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GOIANENSES JULGAM O 23 DE MARÇO UMA DATA AUTORITÁRIA. E A FUSÃO DO RJ COM A GUANABARA, TAMBÉM NÃO ERA?

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O NEGACIONISTA FACTUAL E O “FUNK”

“Xiiii… Lá vem aquele chato”. Esse bordão é o alerta alarmista do negacionista factual que, “escondido” nos fóruns e espaços de comentários nas redes sociais, patrulha o tempo todo contra a expressão do senso crítico, quando este quebra a “normalidade” cognitiva e valorativa do público médio. O negacionista factual é filho do desbunde com o AI-5. Jura ser o defensor da liberdade mas atua como um censor, desqualificando o pensamento crítico quando ele sai do repertório de valores aceitos pela sociedade dominante. Lembremos que o negacionista factual é um operador da cultura do cancelamento, esse resíduo da antiga censura ditatorial que não necessariamente apela para a repressão, mas dificulta a repercussão de narrativas que fogem da visão dominante. O negacionista factual, agora “mais democrático”, num contexto em que o clube midiático abriu a corda e hoje inclui tanto a dupla O Antagonista/ Crusoé quanto Carta Capital, Fórum e Diário do Centro do Mundo no banquete comandado pela Globo ...

ASSALTO NA OSCAR FREIRE É UM RECADO PARA “ANIMAIS CONSUMISTAS”

No último dia 14, um assalto seguido de tiroteio ocorreu numa padaria no entorno da Rua Oscar Freire, no bairro de Cerqueira César, na Zona Sul de São Paulo, próxima à Avenida Paulista. A padaria é a Lé Blé Petit, situado na rua próxima, a Rua Padre João Manuel. O que assusta é que o incidente ocorreu numa tarde bem movimentada, no horário pouco antes de 16 horas. Houve correria no local. Três ladrões fugiram, embora um deles tenha sido baleado e outro, atropelado. Alguns bens roubados foram recuperados. O fato nos põe a pensar fora do velho moralismo elitista costumeiro. Afinal, a sociedade burguesa, e falamos da burguesia enrustida, a burguesia de chinelos Havaianas, invisível a olho nu, comete seus abusos. Ganha dinheiro demais, embora finja ser pobre, e já está batendo o ponto na defesa da reeleição de Lula, até porque este virou um político pelego. Essa elite bronzeada quer demais para si. Acha que, só por ter liberdade para consumir e se divertir, pode abusar da dose. Já transfor...

A ILUSÃO DOS ESCRITÓRIOS COMO “OFICINAS DE VERDADES”

Um dos fatores que derrubaram o jornalismo foi a privatização da opinião pública. O bonapartismo radiofônico de FM através do opinionismo acabou se tornando o ovo da serpente ao abrir caminho para opinadores irresponsáveis que disseminar fake news. A hierarquização da opinião pública criou diretrizes que favoreceram o pensamento reacionário que influiu no golpe de 2016. O carnaval dos maus formadores de opinião incluiu muita gente que jogou pólvora para a crise de 2015-2016. Tivemos a festiva intelectualidade “bacana” que, sob a desculpa do “combate ao preconceito”, fez expandir a níveis estratosféricos, invadindo a imprensa de esquerda para atrapalhar os debates sobre cultura popular, evitando o desenvolvimento de um novo CPC da UNE. Tivemos também uma diversidade de reaças que pediram a queda de Dilma Rousseff e a mídia hidrófoba que conduziu para a defesa do golpe de 2016. E aí o opinionismo da nossa imprensa hierarquizou a opinião pública depois que o agenda setting das notícias qu...

O SENTIDO EXTREMAMENTE GRAVE DE UMA ACUSAÇÃO CONTRA QUEM REJEITA O “FUNK”

O "FUNK" NÃO FICARIA MELHOR SE SEUS RESPONSÁVEIS E SEU PÚBLICO FOSSEM DE ETNIAS GERMÂNICA E HOLANDESA. Os casos de Thiagsson e Fernanda Abreu revelam o desespero e a paranoia de quem apoia o “funk” e não consegue convencer através de argumentos equilibrados. Forçando a barra, os apoiadores do “funk” agora deram para acusar de “racistas” quem rejeita o ritmo. Isso é tão leviano quanto um vizinho denunciar à polícia um cidadão que levou dois dias para devolver uma furadeira usada para a reforma da casa. Acusar os críticos do “funk” de racistas é de uma gravidade extrema. Afinal, trata-se de um juízo de valor leviano, baseado no etnocentrismo daqueles que defendem o “funk” é que já possuem um padrão pré-determinado de pobreza, uma pobreza ao mesmo tempo “pobre” e “higiênica” dentro de um padrão de “periferia” que envolve favelas, bares decadentes e velhos, ruas sem asfalto, uma miséria tornada espetáculo em todo o imaginário do brega e do “popular demais” em várias de suas verte...

