Setores das esquerdas, entre 2005 e 2016, acolheram valores culturais da direita que eram difundidos desde a Era Geisel. A desculpa era que esses valores, em tese, fariam o povo pobre sorrir ou eram associadas a coisas que parecem positivas. Isso foi facilitado porque grande parte das esquerdas dos últimos 25 anos nasceu depois de 1960 e era muito nova para entender as sutilezas dos anos de chumbo. Daí que essa geração, que viu televisão ao longo dos anos 1970, imaginou que o culturalismo viralata da bregalização, do obscurantismo religioso “filantrópico” e da espetacularização do futebol fossem “valores naturais” do povo brasileiro. Na época, essas pessoas eram crianças ou adolescentes. Palavras “mágicas” como “paz”, “interatividade”, “mobilidade urbana”, “democracia” e “periferia” serviam de isca para as esquerdas acolherem esses valores da direita moderada, que chamo de “brinquedos culturais” pela forma ingênua com que são recebidos pelas esquerdas médias. Nunca nos esqueçamos que o...