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A ILUSÃO DOS ESCRITÓRIOS COMO “OFICINAS DE VERDADES”

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O SENTIDO EXTREMAMENTE GRAVE DE UMA ACUSAÇÃO CONTRA QUEM REJEITA O “FUNK”

O "FUNK" NÃO FICARIA MELHOR SE SEUS RESPONSÁVEIS E SEU PÚBLICO FOSSEM DE ETNIAS GERMÂNICA E HOLANDESA. Os casos de Thiagsson e Fernanda Abreu revelam o desespero e a paranoia de quem apoia o “funk” e não consegue convencer através de argumentos equilibrados. Forçando a barra, os apoiadores do “funk” agora deram para acusar de “racistas” quem rejeita o ritmo. Isso é tão leviano quanto um vizinho denunciar à polícia um cidadão que levou dois dias para devolver uma furadeira usada para a reforma da casa. Acusar os críticos do “funk” de racistas é de uma gravidade extrema. Afinal, trata-se de um juízo de valor leviano, baseado no etnocentrismo daqueles que defendem o “funk” é que já possuem um padrão pré-determinado de pobreza, uma pobreza ao mesmo tempo “pobre” e “higiênica” dentro de um padrão de “periferia” que envolve favelas, bares decadentes e velhos, ruas sem asfalto, uma miséria tornada espetáculo em todo o imaginário do brega e do “popular demais” em várias de suas verte...

A PARANOIA DOS APOIADORES DO "FUNK" BEIRA AO REACIONARISMO

A visão etnocêntrica dos apoiadores do "funk" tenta apelar, pegando pesado no marketing  vitimista no desespero de criar argumentos bombásticos, forçando a comoção pública. E isso vem de uma classe média que jura que é "especializada em pobre". Em entrevista ao jornalista Augusto Diniz, da Carta Capital , a cantora Fernanda Abreu manifestou esse sentimento desesperado de empurrar o "funk" para mercados "mais exigentes" e promover o ritmo brega-popularesco como algo mais do que um simples pop comercial suburbano. Fernanda, em primeiro lugar, cometeu um grande equívoco ao afirmar que o "funk" se ascendeu sem ser "criado por publicitário, gravadora ou empresário". Os DJs Marlboro e Rômulo Costa são empresários, a Som Livre e, em parte, a PolyGram (atual Universal), investiram pesado no gênero. Isso sem falar do empresariado do entretenimento, das empresas multinacionais e de outras grandes corporações que, em primeira hora, apoia...

O BRASIL CONTINUA CULTURALMENTE DEGRADADO

WAGNER MOURA EM CENA DE O AGENTE SECRETO , FILME DE KLEBER MENDONÇA FILHO. A premiação dada ao filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho como Melhor Filme Estrangeiro e de Melhor Ator para Wagner Moura, no Globo de Ouro (Golden Globe Awards, em inglês) pode ser animador para nosso cinema e incentiva reflexões a respeito de políticas culturais para o nosso país. Mas isso não significa que o Brasil esteja em um excelente cenário cultural. Nosso cenário cultural está péssimo, deteriorado. O que preocupa é que casos pontuais como os de O Agente Secreto e outro filme, Eu Ainda Estou Aqui, de Walter Salles Jr., não dão o diagnóstico total de nossa cultura, já que temos uma cultura de qualidade, sim, mas ela dificilmente rompe as bolhas sociais de seu público específico. Os dois filmes são mais exceção do que regra. Mas exceção é uma van que todos querem que tenha a superlotação de um trem bala de trinta metros de comprimento. Todos querem soar como exceção a si mesmos. E aí, no caso d...

"FUNK" FOI PROMOVIDO A "GRANDE COISA" DEVIDO AO ETNOCENTRISMO DA BURGUESIA

A preocupante glorificação do "funk", agora retomada por uma exposição sobre o gênero no Museu da Língua Portuguesa, mascara a realidade de um gênero que é meramente comercial, sem objetivos artísticos nem culturais, mas que insiste em narrativas falsamente libertárias que não possuem sentido lógico algum. A exposição tem o nome pretensioso e oportunista de "Funk - Um grito de ousadia e liberdade", e serve apenas para mostrar o quanto a intelectualidade "bacana", espécie de think tank  da burguesia ilustrada, investiu em muito etnocentrismo para glorificar esse gênero da música brega-popularesca. O "funk" era somente um pop dançante comercial, feito para puro entretenimento. É marcado pela relação hierárquica entre o DJ, o "cérebro", e seu porta-voz, o MC. Sua principal caraterística é o rigor estético não-assumido e nivelado por baixo. No "funk", não há arranjadores nem compositores no sentido criativo do termo. Uma batida pa...

