RECRUTADORES ACABAM CAINDO NA PEGADINHA DE COMEDIANTES DE CARREIRA INVENTANDO PROFISSÕES SIMULTÂNEAS EM OUTRAS ÁREAS.
Em todo lugar há recrutadores que cometem a besteira de rejeitar os profissionais certos, por diversos motivos, que vão desde a recusa de recebimento de currículos até as conveniências sociais. Acabam tomando decisões que, não obstante, se tornam desastrosas ou, na melhor das hipóteses, inúteis.
No ramo da análise de redes sociais, o mercado prefere contratar influenciadores e comediantes que têm visibilidade mas pouco talento e são desprovidos de competência técnica, sendo apenas bons de gravar vídeos com muita fala, muitos gestos e pouco conteúdo. É o que podemos chamar de Comunicação sem mensagem, que interage sem mostrar algo relevante que deixe marca na vida das pessoas.
No radialismo rock, temos o caso de, desde os anos 1990, as rádios contratarem animadores de gincanas, festas infantis e ginástica aeróbica, ou o que sobrou das rádios pop, para comandar a programação. Gente sem vivência de rock mas que se atreve a anunciar até músicas de rock pesado. Enquanto isso, os verdadeiros entendidos de rock estavam nas oficinas de consertos de eletrodomésticos.
Nos concursos públicos, até as provas seguem padrões da velha forma moralista de estudo. Não se espera que as provas fossem fáceis, mas elas parecem feitas para contratar um servidor estável de um tribunal de contas da vida ou alguém com “cara” de comentarista esportivo. Que cisma que as organizadoras de concursos públicos têm com os chamados “atletas de provas de concursos”, fora também as aprovações espúrias com base no clientelismo.
O mercado de trabalho, mesmo por meio do aparato “técnico” das entrevistas de emprego, parecem se preocupar mais com a embalagem. Pedem um profissional qualquer nota mas que tenha prestígio e boa aparência. Um sujeito “atrativo” que seja apenas um cumpridor de deveres, sem somar algo relevante.
Até no jornalismo vemos isso, pois, salvo exceções, a maioria segue uma linha de montagem noticiosa planejada nos escritórios e montada nas redações. Num contexto em que as pautas editoriais mandam mais que os fatos, com a chamada "opinião pública" contaminada pela visão das classes dominantes, os noticiários acabam se reduzindo a press releases onde a transmissão de conhecimento e o estímulo à reflexão são as coisas que menos são feitas.
Com isso, o mercado de trabalho acaba travando o próprio progresso dos ambientes de trabalho. Gente com vontade de fazer uma atividade é proibido de fazê-la, enquanto os que "querem, mas não muito" acabam conquistando fácil, e fazem um trabalho medíocre, "meio mais ou menos", até sem trazer prejuízo na maioria das vezes, mas também sem deixar marca diferencial no trabalho.
Com isso, empresas e instituições acabam não indo além dos objetivos primários. Para quem vive na zona de conforto do trabalho insosso, está muito bom, mas para quem quer crescer isso se torna problemático e que pode, no futuro, complicar as situações tanto no trabalho quanto na sociedade.
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