CONNIE FRANCIS, CANTORA QUE FEZ SUCESSO NOS ANOS 1950 E COMEÇO DOS 1960.
O que são dois pesos e duas medidas na nostalgia brasileira das redes sociais. O revival de uma bela música antiga, a graciosa canção “Pretty Little Baby”, sucesso de 1962 na voz de Connie Francis, ícone da música jovem dos anos 1950 e começo dos anos 1960 que, pouco antes de morrer aos 87 anos (88 incompletos), soube dessa façanha nos EUA, viralizou nas redes em 2025.
O que foi uma lembrança saudosista acabou sendo ridicularizada depois nos camais brasileiros do Tik Tok, com a bela voz de Connie parodiada por uma voz fina e esganiçada que, em velocidade acelerada, cantava “Pirulito Baby, ah-ah”.
Esse é um desrespeito à trajetória da cantora estadunidense - que no referido sucesso, no entanto, pronunciava as palavras “pretty” e “little” ao modo britânico, sem o “t” mudo usual dos ianques - , que era do tempo em que o canto era valorizado de forma a não permitir artifícios de disfarçar digitalmente vozes medíocres (tipo Britney Spears, por exemplo).
A título de comparação, observamos que canções popularescas que tratam o povo pobre de maneira caricatural, como o “funk”, por exemplo, não recebem essa chacota toda, mesmo aqueles “funks” de duplo sentido em que dois MCs, um homem e uma mulher, fazem um “dueto”, ele imitando um brutamontes, ela imitando uma criancinha.
As redes sociais no Brasil mostram o espetáculo de horror da imbecilidade cultural, a mesma que intelectuais brasileiros ditos “conceituados” blindam sob a desculpa de “combater o preconceito”. A bregalização cresceu de forma avassaladora criando uma falsa diversidade cultural que serve apenas para criar “sabores” da cultura musical popularesca, tão artificiais como os falsos sorvetes compostos de gordura hidrogenada, açúcar, corantes e gostos que imitam frutas.
Estamos num cenário culturalmente devastado, com o agravante de que o pessoal, perdido numa diversão tóxica, não percebe a seriedade do problema. Que não precisamos ser sérios o tempo todo, vá lá, mas isso não permite apelar para a idiotização sob o pretexto de "felicidade" e "liberdade", a ponto de inverter as coisas.
Enquanto a canção brega-popularesca, que já nasce idiotizada, é levada a sério demais até pelo meio acadêmico, músicas notáveis pela beleza são ridicularizadas. Vide o fato da Bossa Nova ter virado vidraça por um monte de gente culturalmente irresponsável, que prefere a mediocridade gritante e aberrantemente comercial da música brega-popularesca.
Lá fora, as pessoas estão revalorizando a música de qualidade, e falamos de pessoas da mesma geração dos brasileiros que exaltam a breguice de ontem e hoje. Gente na casa dos 20, 30 anos estão ouvindo canções de qualidade nos EUA, diferente de seus contemporâneos brasileiros que apenas se lembram do lixo cultural da televisão de sua infância.
Daí a incompreensão de "Pretty Little Baby", que acabou sendo a canção de agradecimento a Connie Francis, que pelo menos viveu para conhecer a homenagem, até nos deixar pouco depois. Enquanto há um gradual renascimento cultural nos EUA, aqui no Brasil a regra é essa: "E vai descendo, vai, e vai descendo vai...".
Comentários
Postar um comentário