Tive que ver, no meu ambiente de trabalho, a partida entre as seleções brasileira e japonesa de futebol. Pude conhecer um pouco o canal Cazé TV e ver a sua estrutura profissional, com narração ao nível das grandes redes de TV, embora os comentaristas mostrem um ranço de influenciadores digitais e, nas legendas do canal, frases persuasivas do tipo “Quem não acorda com confiança é maluco’ e “Eu quero muito esse hexa” fossem mostradas na tela.
As reportagens mostravam uma euforia descomunal. Pessoas com alegria de crianças de cinco anos de idade felizes e esperançosas por mais uma vitória fácil no futebol. A única ressalva é o profissionalismo da repórter Fernanda Gentil, bastante competente em sua cobertura.
Nem vou detalhar muito o desempenho da Seleção Brasileira de Futebol, apenas definindo como regular. Mas o clima de conto de fadas se deu quando o primeiro tempo foi marcado por um gol feito pela seleção do Japão. Um drama que entristeceu a torcida, que no entanto não se conformou e vibrou para a virada do placar, que se deu no segundo tempo, com o time brasileiro marcando dois gols.
A histeria foi total, mas passados alguns minutos do fim do jogo, a “felicidade sem fim” terminou e a vitória de um time, obsessão de uma grande parcela de brasileiros, perdeu a razão de ser. Isso dá margem a muitas contradições.
O fanatismo pelo futebol não traz benefício algum. Quando um tome ganha, o lucro vai para os jogadores e a equipe técnica (treinador incluído), para a mídia, os empresários e os patrocinadores. O povo torcedor é o que mais perde com essa “paixão”. Ele gasta dinheiro para vários fins e nada recebe de volta, descontando o elemento abstrato da alegria simbólica.
Daí o infantilismo. Se a única maior felicidade do brasileiro é ver uma taça na estante da CBF, então o Brasil ainda está no seu jardim de infância, bem longe de qualquer hipótese de se tornar um país desenvolvido.

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