desenvolvimento econômico e para a tecnologia e defesa de um país.
Lula tornou-se o “herói” num contexto da espetacularização da política internacional, enquanto, dentro do Brasil, tornou-se um governante medíocre que não luta contra o aumento de preços e aumenta impostos para alcançar o tal “déficit zero”.
Os brasileiros comuns ficam desconfiados com essa encenação do presidente Lula, que parece gigante por fora, mas é pequeno por dentro. E muitos comemoram a luta tardia do petista contra a escala 6x1 no trabalho, se esquecendo do caráter tendencioso da medida, crucial para arrancar votos de Lula na campanha deste ano.
Lula começou o terceiro mandato desprezando a luta contra esse padrão de jornada de trabalho. Ele “lavou as mãos” para o tema. Chegou a entregar o assunto para a “livre discussão entre empresários e trabalhadores”. Ou seja, o debate da raposa com a galinha. Lula deveria ter criado um decreto cancelando a medida já em janeiro de 2023.
Milhares de trabalhadores foram trabalhar aos sábados sob o governo de Lula. Quatro anos são muita coisa. Este texto está sendo escrito num dia de serviço em um sábado, eu tenho expediente no telemarketing. E Lula, só no final da “partida”, e mesmo assim sob vaias da população brasileira, resolveu, aos 45 minutos do segundo tempo, vestir a “camisa” do fim da escala 6x1 no trabalho.
A causa do fim da escala 6x1 é bem vinda, mas Lula pegou o tema pelo piloto automático, sem perceber que existem outros problemas, como o trabalho 100% comissionado, cuja remuneração é tão incerta quanto a loteria. Quando vende, o empregado deste esquema ganha muito, mas quando não vende, avaba trabalhando de graça.
Hoje Lula se vende como o maior combatente pelo fim da escala 6x1. Mentira. Ele foi apenas um defensor tendencioso que, antes, passou o pano na medida lançada por Michel Temer, dentro daquela atitude medrosa do petista em “rever” e não revogar o pacote de maldades da “reforma trabalhista”.
A defesa tardia não melhora a reputação de Lula nem devolve os méritos do antigo líder popular. Antes fosse um apelo desesperado em recuperar a popularidade perdida. E a proximidade das eleições só piora as coisas, pois a defesa tardia só traz um sabor eleitoreiro de demagogia, o que pode prejudicar ainda mais o petista.
O povo não aguenta esperar. E mesmo que a escala 6x1 no trabalho seja revogada e proibida, mesmo assim Lula está com a imagem arranhada, como se nota nas ruas e nas redes sociais. Quem mandou deixar as coisas mais urgentes para a última hora?
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