O PRESIDENTE LULA DURANTE ENTREVISTA COLETIVA EM GENEBRA.
Uma gravação de um trecho da reunião dos líderes do G-7 em Evian, na França, o presidente brasileiro Lula, membro convidado do evento, afirmou que “nunca foi esquerdista”, jogando uma pá de cal na imagem idealizada de seus apoiadores de que ele era um “lider revolucionário”.
Fazendo pesquisas sobre a biografia de Lula para o livro Lula -Uma Decepção, que critica o terceiro mandato de Lula sem sucumbir aos clichês bolsonaristas, pude verificar que Lula, originalmente, era apolítico. Seu irmão, Frei Chico, é que insistiu em transformá-lo num líder sindical e o fez estudar oratória.
Lula até se dispôs a fazer pautas progressistas significativas. Mas sempre foi moderado, com talento de negociador, que nos melhores momentos o fez um democrata e, nos piores, um pelego. E já dá para perceber que o mandato 3.0 de Lula agradou mais a burguesia do que o povo pobre.
O mundo neoliberal, incluindo tecnocratas da economia e do setor financeiro, se entusiasmam com Lula. Isso não é de graça. O petista, com suas concessões e a suavização de seu projeto político, deixou de lado as classes populares, que passaram a receber salários de fome e somente uns precários auxílios financeiros e facilitação do crédito. Enquanto isso, financia o entretenimento com generosas verbas dos incentivos fiscais.
A decepção do terceiro mandato de Lula é notada pelas classes populares. Mas elas estão longe de dominar as narrativas das redes sociais, cuja hegemonia vem da classe média abastada. Quem ganha mais de cinco salários mínimos dita a forma como se deve ver o mundo, independente dessa visão ser delirante ou não.
Por isso mesmo reina narrativa de que Lula é o “presidente dos pobres”, visão que deixou de ser realidade. O Lula amigo do povo “morreu” em 2018, na sua ida à prisão. Hoje Lula é a mascote da Faria Lima, com a qual finge fazer tretas, quando nos bastidores vivem em absoluta cumplicidade.
Os seguidores de Lula podem até argumentar que o"não esquerdismo" do presidente seria uma "maneira de dizer" para certas plateias conforme as conveniências. Mas a verdade é que o esquerdismo de Lula, se existiu, acabou em 2022, e hoje o presidente paga baixos salários, não freia a carestia dos preços nem combate os juros altos. Assim, Lula demonstra ser a mascote da Faria Lima.

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