Fenômeno surgido pelo governo Michel Temer, o “jornalismo de escritório” expulsou jornalistas experientes para dar lugar a uma imprensa asséptica, sonhada pelos barões da mídia nos tempos do Ai-5. Uma imprensa que não precisa ser censurada porque seus donos e chefes de redação davam o tom de uma linha editorial conivente e conveniente com o sistema. O jornalismo de escritório é assim chamado porque a visão de mundo acaba caindo nas mãos de um conselho editorial e seus juízos de valor. É a “caverna de Platão” em forma de imprensa, com suas “sombras” factuais sendo moldadas e descritas por jornalistas a partir de pautas que refletem não uma forma de interpretar o mundo, mas de refletir um sistema de valores dos quais o jornalismo de escritório é seu porta-voz maior. Com a escassez de profissionais com vivência real nas reportagens, uns porque já faleceram, outros porque for demitidos, o jornalismo se converteu num mundo paralelo montado pelos conselhos editoriais, dos quais a realidade n...