Um artigo de Bepe Damasco publicado no portal Brasil 247 sugere que Lula deveria se ausentar dos debates presidenciais do primeiro turno, sob o pretexto de evitar ser atacado pelos concorrentes. A tese, que havia sido também manifesta pelo fundador do portal, Leonardo Attuch, é tida como um ato de “prudência”, uma "estratégia" para não prejudicar o desempenho eleitoral do petista.
Escreveu Bepe, em sua coluna: “Só que a postura cordata e educada dele nos debates dos quais participou, em todas as eleições do período da redemocratização, vem sendo aproveitada pelos adversários para atacá-lo e mantê-lo quase sempre na defensiva”.
No entanto, a atitude de faltar aos debates teve um custo caro para o petista. Em 2002, faltar aos debates do SBT e da Record impediram Lula de furar a bolha de seus seguidores e teve uma vitória apertada nas eleições. Devido à ausência no debate, Lula teve que encarar o segundo turno, ele que queria vencer no primeiro. O não enfrentamento fez Lula só falar para os “convertidos”.
E hoje, com a pressão da narrativa bolsonarista nas redes sociais, Lula pode ter um placar mais apertado. É triste ver Lula querendo se manter no poder a qualquer custo, manipulando a campanha presidencial antes dela acontecer, com claros indícios de trapaça.
Eis aqui uma narrativa do.lulismo, compartilhada por um colaborador do Brasil 247, querendo dissociar Lula da própria polarização que ele representa:
“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva preservou sua vantagem na conquista moral da bandeira anticorrupção e continua liderando as intenções de voto para o Palácio do Planalto no segundo turno, fora dos parâmetros da polarização observados até a revelação do envolvimento do senador Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. É o que aponta pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, com margem de erro de 1 ponto percentual, divulgada nesta quarta-feira”.
É uma grande incoerência. Polarização não é apenas o bolsonarismo, mas também o lulismo. E Lula torna-se o maior motivo da polarização, pois são dois lados em disputa, ou seja, dois polos. Foi a partir do antipetismo que surgiu a polarização e os dois lados tentam ser vitoriosos mesmo no empate.
Lula se acha dono da democracia e demonstrou que não é uma pessoa de luta. Um homem de coragem enfrentaria debates mesmo com medo e riscos de fracasso. O enfrentamento seria uma demonstração de honra, perseverança e busca da verdadeira vitória. O estrategista não é aquele que foge do debate, mas busca enfrentar e improvisar argumentos para derrotar o adversário.
Mas até Bepe Damasco admitiu que Lula é um mau debatedor e isso faz com que o presidente em busca de reeleição se torne um covarde, incapaz de vencer pelas naturais qualidades, preferindo a trapaça, a propaganda enganosa e o oportunismo, preferindo vencer na marra do que ter a humildade de competir de verdade. Com isso, cai por terra a tese de que Lula é um candidato competitivo, pois o verdadeiro competitivo não foge, enfrenta.

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