Poucos aceitam reconhecer que o culturalismo bregalizante não tem a ver com sentimentos e vivências do povo simples e muito menos com a diversidade democrática do Brasil. Esse culturalismo, marcado não só pela música popularesca ou pelas subcelebridades, mas pelo obscurantismo religioso pretensamente “positivista” - como o Espiritismo brasileiro e a Legião da Boa Vontade (LBV) - , como pela vassalagem em relação ao comercialismo musical e cinematográfico dos EUA (que inclui franquias culturais adotadas na Coreia do Sul, por exemplo).
Tudo isso remete, no Brasil, a uma logística culturalista tramada por um consórcio de empresários e publicitários do Itaim Bibi, em São Paulo, a chamada “Faria Lima”, que, tentando ocultar suas manobras que chegam a contaminar até setores de esquerda no nosso país, precisam mascarar essa estratégia de tal forma que, oficialmente, “culturalismo viralata”se limita tão somente a aspectos de persuasão e propaganda de tiranias políticas.
Essa manipulação ocorreu de tal forma que setores das esquerdas foram dormir tranquilos apoiando “médiuns espíritas” ultraconservadores, tão conservadores que defendiam que os oprimidos deveriam sofrer calados em troca de um terreno no céu. E houve esquerdista que, pasmem, achava que isso era sinônimo de Teologia da Libertação. Quanta ingenuidade dessa esquerda que parece fazer o papel que os bolsonarista pedem para desempenhar.
E isso sem falar da intervenção direta que a Faria Lima faz sobre o público de rock, castrando a rebeldia através da 89 FM e da indústria do entretenimento ligada a shows internacionais. Todo esse processo acaba tornando a cultura rock estéril e bastante fragilizada, pois nada é menos roqueiro do que uma rádio da Faria Lima se impor como representante do segmento.
A Faria Lima “governa” o Brasil desde 1974 eela se torna uma versão mais avançada, dinâmica e socialmente mais penetrante dos “institutos” IPES-IBAD, com a diferença que, do contrário desses dois órgãos, a Faria Lima penetra de maneira inconsciente até mesmo nas mentes de muita gente considerada isentas ou de esquerda, manipulando desejos, vontades, pendamentos e crenças.
Sim, a Faria Lima é capaz de coisas surreais, como transformar uma gíria privativa de empresários riquinhos, “balada” - originalmente um eufemismo para rodízio de pílulas alucinógenas (as tais “balas”) numa expressão pretensamente “universal e atemporal”. Ou então de relançar o cantor Michael Jackson, falecido há mais de 15 anos, como se fosse um “artista novo” e ainda empurrá-lo goela abaixo para o público roqueiro médio do Brasil.
Isso mostra a loucura que são as estratégias do empresariado da Faria Lima para inserir e até consolidar valores culturais no nosso país. Até para transformar um charlatão religioso, um “medium” de Uberaba, em pretensa unanimidade e falsa superioridade espiritual, com direito a promover a Síndrome de Estocolmo em roqueiros, esquerdistas e até ateus, a Faria Lima foi capaz, neste caso recorrendo a parcerias entre os “coronéis” de gado zebu do Triângulo Mineiro, guardiões do ídolo “espírita”.
A Faria Lima controla as mentes e os corações de quem está desprevenido. O “ar puro” que flui culturalmente na maior parte do Brasil vem dos escritórios empresariais do Itaim Bibi mas as pessoas insistem em crer que se trata de uma cultura “fluente e espontânea”. Há quem achou “exagero e paranoia” a constatação de uma sociedade ser controlada por uma meia-dúzia de empresários paulistas.
Mas a verdade é essa, mesmo. Vide o padrão de sociedade que é difundido, há mais de 50 anos, em nosso país, com cerca de três gerações sendo manipuladas pelo culturalismo da Era Geisel, do qual pouca coisa mudou e sua essência continua a mesma.
Ver que todo esse culturalismo virou objeto de felicidade dos brasileiros é de estarrecer. Ver muito do entulho cultural do período da ditadura militar ser considerado relíquia saudosista mostra o quanto uma considerável parcela do povo brasileiro virou marionete da Faria Lima. Isso tem que ser denunciado, mas se até a mídia alternativa virou um puxadinho da Faria Lima, a quem iremos recorrer? Enquanto isso, o Brasil se torna uma ficção, uma ilusão de si mesmo.
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