É MAIS CONFORTÁVEL SE CONTENTAR EM VER PEÇAS SOLTAS DE UM QUEBRA-CABEÇA. Compreender a realidade é difícil, quando um sem-número de pessoas, nas redes sociais, persiste em narrativas agradáveis, marcadas principalmente pela perspectiva da polarização política e de um culturalismo degradante que transforma o entretenimento e o mercado musical em verdadeiros processos de domesticação das massas. Se o Irã teve sua “revolução cultural” que derrubou um projeto de sociedade moderna, no Brasil o que vimos foi um projeto de modernização sociocultural traçado entre 1958 e 1963 que foi derrubado tanto pela racionalidade postiça do IPES-IBAD quanto pelo ativismo fajuto de Cabo Anselmo. Depois do golpe de 1964, vieram “novos normais” que, de maneira aberrante, passaram a integrar o cotidiano das pessoas de tal maneira que parte do culturalismo conservador virou alvo de nostalgia. Até nossas esquerdas foram tentadas a se guiarem pelo culturalismo da Era Geisel para acolher os “brinquedos culturais”...