A PIOR "GUERRA CULTURAL" FOI TRAMADA PELA BURGUESIA QUE SABOTOU AS ESQUERDAS NO BRASIL - DEIXAR O POVO POBRE DISTRAÍDO NO ENTRETENIMENTO POPULARESCO PARA EVITAR O VERDADEIRO ATIVISMO POPULAR.
Um grande contraste de abordagem havia nas editorias sociopolítica e cultural nos principais veículos da mídia esquerdista, sobretudo Caros Amigos, Fórum, Carta Capital e Brasil de Fato. Na editoria sociopolítica, víamos um povo batalhador, bravo, conscientizado, de cabeça erguida. Na editoria cultural, todavia, se mostrava um povo idiotizado, culturalmente vira-lata, que com seu vitimismo pedia para conquistar espaços mais conceituados no cenário cultural brasileiro.
As páginas culturais da mídia esquerdista, nos anos 2000 e 2010, pareciam repetições do caderno Ilustrada da Folha de São Paulo, com um pouco de Caras e Contigo e um ranço espetacular da Rede Globo e do SBT.
O cidadão esquerdista que evitasse ler essas páginas não perderia muita coisa. Eram matérias típicas da mídia venal mas que se apropriavam de uma retórica pretensamente esquerdista, com discurso falsamente libertário e um toque de choradeira coitadista. Coisas do tipo “Por que o Calcinha Preta não obtém o reconhecimento dos estudiosos de música brasileira?”.
Ninguém percebeu o quanto foi nociva a atuação de Pedro Alexandre Sanches, o “menino de ouro” de Otávio Frias Filho, na mídia de esquerda, sabotando as agendas culturais para desmobilizar as classes populares. Sanches quase subiu os degraus do Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé para transformá-lo num puxadinho da Folha de São Paulo.
Era a mídia alternativa subordinada ao jornal que representa os interesses da Faria Lima. E isso como se não bastasse o perigoso e vergonhoso domínio da rádio 89 FM na cultura rock, numa intervenção direta e autoritária de uma família empresarial defensora da ditadura militar e de medidas retrógradas como as fortunas abusivas dos super-ricos e a escala 6x1 no trabalho.
Fazer a imprensa cultural de esquerda pensar “igualzinho à Folha” foi crucial para o golpe político de 2016, que impôs os retrocessos do meio trabalhista, já que as esquerdas passaram a acreditar que “ser pobre é lindo”. Então, joga precarização do trabalho, com pejotização, escala 6x1, trabalho 100% comissionado (que transforma a remuneração em loteria), baixos salários e muita exploração degradante.
A campanha pela bregalização cultural, além de fortalecer o poder do empresariado ligado ao entretenimento popularesco - elite dirigente oculta pelo discurso demagogo da “cultura das periferias” - , teve como objetivo evitar a mobilização popular e restringir, em tese, o ativismo ao âmbito da festa.
Com isso, os pobres eram levados a acreditar que, dançando o “funk”, o brega, o tecnobrega, a axé-music, o piseiro etc, estariam “fazendo ativismo”, uma lorota bem construída que fez o caminho para o golpe de 2016 ser realizado, praticamente sem resistência popular.
Com as classes populares distraídas no pão e circo da bregalização, as lutas políticas das classes dominantes tiveram o caminho aberto e o “Jornalismo da OTAN”, corrente da mídia que defende a tese do “culturalismo sem cultura” (ou seja, o uso do termo “guerras culturais” como eufemismo para manipulação política), permitiu que no Brasil a narrativa golpista se propagasse.
Com isso, o povo pobre se tornou refém tanto do direitismo neopentecostal quanto da burguesia ilustrada que sabotou as esquerdas aponto de desnortear o próprio presidente Lula, hoje mais servil à elite do bom atraso.
Com a idiotização cultural pela bregalização, as classes populares se sujeitaram a uma “democracia” de cima, com um povo sem vontade própria atendida de forma plena. Ao povo se impõe um paternalismo político que nem sempre atende as demandas do povo e, quando atende, muitas vezes é de forma moderada.
Daí a decepção do lulismo hoje em dia, limitado a ações paternalistas e paliativas que não salvam o povo por completo. E a burguesia ilustrada fez com que, reduzindo os questionamentos do golpismo ao aspecto meramente político, por meio do “jornalismo da OTAN”, sabotou os debates culturais de modo a deixar o povo brincando na bregalização, numa demonstração perversa de enfraquecer as lutas populares sob o pretexto do “combate ao preconceito” da bregalização.
Comentários
Postar um comentário