O bordão, de valor bastante duvidoso, que atribui o futebol como “única alegria do povo brasileiro”, tem um quê de ressentimento, de baixa autoestima disfarçada de orgulho e de altivez. E diz muito dessas emoções confusas, meio presunçosas, meio dotadas de falsa modéstia, que contamina a mente do brasileiro médio, perdido entre ser maioral e ser coitado. Diante da proximidade da Copa do Mundo, o fanatismo pelo futebol, que costuma ser regionalizado, se torna nacional. E aí vemos surgirem “torcedores de ocasião” a “vestir a camisa de CBF”, não mais por histeria bolsonarista, mas por outra histeria, a futebolística. No Rio de Janeiro, o futebol vira até pauta para assédio moral. E não é pela possibilidade de um patrão torcer pelo time diferente do seu empregado, pois aí eles acham até saudável fingir briguinha por causa do time de cada um. O drama cai contra quem não curte futebol, que acaba sendo vítima de desdém e até do risco de perder o emprego. Mas no resto do Brasil, se esse risco ...