SUPREMACIA DA MÚSICA POPULARESCA, UMA CATÁSTROFE CULTURAL

Uma moça cantando “Ela Só Pensa em Beijar”, do MC Naldo (que no começo da carreira de lançou como hype se apresentando para famosos em vários eventos). Jovens histéricos tomando cerveja em bares e restaurantes cantando sucessos de Bruno e Marrone e de Calcinha Preta (grupo especializado a massacrar músicas estrangeiras em versões pavorosas, sem poupar “Dust in The Wind” do Kansas e The Unforgettable Fire” do U2).  E ainda tem evento de exposição tratando o “funk” como um “movimento libertário”, ocorrendo no Museu da Língua Portuguesa, investindo na mentira do gênero como "a canção de protesto brasileira", uma estória muito bem montada pelos empresários-DJs de "funk" junto às elites intelectuais burguesas, um discurso que, no entanto, não tem a menor conexão com a realidade desse ritmo meramente comercial e que gourmetiza a miséria humana e aprisiona o povo nas favelas. Trata-se de uma catástrofe cultural em que a mediocridade artística, supostamente atribuída às cla...

MÚSICA BREGA-POPULARESCA CRESCEU DEMAIS E SUFOCA RENOVAÇÃO NA MPB

"EMEPEBIZAR" O SOM BREGA-POPULARESCO, COMO NO CASO RECENTE DO ÍDOLO DO PISEIRO, JOÃO GOMES, SOA FORÇADO E CANASTRÃO E NÃO RESOLVE A CRISE QUE VIVE A MÚSICA BRASILEIRA DE HOJE. Uma demonstração de que vivemos numa situação de devastação cultural é o crescimento das várias tendências da música popularesca, numa linhagem que começou com os primeiros ídolos cafonas e hoje se desdobrou em fenômenos como o piseiro, a sofrência, o trap e o arrocha. Depois que vieram críticos musicais alertando sobre a gravidade da supremacia popularesca nos anos 1990 - com Ruy Castro e os finados Arnaldo Jabor e Mauro Dias mostrando sua contundente e nem sempre agradável lucidez - , houve uma reação articulada pelo tucanato cultural, envolvendo setores da USP ligados ao PSDB, as Organizações Globo e a Folha de São Paulo e, é claro, o empresariado da Faria Lima. Eles montaram uma narrativa que toma emprestado jargões da militância terceiro-mundista, usados de maneira leviana e tendenciosa pela intele...

NAÇÃO WOODSTOCK REJEITARIA “EVIDÊNCIAS” E OUTROS SUCESSOS “DESCOLADOS”

Anteontem fiquei abismado quando uma moça, presumivelmente com 19 anos estava no celular ouvindo “Lula de Cristal”, sucesso de Xuxa Meneghel, nas redes sociais. Gente com idade para entrar na faculdade pensando que sucessos popularescos como este, da lavra de Sullivan & Massadas, são “vanguarda”. Mas isso é fichinha para uma sociedade que chama “Evidências”, na versão de Chitãozinho & Xororó, de “clássico” e acha que João Gomes, ídolo do piseiro, é “a nova sensação da MPB”. Vivemos uma catástrofe cultural e muita gente vai dormir tranquila com esse triste cenário. Ainda temos uma sutil repaginação do É O Tchan que, diante da má repercussão da adultização de crianças, tem que agora se vender para o público universitário, tentando parecer ‘cult’ para um país em que muitos adoram “tomar no cool”. Ver que canções comerciais como "Evidências", "Lua de Cristal", "Ilariê", "Xibom Bom Bom", "Dança do Bumbum", "Segura o Tchan",...

QUANDO CONCURSOS PÚBLICOS CONTRATAM OS SERVIDORES ERRADOS

Há um problema nos concursos públicos que, mesmo se esmerando na organização de questões para as provas, não estão imunes a erros nem equívocos, investindo em matérias sem relação direta com os cargos oferecidos, como Matemática para o setor de Comunicação, por exemplo. Os concursos públicos produzem provas que seguem padrões de meritocracia no modo de como as questões são escolhidas. E isso influiu, com frequência, na aprovação e contratação de parte de candidatos capaz de fechar um gabarito, mas que não se identifica com a função é apenas a escolhe como um emprego tampão. Pessoas de famílias influentes, servidores estáveis querendo mudar de instituição, pessoas apadrinhados por algum figurão importante acabam ocupando cargos tirando o lugar de quem precisa. Isso cria uma injustiça e uma desigualdade que acaba afetando a qualidade do serviço público, que quase sempre não chega a ficar ruim, mas poderia ser melhor. Há “atletas” de concursos que não exatamente sabem quase todo o conteúd...

CONTRADIÇÃO ENTRE DUAS CIDADES SEMELHANTES

Ser jornalista não é somente comentar os fatos do dia, da mesma forma que também não é transmitir, passivamente, o que instituições oficialmente transmitem. É buscar informações e verificá-las, sem se submeter ao que é dito por fontes dotadas de algum prestígio. Ignorar essa realidade permitiu que viessem comediantes fantasiados de jornalistas querendo tomar cargos estratégicos de Comunicação. Ou reacionários que imitam a pose e o discurso jornalístico e, aparecendo diante de estantes de livros, produzem notícias mentirosas dentro de narrativas cheias de argumentos confusos, mas bastante persuasivos. Temos a polarização do “jornalismo civilizado” e da fábrica de fake news, que desnorteiam as percepções humanas de um lado e de outro. No primeiro caso, a coisa ocorre de forma mais sutil, pois são dados oficiais trazidos por fontes prestigiadas e compartilhadas por um Grande número de pessoas influentes e formadoras de opinião. Dito isso, vejamos o que eu pude pesquisar sobre o Triângulo ...