O EMPRESÁRIO JOSÉ DE CAMARGO JÚNIOR, O JÚNIOR CAMARGO.
Com uma entrevista chapa-branca e cheia de demagogia, a Rolling Stone Brasil decidiu passar pano na "rádio rock" da Faria Lima, a 89 FM de São Paulo. O entrevistado é o executivo Júnior Camargo, da família empresarial mais poderosa da Faria Lima,lembrando que a 89 é um dos carros-chefes do Grupo Camargo de Comunicação.
Unindo falsa modéstia, uma pitada de coitadismo com o pretensiosismo de exploração da cultura rock, a entrevista com Júnior, nos estúdios da Rolling Stone Brasil, é desprovida de objetividade, vaga e superficial em informações e mais parecendo uma matéria publicitária que destoa completamente do bom jornalismo que a revista matriz dos EUA marcou em sua história e que a franquia brasileira buscou seguir.
Tentando afastar a imagem empresarial de sua família, engajada no ativismo empresarial da Esfera Brasil, Júnior Camargo tentou alegar que os ouvintes tratavam a 89 FM como "sua rádio". O texto se limitou a bajulações ao rock e a uma imagem superestimada de bandas dos anos 1990, como Raimundos, Charlie Brown Jr. e Mamonas Assassinas, que o entrevistado admitiu "não ser 100% rock".
A falta de objetividade da reportagem é tal que, além de não ser creditada a função de Júnior Camargo, o repórter Kadu Soares também se esqueceu de informar quem é o pai do executivo e identificar pelo menos algum de seus irmãos. Pura falta de apuro jornalístico de Kadu, que é formado pela Fundação Casper Líbero.
Fazendo uma pesquisa na Internet, observamos que Júnior Camargo é o apelido do empresário José de Camargo Júnior, cujo pai e fundador da 89 FM foi um político da ditadura militar ligado ao Paulo Maluf. Júnior, que é irmão caçula de João Ernesto Camargo, compartilha com este as ações da 89 e, além disso, o presidente da "rádio rock" também administra a Rádio Disney, franquia da marca estadunidense que, no Brasil, se dedica a tocar pop dançante e sucessos brega-popularescos.
A 89 FM se vale mais pela robusta estrutura empresarial que compensa a programação fraca da emissora, que nunca cobriu o básico da cultura rock, só mantendo o foco no hit-parade, salvo honrosas exceções. Sua história, quando muito, se resumiu a programas específicos como Rock Report, Comando Metal, TV Leezão e a retransmissão do Novas Tendências.
Fora isso, soa um equívoco dizer que a 89 é rádio de "24 horas de puro rock'n'roll". Dizer que é"rádio alternativa", então, soa patético para uma emissora que, nos anos 1990, se consagrou como uma "Jovem Pan com guitarras". Na maioria da grade diária, a 89 se comporta como uma rádio pop comum, somente com o vitrolão roqueiro, por sinal restrito aos "sucessos" e com locutores do mesmo estilo da Jovem Pan, Mix e similares.
A "rádio rock" só funciona de alguma forma no horário noturno, entre as 22 horas e a meia-noite, quando ocorrem os chamados programas específicos, apresentados por músicos ou jornalistas especializados. Muito pouco para tamanha glorificação feita por uma matéria da Rolling Stone Brasil que mais parece uma propaganda do que uma reportagem. Saudades dos tempos da antiga Rolling Stone Brasil de Luiz Carlos Maciel.

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