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A HIPOCRISIA DA BURGUESIA ILUSTRADA QUANTO AOS EMPREGOS PRECÁRIOS

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INJUSTIÇAS E ABUSOS NUMA SALA DE INFORMÁTICA NUMA FACULDADE

Década de 1990. Um estudante de graduação em Jornalismo, cursando Bacharelado, não tem computador em casa, mas tem um projeto de um zine, ou seja, uma revista independente na qual quer divulgar assuntos culturais que mesmo a mídia independente não tem interesse em publicar. Desejando usar um computador, ele vai para a sala de uma Faculdade de Comunicação. Conversa com um monitor que controla a sala e o uso dos computadores. O estudante diz que quer fazer um zine e quer escrever textos no computador. O monitor dá a resposta negativa. - Me desculpe, mas essa sala só é reservada para trabalhos acadêmicos, principalmente para estudantes de pós-graduação. Sinto muito. O estudante se retira, desolado e muito triste, proibido de exercer seu treinamento de produzir textos informativos. Enquanto isso, um dos alunos de Mestrado, com bom prestígio entre colegas e até professores, utiliza um computador para produzir uma tese acadêmica. Na maior parte do tempo, porém, o mestrando realiza atividades...

COPA DO MUNDO E A PAIXÃO TÓXICA PELO FUTEBOL NO BRASIL

O bordão, de valor bastante duvidoso, que atribui o futebol como “única alegria do povo brasileiro”, tem um quê de ressentimento, de baixa autoestima disfarçada de orgulho e de altivez. E diz muito dessas emoções confusas, meio presunçosas, meio dotadas de falsa modéstia, que contamina a mente do brasileiro médio, perdido entre ser maioral e ser coitado. Diante da proximidade da Copa do Mundo, o fanatismo pelo futebol, que costuma ser regionalizado, se torna nacional. E aí vemos surgirem “torcedores de ocasião” a “vestir a camisa de CBF”, não mais por histeria bolsonarista, mas por outra histeria, a futebolística. No Rio de Janeiro, o futebol vira até pauta para assédio moral. E não é pela possibilidade de um patrão torcer pelo time diferente do seu empregado, pois aí eles acham até saudável fingir briguinha por causa do time de cada um. O drama cai contra quem não curte futebol, que acaba sendo vítima de desdém e até do risco de perder o emprego. Mas no resto do Brasil, se esse risco ...

LULA DEIXA A MÁSCARA CAIR SOBRE OS "RECORDES HISTÓRICOS" DO EMPREGO

A NARRATIVA DO GOVERNO LULA SEGUE HOJE RIGOROSAMENTE O MESMO DISCURSO DE "CRESCIMENTO DE EMPREGO" QUE O GOVERNO MICHEL TEMER LANÇOU HÁ CERCA DE DEZ ANOS. Uma notícia divulgada pelo portal Brasil 247 acabou soando como um "fogo amigo" no governo Lula. A notícia de que a maior parte do crescimento do emprego, definido como "recorde histórico" e classificado como "Efeito Lula", se deve a empregos com um ou dois salários mínimos. O resultado, segundo o levantamento, ocorre desde 2023, primeiro ano do terceiro mandato do petista, candidato à reeleição. Só 295 mil trabalhadores foram contratados, no período, recebendo apenas um salário mínimo. A notícia foi comemorada pela mídia esquerdista, mas traz um aspecto bastante sombrio. O de que a maioria das contratações, mesmo sob a estrutura de trabalho formal sob as normas da CLT, corresponde ao trabalho precário, em funções como operador de telemarketing  e trabalhadores de aplicativos, funções conhecida...

A NECESSIDADE DE HAVER NÃO UMA TERCEIRA VIA, MAS VÁRIAS TERCEIRAS VIAS

O Brasil corre o risco de se tornar refém da polarização, com a eterna luta entre lulistas e bolsonaristas, cada um se achando vitorioso nessa batalha sem fim. Essa dualidade prejudica a verdadeira democracia com a disputa pelo monopólio político de qualquer uma dessas forças. A candidatura do ruralista Ronaldo Caiado como terceira opção na disputa presidencial não é suficiente para quebrar a polarização política, até porque o político do PSD, mesmo partido do falso esquerdista carioca Eduardo Paes, aspirante ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, representa as forças retrógradas do latifúndio e do agronegócio. Caiado também é tratado pelos lulistas como um “satélite” do bolsonarismo e já garantiu que vai realizar uma “anistia ampla, geral e irrestrita aos revoltosos de Oito de Janeiro e aos envolvidos na trama golpista de 2022, neste caso incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro, hoje em prisão domiciliar. Além disso, num eventual segundo turno entre Lula e o primogênito de Jair, Flá...

O MORALISMO FAMILIAR E AS IMPOSIÇÕES DO PATRONATO

VÁRIOS PAIS DE FAMÍLIA POUCO IMPORTAM COM O CANCELAMENTO DOS CURRÍCULOS, MAS EMPRESAS PODEM ESTAR JOGANDO FORA A OPORTUNIDADE DE TER UM EXCELENTE PROFISSIONAL, PRINCIPALMENTE PARA AS HORAS DIFÍCEIS. A triste realidade de que o mercado de trabalho não está aceitando mais currículos é algo para pensar, principalmente com o moralismo de pais de família que passam pano e até apoiam as imposições de empresários e patrões que só traz dificuldades para quem procura emprego. Ter um trabalho de acordo com a vocação, por exemplo, é luxo. O moralismo familiar diz que é frescura. Há um desprezo pela missão social do trabalho e ainda resiste uma visão corrente, durante a ditadura militar, de que a necessidade é puramente de ganhar dinheiro. E aí os pais acham “ótimo” que as empresas tenham cancelado o recebimento de currículos, que a “novidade” é que os recrutadores “não têm tempo” para verificar os currículos e a manobra é o candidato conversar com o funcionário de uma empresa para procurar um ger...

