A velha batalha da polarização continua. No lado lulista, os pesquisismos seguem apelando para a narrativa de que Lula “ganha todos os cenários” e que o extremo-direitista Flávio Bolsonaro decai de forma “irreversível”. De outro, a narrativa do “Luladrão”, agora “protetor de bandidos”, que se torna tão grosseira que causa gargalhadas nos apoiadores do presidente.
Num momento em que Lula vive um triunfalismo e praticamente já se acha reeleito, a polarização mantém a velha briguinha de escola, com ambos os lados se achando “vencedores” e o Brasil carente de uma alternativa de renovação política. Ficamos reféns do cabo-de-guerra entre o sonho e o pesadelo.
Cada vez mais vemos Lula como um político de contos de fadas, um Papai Noel de Garanhuns que anda empolgando a burguesia. Como um contraponto ao fascismo-pastelão de Bolsonaro, Lula é um vendedor de ilusões que, sob o pretexto de promover um país igualitário, quer transformar o nosso país no parque de diversões do mundo.
É por isso que soa estranho dizer que Lula hoje é o político da burguesia e não do povo pobre. Embora persista a narrativa de que Lula é o “candidato dos pobres”, manifesta nos dois lados da polarização, o petista hoje praticamente só agrada a setores flexíveis da burguesia, a chamada burguesia ilustrada.
A terceira via deveria já mostrar suas caras e dar seus recados. Precisamos de renovação política no Brasil, e não uma alternância entre o sonho e o pesadelo. Precisamos de realidade, não de presidentes que variam entre "dar o peixe" (ainda que sejam migalhas, como se vê na política salarial) e "armar a população".
A terceira via está impotente. Ela precisa aparecer, se divulgar, propor ideias, fazer campanha e criar agendas positivas. Ela precisa estimular o eleitorado a uma nova escolha, a traçar uma nova trajetória, a se mostrar como uma renovação política, já que a suposta "renovação", representada por Lula, se torna um modelo velho e cansado de uma política de ações paliativas que servem mais para domesticar do que para emancipar o povo pobre.
Não se pode chamar Romeu Zema e Ronaldo Caiado como terceiro-viáveis porque eles vivem sob a sombra de Jair Bolsonaro. Nomes como Joaquim Barbosa e Renan Santos, este ainda que sob um viés conservador, surgem como opções. Dois possíveis terceiro-viáveis, Ciro Gomes e Tarcísio de Freitas, sinalizaram que querem concorrer a cargos de governadores estaduais.
Precisamos deixar as críticas do "Luladrão" para trás, sair desse desabafo tolo. Precisamos mostrar que existem outras escolhas, e não optar pela "república dos milicianos" proposta por Flávio Bolsonaro. A hora é discutir a terceira via, e que seja o mais rápido e o mais amplo que for possível, porque o Brasil não é um filme de fantasia da Sessão da Tarde nem um filme de ação do Domingo Maior.
Devemos pensar no Brasil como um país da realidade. Não queremos uma maquiagem de um país dos sonhos mas que se mantém culturalmente precário, e sim um país que podemos discutir e repensar em vez de fingir que está tudo bem. Sem o espetáculo de Lula nem a estupidez reacionária de qualquer Bolsonaro de plantão. Um caminho novo, ainda que seja um caminho de pedras, mas que seja um caminho a ser traçado.
Que a terceira via possa se mostrar como uma escolha para os brasileiros, e, mais do que isso, uma saída para o círculo vicioso da polarização.
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