A ELITE QUE PENSA SER "MAIS POVO QUE O POVO", EM TRAJES DE GALA.
Este ano foi marcado pela consolidação do poder de uma elite que até foi sempre a classe dominante no nosso país. Mas somente agora essa elite exerce seu poder em tempos de paz e de forma bastante dissimulada, permitindo que os privilegiados de hoje possam fingir serem pobrezinhos dançando com sacos de arroz e feijão nos supermercados ou segurando a mangueira do combustível em postos de autoatendimento.
Netos de uma geração que derrubou João Goulart em 1964, essas pessoas compõem a burguesia ilustrada, a elite festiva e lúdica que hoje domina as redes sociais. Enquanto seus avós, tendo a tiracolo os rosários do padre Patrick Peyton e os artigos do IPES-IBAD, pediam o fim do “governo da aventura” a que julgavam ser a gestão de Jango, seus netos, já com um padrão de sociedade brasileira preparado durante a ditadura militar, podem até se passar por “esquerdistas”, pois o presidente Lula não oferece risco ao grande capital, atuando até como auxiliar dos privilégios da burguesia.
A burguesia resolveu renegar seu espólio original, para evitar o julgamento da História. A burguesia atual, heterodoxa, descolada e paternalista, até finge defender a taxação dos super-ricos. Afinal, a taxação é branda e só irá atingir os super-ricos ligados ao antipetismo, pois super-rico apoiador de Lula é quase um pobrezinho.
Desde 2022 a elite do atraso se repaginou. Passou a se disfarçar de gente simples, algo que já ensaiou tempos antes mas desde o referido ano passou a ser uma encenação definitiva, pois se trata de um mimetismo social. Daí ela ter se transformado na elite do bom atraso, uma elite “positiva”, uma burguesia de chinelos de grife, por sinal os chinelos Havaianas.
A elite do bom atraso resolveu agir como “substituta” do povo brasileiro. Atingindo sua plenitude no empoderamento social, a elite do bom atraso se divide entre a burguesia ilustrada e sua “civilização de resultados”, a ganância voraz dos “animais consumistas” e a logística de dominação do empresariado da Faria Lima. Estas forças mantém seus privilégios e, da mesma forma, os meios de anestesiar a sociedade e garantir a supremacia das velhas ordens sociais agora sob novos contextos.
Temos também a parte mais “modesta” da elite do bom atraso, com os “pobres de novela” com apetite redobrado para consumir de maneira quase sempre impulsiva, devido à riqueza conquistada. E temos a turma identitária - woke, em inglês - , experimentando um hedonismo sem limites.
A burguesia ilustrada expirou, este ano, os reaças úteis do bolsolavajatismo, prendendo e punindo os responsáveis pela revolta de Oito de Janeiro, em 2023, prendendo Jair Bolsonaro pela participação da reunião golpista em 2022, e começando a investigar os outrora “heróis” da Operação Lava Jato, incluindo o ex-juiz Sérgio Moro.
Com isso, a elite bronzeada tirou seus anéis para salvar os dedos e os colares e gravatas para salvar seus pescoços. Agora a burguesia ilustrada é “boazinha” e promete marcar ponto votando sempre no PT e em Lula. O povo pobre é só um detalhe e o que interessa é a burguesia fantasiada de “gente simples” brincando de ser pobre nas redes sociais. O mandamento da burguesia ilustrada em 2025, e que repetirá em 2026, é este: “Vamos ser o povo antes que o povo o seja”.
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