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CASO DOS SUPOSTOS HACKERS TRAZ MAIS CONFUSÃO E COMPLICA SITUAÇÃO DE MORO


O caso dos supostos hackers causou um efeito certeiro e inesperado.

O de expor o escândalo da Vaza Jato, puxando para a parcela da mídia hegemônica que não havia dado crédito às reportagens do The Intercept.

O propósito original de desmoralizar o trabalho de Glenn Greenwald e sua equipe deu um tiro pela culatra e desgastou as imagens de Sérgio Moro e Deltan Dallagnol, os pretensos heróis da "primavera reacionária" (apesar de realizada entre o verão e o outono) de 2016.

Dallagnol, por sua vez, ganhou uma remuneração de R$ 33 mil em palestra promovida pela empresa de tecnologia Neoway, dois meses após ela ter sido citada em acordo de delação premiada da Operação Lava Jato.

Dallagnol só soube que a empresa foi citada na Lava Jato quatro meses após ter vendido a palestra.

Um dos supostos hackers, Walter Degatti Neto, entrou em contradição no seu depoimento, quando mentiu dizendo que apenas teria hackeado dez vítimas, quando ele teria, segundo a Polícia Federal, envolvido mais vítimas.

Ele disse que teria intermediado a ex-candidata a vice-presidente pela chapa de Fernando Haddad, Manuela d'Ávila, no contato com o jornalista do Intercept, Glenn Greenwald.

Ela confirmou a denúncia, mas não sabia quem era o invasor digital.

Outra mentira de Degatti foi que ele teria "invadido" a conta do Telegram do celular do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Isso porque, segundo a assessoria de Lula, ele nunca teve um smartphone e, portanto, não tinha também conta no Telegram.

Sobre a Vaza Jato, investigações da Polícia Federal admitem que o áudio atribuído a Deltan Dallagnol, comemorando a proibição da entrevista a Lula pela jornalista Mônica Bergamo, é autêntico.

Dallagnol, ontem, admitiu que "parte das mensagens pode ser verdadeira".

Recentes mensagens trazidas pelo Intercept mostram Deltan atuando como consultor privado de banqueiros a convite da XP Investimentos, e promovendo uma reunião privada entre os envolvidos e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luiz Fux.

O jornalista Reinaldo Azevedo, parceiro do Intercept no programa O E da Coisa, na Band News FM, afirmou que a reunião é "clandestina".

O tema da reunião é "Lava Jato e eleições".

Dallagnol teria sido convidado pela assessora da XP, Débora Santos, esposa de Eduardo Pelella, homem de confiança do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para se reunir com os banqueiros e Fux.

A condição estabelecida era que a reunião não fosse divulgada pela imprensa.

A reunião rendeu remuneração a Dallagnol. Detalhes do caso podem ser obtidos aqui.

Sérgio Moro, por sua vez, apelou para lançar a Portaria 666, referente à deportação de "pessoas perigosas".

Em tese, elas seriam incluídas entre os criminosos relacionados a atos de "terrorismo, grupo criminoso organizado ou associação criminosa armada ou que tenha armas à disposição, tráfico de drogas, pessoas ou armas de fogo".

Também são incluídos criminosos envolvidos em 'pornografia ou exploração sexual infanto-juvenil e torcida com histórico de violência em estádios".

A medida, segundo especialistas, é considerada arbitrária e inconstitucional.

Além disso, o número da portaria é motivo de piada. 666 é, segundo a Bíblia, o "número da besta". A definição aparece no livro do Apocalipse, capítulo 13, versículo 18.

A intenção de Moro sugere que se abra uma brecha para a deportação de Glenn Greenwald.

A Associação Brasileira de Imprensa definiu o ato de Moro como "abuso de poder" e pretende entrar na Justiça para garantir o livre trabalho de Greenwald e sua equipe.

Moro só trouxe mais confusão no caso dos supostos hackers. E agravou a crise de sua pessoa, o que pode refletir em breve no desgaste do governo Jair Bolsonaro.

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