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POR QUE TANTA FIXAÇÃO COM A IDADE MÉDIA?


No mercado literário, sempre existe um meio de fugir do Conhecimento.

O mercado, que já acolhe a literatura fake do Espiritismo brasileiro, apesar do próprio Allan Kardec rejeitar obras farsantes enfeitadas com nomes de mortos ilustres, sempre inventa qualquer bobagem para evitar que o Saber se manifeste na sua mais autêntica concepção.

Já inventaram cachorros com nomes de músicos estrangeiros, livros para colorir e draminhas juvenis cujas capas de discos mostram meninas aflitas correndo dentro de uma floresta.

Aventuras de bonecos de Minecraft, diários de youtubers sobre coisa nenhuma, só falta haver romances de Pokemon Go. E já tivemos livros para colorir, tidos como "não-ficção", vejam só!

Há livros de auto-ajuda, vários deles com rótulos da moda, como "inteligência emocional" e "neurolinguística" outrora e, agora, "coach administrativo", principalmente aqueles "engraçadinhos" que agora usam o palavrão do "f***-se".

Está certo que as pessoas leiam livros como entretenimento e relaxamento, mas abrir mão de Conhecimento, não dá.

Digo isso porque existe uma resistência muito grande em ler Esses Intelectuais Pertinentes..., livro que explica o golpe político de 2016 através de fatos culturais.

O que me incomoda não é porque é um livro meu que não é lido, porque não sou afeito ao desperdício de tamanhas vaidades pessoais.

O que me incomoda é que o livro traz questões novas, problemas importantes os quais eu descrevi como fruto de muita pesquisa e paciência.

É porque o livro tem na capa ídolos muito queridos do público médio, e o conteúdo anunciado é crítico?

É medo de sair de zonas de conforto, porque o livro nada tem de estranho.

Tive paciência até para reproduzir ataques que um historiador de Minas Gerais fez às minhas críticas aos fenômenos popularescos que hoje dominam a mídia.

Não é um livro de ataques. Eu reproduzi as declarações de intelectuais envolvidos, e as críticas são bastante objetivas.

É um trabalho jornalístico que eu tive a dureza de desenvolver, movido pela grande questão: como o tal "combate ao preconceito" da campanha pela bregalização do país resultou no caminho que deu do golpe contra Dilma Rousseff até a ascensão de Jair Bolsonaro?

Esquerda e direita mainstream odeiam Esses Intelectuais Pertinentes..., a primeira por ver no livro uma demolição de reputações de intelectuais badalados, a segunda por "chover no molhado", achando que "todo intelectual petralha é um lixo".

Portanto, o meu livro Esses Intelectuais Pertinentes... já é considerado o livro mais polêmico do ano, sem exagero.

Não são polêmicos os best sellers surreais que desde 2015 contaminam o mercado literário.

Isso apesar do ridículo de haver livros para colorir num contexto em que jornais impressos estão em extinção e esses desperdícios literários não necessitariam ser publicados, porque basta publicar um desenho em branco na Internet e o leitor imprimir por conta própria para colorir.

E o que chama atenção hoje é a profusão de títulos de ficção medieval, de supostos enigmas que se tornam o mistério a ser resolvido por cavaleiros medievais.

Que tanta fixação é essa pela Idade Média? Que proveito têm as aventuras ambientadas em oito, nove séculos atrás?

Procurar medalhinha, enigma tal, princesinha prisioneira, segredo de não se sabe o quê, tudo é fácil. Difícil é resolver os problemas existentes no Brasil de hoje. E mais difícil ainda é admiti-los.

Esses Intelectuais Pertinentes... descreve problemas do Brasil de hoje e os brasileiros, mesmo os de esquerda, não querem saber.

Depois não reclamem quando alguém lhes chama de alienados, com a imaginação perdida em algum feudo gótico do século XIII...

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