A PARANOIA DOS APOIADORES DO "FUNK" BEIRA AO REACIONARISMO

A visão etnocêntrica dos apoiadores do "funk" tenta apelar, pegando pesado no marketing  vitimista no desespero de criar argumentos bombásticos, forçando a comoção pública. E isso vem de uma classe média que jura que é "especializada em pobre". Em entrevista ao jornalista Augusto Diniz, da Carta Capital , a cantora Fernanda Abreu manifestou esse sentimento desesperado de empurrar o "funk" para mercados "mais exigentes" e promover o ritmo brega-popularesco como algo mais do que um simples pop comercial suburbano. Fernanda, em primeiro lugar, cometeu um grande equívoco ao afirmar que o "funk" se ascendeu sem ser "criado por publicitário, gravadora ou empresário". Os DJs Marlboro e Rômulo Costa são empresários, a Som Livre e, em parte, a PolyGram (atual Universal), investiram pesado no gênero. Isso sem falar do empresariado do entretenimento, das empresas multinacionais e de outras grandes corporações que, em primeira hora, apoia...

O BRASIL CONTINUA CULTURALMENTE DEGRADADO

WAGNER MOURA EM CENA DE O AGENTE SECRETO , FILME DE KLEBER MENDONÇA FILHO. A premiação dada ao filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho como Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Ator para Wagner Moura, no Globo de Ouro (Golden Globe Awards, em inglês) pode ser animador para nosso cinema e incentiva reflexões a respeito de políticas culturais para o nosso país. Mas isso não significa que o Brasil esteja em um excelente cenário cultural. Nosso cenário cultural está péssimo, deteriorado. O que preocupa é que casos pontuais como os de O Agente Secreto e outro filme, Eu Ainda Estou Aqui, de Walter Salles Jr., não dão o diagnóstico total de nossa cultura, já que temos uma cultura de qualidade, sim, mas ela dificilmente rompe as bolhas sociais de seu público específico. Os dois filmes são mais exceção do que regra. Mas exceção é uma van que todos querem que tenha a superlotação de um trem bala de trinta metros de comprimento. Todos querem soar como exceção a si mesmos. E aí, no caso d...

"FUNK" FOI PROMOVIDO A "GRANDE COISA" DEVIDO AO ETNOCENTRISMO DA BURGUESIA

A preocupante glorificação do "funk", agora retomada por uma exposição sobre o gênero no Museu da Língua Portuguesa, mascara a realidade de um gênero que é meramente comercial, sem objetivos artísticos nem culturais, mas que insiste em narrativas falsamente libertárias que não possuem sentido lógico algum. A exposição tem o nome pretensioso e oportunista de "Funk - Um grito de ousadia e liberdade", e serve apenas para mostrar o quanto a intelectualidade "bacana", espécie de think tank  da burguesia ilustrada, investiu em muito etnocentrismo para glorificar esse gênero da música brega-popularesca. O "funk" era somente um pop dançante comercial, feito para puro entretenimento. É marcado pela relação hierárquica entre o DJ, o "cérebro", e seu porta-voz, o MC. Sua principal caraterística é o rigor estético não-assumido e nivelado por baixo. No "funk", não há arranjadores nem compositores no sentido criativo do termo. Uma batida pa...

SUPREMACIA DA MÚSICA POPULARESCA, UMA CATÁSTROFE CULTURAL

Uma moça cantando “Ela Só Pensa em Beijar”, do MC Naldo (que no começo da carreira de lançou como hype se apresentando para famosos em vários eventos). Jovens histéricos tomando cerveja em bares e restaurantes cantando sucessos de Bruno e Marrone e de Calcinha Preta (grupo especializado a massacrar músicas estrangeiras em versões pavorosas, sem poupar “Dust in The Wind” do Kansas e The Unforgettable Fire” do U2).  E ainda tem evento de exposição tratando o “funk” como um “movimento libertário”, ocorrendo no Museu da Língua Portuguesa, investindo na mentira do gênero como "a canção de protesto brasileira", uma estória muito bem montada pelos empresários-DJs de "funk" junto às elites intelectuais burguesas, um discurso que, no entanto, não tem a menor conexão com a realidade desse ritmo meramente comercial e que gourmetiza a miséria humana e aprisiona o povo nas favelas. Trata-se de uma catástrofe cultural em que a mediocridade artística, supostamente atribuída às cla...

MÚSICA BREGA-POPULARESCA CRESCEU DEMAIS E SUFOCA RENOVAÇÃO NA MPB

"EMEPEBIZAR" O SOM BREGA-POPULARESCO, COMO NO CASO RECENTE DO ÍDOLO DO PISEIRO, JOÃO GOMES, SOA FORÇADO E CANASTRÃO E NÃO RESOLVE A CRISE QUE VIVE A MÚSICA BRASILEIRA DE HOJE. Uma demonstração de que vivemos numa situação de devastação cultural é o crescimento das várias tendências da música popularesca, numa linhagem que começou com os primeiros ídolos cafonas e hoje se desdobrou em fenômenos como o piseiro, a sofrência, o trap e o arrocha. Depois que vieram críticos musicais alertando sobre a gravidade da supremacia popularesca nos anos 1990 - com Ruy Castro e os finados Arnaldo Jabor e Mauro Dias mostrando sua contundente e nem sempre agradável lucidez - , houve uma reação articulada pelo tucanato cultural, envolvendo setores da USP ligados ao PSDB, as Organizações Globo e a Folha de São Paulo e, é claro, o empresariado da Faria Lima. Eles montaram uma narrativa que toma emprestado jargões da militância terceiro-mundista, usados de maneira leviana e tendenciosa pela intele...