O endeusamento do “médium da peruca”, atitude bem caraterística do viralatismo cultural enrustido, reflete a baixeza sociocultural que envolve a classe média abastada. É uma pretensão de grandeza que, no entanto, demonstra o ressentimento de quem não pode se engrandecer de verdade e tenta compensar a falta de conteúdo pela aparência caprichada. Um aspecto que chama atenção é que o “médium da peruca” nunca foi considerado originalmente um “símbolo de amor ao próximo”, mas somente um fenômeno sensacionalista, um pretenso paranormal que dizia “conversar com os mortos”. Um vaso apenas pitoresco, diga-se de passagem. Somente a partir da ditadura militar, em que pese alguns ensaios regionais de falso altruísmo em Minas Gerais, que o obscurantista de Pedro Leopoldo e Uberaba passou a ser endeusado, com uma intensidade além da conta ao exercer a Síndrome de Estocolmo sobre setores sociais rejeitados pelo “médium”, como roqueiros, esquerdistas e ateus. E isso com o "médium" ter sido u...