O decepcionante terceiro mandato de Lula se baseia numa grandeza por fora e uma pequenez por dentro. Marcando farta presença na política externa, sempre comparecendo às reuniões de cúpula, Lula se mostra ausente no cotidiano do povo pobre. Assim que babás não substituem os pais no cuidado com os filhos, o relatorismo das “fantásticas realizações” do “Efeito Lula” em nenhum momento substitui a atuação presencial do presidente.
Lula expressa a “democracia de cúpula”, que é protocolar e com velhas estruturas hierárquicas que não foram devidamente transformadas. As pautas trabalhistas foram acolhidas em última hora, enquanto a prioridade havia sido a política externa. Isso doeu no coração do povo pobre, que viu em Lula um tutor ausente e que tanto falava em combater a fome e reconstruir o Brasil mas resolveu viajar para o exterior. As classes populares se sentiram traídas e abandonadas.
Não cansamos de escrever, aqui, o que os fatos veem como óbvio e o que as redes sociais renegam tapando os olhos e ouvidos: Lula mudou sua base de apoio para a burguesia ilustrada. O esforço tardio do presidente em tentar atrair as classes populares para a reeleição, lançando mão de muito pesquisismo, torna-se pouco convincente, além de não intimidar os bolsonaristas, que mantém sua narrativa caricatural na Internet.
Em outras palavras, os fatos não têm vez. Ou são as fake news dos bolsonaristas, ou são os relatorismos de gabinete dos lulistas, cada um defendendo sua causa, sua "verdade" que quase nunca tem de verdadeira. E, como Lula está no poder, ele parece ter privatizado a verdade só para si.
Lula perdeu a popularidade porque não mediu prioridades. Reconstruir o Brasil com clima de festa é impensável num momento de aflição dos brasileiros. Ainda mais viajando ao exterior. E solucionar as coisas com "créditos" e "auxílios" até resolve alguns problemas, mas impede a emancipação real do povo pobre, que continuará tendo restrições no orçamento. Duas ou três dívidas pagas de umas dez não salva a situação.
Por isso Lula deixou de ser o companheiro do povo pobre. Lula se esqueceu dos dois pesos de uma balança, e, ao se projetar ao lado de ricos e poderosos, sob o pretexto da democracia, viu o.povo se afastar dele, pois não dava para esperar a prosperidade vir. Chegar tarde demais pode trazer algum alívio para o povo pobre, mas ele não sente vontade de voltar a confiar em Lula.
Por isso o risco de Lula não ser reeleito é real. Há o crescimento de um discreto movimento contra a polarização, de gente cansada tanto de Bolsonaro quanto de Lula. Existe uma necessidade de haver um novo nome na política, com os pés no chão e sem voar pelas nuvens, seja por metáfora, seja ao pé da letra.
Lula no entanto quer se impor como "unica opção para a democracia". É irônico a burguesia dizer que "ficou mais fácil escolher" para votar na nas eleições presidenciais. Mas a "democracia" de um homem só, de um candidato só, aborrece o povo pobre, e Lula tem que apelar para os ricos se quiser ser reeleito, abrindo o leque para a classe média abastada e "raspando" parte do eleitorado bolsonarista.
E aí há o risco de fraude eleitoral. Lula apela para a tática da República Velha para vencer as eleições. Usar o voto de cabresto, a psicologia do medo, a velha ameaça do "bicho papão". "Se não votar em Lula, Bolsonaro volta". E qualquer candidato que vier para tirar votos de Lula será tratado de forma errônea, mas tendenciosa, como uma marionete de Bolsonaro.
Os lulistas falam do caráter "inviolável" das urnas eletrônicas, mas a lógica de sua tecnologia é que pode haver fraude, sim. É uma avaliação técnica. Um algoritmo pode ser manipulado para que alguns votos nulos ou em branco possam ser convertidos para votos em Lula. Uma equação matemática é possível assim como algumas zonas eleitorais de cidades comandadas pelo PT podem permitir tais manobras.
Essa hipótese é considerada "impossível" pelos lulistas, mas a obsessão de Lula em ser reeleito pode fazê-lo adotar essa medida, tudo para passar para o quarto mandato, mesmo com uma margem estreita de votos. Lula quer vencer na marra e deixou isso bem claro nos seus discursos, pois só vai competir "para ganhar". E isso é ruim para a democracia, haver um candidato só que em tese faça tudo.
O povo não quer esse modelo de candidato. A polarização tem que acabar. Entre o sonho e o pesadelo, fiquemos com a realidade.
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