Existe uma coisa esquisita, entre os EUA e o Brasil. Nos EUA, jovens com menos de 30 anos de idade estão ouvindo sons mais antigos. Não apenas um passado relativamente mais recente, como o som dos anos 1980, mas veteranos ainda mais antigos, como Fleetwood Mac, Bob Dylan e os pioneiros da Invasão Britânica dos anos 1960, os Rolling Stones e os dois remanescentes dos Beatles, Paul McCartney e Ringo Starr.
Em contrapartida, no Brasil, pessoas com mais de 30 anos mergulham fundo na mediocridade musical dos sucessos popularescos e, quando há alguma nostalgia, ela se situa nas breguices que fizeram sucesso comercial há 30, 40 e 50. Michael Sullivan, É O Tchan, Gretchen, Odair José, e a versão de “Evidências” com Chitãozinho & Xororó.
É preocupante que,num momento em que uma parcela privilegiada da sociedade brasileira vive uma megalomania crônica, se achando dona do mundo e ávida pela entrada do Brasil no Primeiro Mundo e no protagonismo mundial pleno,o cenário cultural esteja tão devastado.
É um país com apenas 526 anos de existência e que ainda precisa aprender a resolver seus problemas internos antes de querer se pavonear para o mundo. Se os EUA são um país imperfeito, isso é verdade, mas lá existe Educação de qualidade e as pessoas buscam aprimoramento cultural de alguma forma, pelo menos antes de se atrever a qualquer narcisismo ou cogitar um repertório de desculpas para qualquer coisa.
Até quando se curte rock no Brasil as pessoas se comportam mais como aqueles tiozões de food truck, que só conhecem um punhado de hits de rock antigo, mas acolhem mediocridades como Guns N'Roses e estranhos no ninho como Michael Jackson. E haja gestos do capeta com as mãos e linguinha para fora.
Como o Brasil pode levar a sério um cenário cultural desses, em que sucessos infanto-juvenis como “Ilariê”, “Lua de Cristal”, “Superfantástico” e “He-Man” são promovidos a “canções de protesto”. Só que protesto de quê? Só se for pela falta do que protestar.
E desde quando “Evidências” e “Um Dia de Domingo” são “clássicos”? Só para quem vive de viralatismo cultural. Músicas como estas são reles rascunhos malfeitos diante das belas canções pop dos EUA nos tempos áureos.
E há quem acredite que rios de dinheiro de incentivos culturais irão melhorar a música brega-popularesca. Nunca se investiu tanto dinheiro para promover esses sucessos chinfrins e nunca seis ídolos faturaram tanto. Tudo em vão. Artisticamente, soa mais um desperdício do que um investimento.
E os adolescentes dos EUA ouvem David Bowie, Fleetwood Mac, Bob Dylan, Pink Floyd, Byrds, Steve Miller Band (não só “Abracadabra”, lembremos) e, quando fazem aniversário, tocam “Birthday” dos Beatles. E aqui? Marmanjos tocam Xuxa na comemoração do aniversário. Neste caso, em vez de dar parabéns a essa gente grande, devemos dar pêsames. Assim o Brasil não vai pra frente, já que insiste em andar para trás.

Comentários
Postar um comentário