A DEMOCRACIA DE UM HOMEM SÓ E DO CANDIDATO ÚNICO

Em sua coluna no Brasil 247, seu criador Leonardo Attuch afirmou que “ao se propor a resolver os problemas de Trump, Flávio Bolsonaro obriga todos os brasileiros patriotas a votar em Lula”. Foi uma postura tendenciosa e em desacordo com o verdadeiro jornalismo que o portal prometeu resgatar. Trata-se de uma imposição de voto que, mesmo contando com a bem intencionada oposição ao bolsonarismo, agora representado pelo primogênito de Jair, Flávio, já determina um voto e transforma uma “escolha fácil”, expressão citada por Attuch, numa não escolha, já que estabelece um voto prévio, portanto sem chance de escolha. Já avisamos que Lula não é especial a ponto de se impor como o candidato único da democracia. Na disputa eleitoral, ele é mais um entre tantos. Não devia ter recebido homemagens de escola de samba. Não pode ter vantagem alguma por antecipação. A reeleição de Lula não pode ser uma certeza, mas uma hipótese. Temos que combater o perigo bolsonarista, mas é uma neurose acreditar que t...

TRABALHO OPRESSIVO DE OUTRA RÁDIO MOSTRA O QUE QUEREM OS DONOS DA 89 FM

Um relato de uma locutora mostra os bastidores da realidade opressiva e da visão cruel de trabalho que o Grupo Camargo de Comunicação, dono da 89 FM, defende contra seus contratados. O caso envolve outra rádio conhecida do grupo, a Alpha FM, dedicada ao pop adulto. A radialista Mayumi Sam passou por um momento difícil na rádio. Ela chegou a trabalhar de forma ininterrupta, em sete dias por semana (escala 7X0),  numa jornada de 18 horas, na Alpha FM, e, sentido sinais de esgotamento, pediu um período de 30 dias de férias. Ela também tinha outra profissão, a de roteirista de um humorístico da Record. Quando encerraram as férias, Mayumi foi informada que seu pai estava seriamente doente. Ela então pediu demissão para cuidar do familiar, e com o tempo o pai melhorou de saúde. Mesmo assim, o episódio mostra como é o drama trabalhar numa poderosa corporação da grande mídia que, como muitos da mídia hegemônica, impõem uma carga horária análoga a um trabalho escravo. Muita gente passa pano...

ADESÃO DAS ESQUERDAS AOS “BRINQUEDOS CULTURAIS” AUMENTOU PODER DA MÍDIA GOLPISTA

Setores das esquerdas, entre 2005 e 2016, acolheram valores culturais da direita que eram difundidos desde a Era Geisel. A desculpa era que esses valores, em tese, fariam o povo pobre sorrir ou eram associadas a coisas que parecem positivas. Isso foi facilitado porque grande parte das esquerdas dos últimos 25 anos nasceu depois de 1960 e era muito nova para entender as sutilezas dos anos de chumbo. Daí que essa geração, que viu televisão ao longo dos anos 1970, imaginou que o culturalismo viralata da bregalização, do obscurantismo religioso “filantrópico” e da espetacularização do futebol fossem “valores naturais” do povo brasileiro. Na época, essas pessoas eram crianças ou adolescentes. Palavras “mágicas” como “paz”, “interatividade”, “mobilidade urbana”, “democracia” e “periferia” serviam de isca para as esquerdas acolherem esses valores da direita moderada, que chamo de “brinquedos culturais” pela forma ingênua com que são recebidos pelas esquerdas médias. Nunca nos esqueçamos que o...

A SIMBOLOGIA DO “VAI, BRASA” É A MESMA DE “BALADA”E DO PORTINGLÊS

A semana passada foi marcada pelo lançamento da nova camisa da Seleção Brasileira de Futebol que tinha como lema a expressão “Vai, Brasa!”. A estranheza veio nesse lema, usado no lugar do “Vai, Brasil”, esperado e desejado por seus torcedores. O uso do termo “Brasa” irritou muita gente e causou revolta nas redes sociais. Embora a palavra Brasil seja originalmente um derivado da palavra “brasa”, o contexto do lema utilizado é outro e segue o coloquialismo da Faria Lima que hoje contaminou o vocabulário cotidiano dos brasileiros, do Oiapoque ao Chuí. Ou seja, a forma como foi adotado o lema da camisa da CBF, que já foi descartado devido à repercussão negativa, é rigorosamente a mesma que fez os empresários do entretenimento, no fim dos anos 1990, reaproveitarem a gíria “balada”, um jargão de jovens riquinhos para um rodízio de consumo de ecstasy, transformando-a num jargão pretensamente “universal e atemporal”. Quem criou o lema “Vai, Brasa!” pertence à mesma elite que desenvolve o reper...