PRESIDENTE LULA NA ESPANHA.
Erros gravíssimos, muitas vezes, não são diagnosticados de imediato. Durante anos, muitas pessoas que detém o domínio das narrativas na mídia e nas redes sociais insistem em dizer que se trata de um grande acerto e centenas de pessoas, em efeito manada, saem concordando. Desculpas bem articuladas são lançadas e até especialistas encanam em argumentar a favor.
Tudo isso ocorre até o tempo confirmar, através da sucessão de consequências, que aquele ato, que muitos insistiram até o final que havia sido um grande acerto, tornou-se um grande, grave e traumático erro.
Lula, ao cometer, logo no começo do terceiro mandato, a precipitada priorização da política externa, fez um gravíssimo erro. Além de ter largado o povo brasileiro, que se sentiu abandonado pelo presidente que não fez a tão prometida reconstrução de maneira presencial, dentro do país, deixou ressurgir a narrativa do presidente que “viaja ao exterior usando dinheiro público”. Só isso foi crucial para sua queda de popularidade.
Mas Lula, ao priorizar as viagens ao exterior, fez pior. Além de se intrometer, sem necessidade, em assuntos estrangeiros, Lula expôs o Brasil de forma exagerada e potencialmente perigosa. E, ultimamente, o presidente, por ironia, não pode viajar por conta de episódios como o conflito de Irã com Israel e EUA. A situação está confusa e caótica mas, no Brasil, a situação está complicada de tal forma que a ilusão de 2023 de que nosso país se tornaria desenvolvido foi por água abaixo.
E Lula tem que tomar cautela. Ele se ofereceu para mediar diálogos entre Donald Trump e o governo do Irã, na tentativa do petista em querer salvar o planeta. Mas, pelo jeito, não foi adiante. E, ao expor o Brasil de tal forma ao mundo, uma ameaça veio à tona, que são os EUA pretender classificar os grupos criminosos brasileiros PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como "organizações terroristas".
Isso serviria de pretexto para os EUA invadirem o Brasil e declararem guerra ao país, sob a desculpa de combater o narcotráfico. Isso será ruim para a soberania do país que, social e culturalmente deteriorado, não resolveu seus problemas de maneira corajosa e agora os expõe de maneira arriscada, pois o Brasil agora se "ostenta" ao mundo.
Esse é o grave erro de Lula, um erro estratégico de querer priorizar a política externa, tentar intervir em assuntos estrangeiros e jogar no colo do exterior assuntos nacionais que poderiam ser resolvidos internamente, dentro do país, de maneira internacionalmente discreta.
O Brasil poderia ter "voltado para o mundo" no fim do atual mandato de Lula, invertendo o que ele acabou fazendo com os temas trabalhistas. Lula demorou para reconstruir o país e, em contrapartida, se apressou em se ostentar para o mundo. O protagonismo mundial poderia ter sido deixado para depois, a prioridade deveria ser a atuação presencial do presidente para resolver organicamente os problemas brasileiros, sem apelar para o papelão dos relatorismos.
São coisas que poucos percebem terem sido erros graves, mas cujos efeitos drásticos só poderão ser compreendidos integralmente com o passar do tempo.
Comentários
Postar um comentário