Em 2023, ter senso crítico era garantia de cancelamento. Não estar de acordo com o que é estabelecido fazia com que a pessoa fosse alvo de desprezo e, quando muito, de críticas pesadas. Com o declínio da pandemia, 2023 virou um cenário em que os privilegiados se fingiram de excluídos e montaram um país do qual só valeriam seus interesses e pontos de vista. Havia a frustração da burguesia quanto ao desgoverno de Jair Bolsonaro, que não assistiu devidamente a população diante da tragédia da Covid-19, preferindo promover um remédio de eficiência duvidosa, a cloroquina, do que investir na vacina preventiva. A burguesia resolveu apoiar Lula por ser este um político muito mais moderado do que se imaginava. E aí a burguesia resolveu, ainda em 2021, investir num cenário de festa. A idiotização cultural permitiu a escancarada adoração aos ídolos popularescos. O uso de redes sociais tornou-se obsessivo. O consumismo sem freios, as festas barulhentas, o acúmulo de dinheiro, tudo isso estourou no ...