SELEÇÃO BRASILEIRA EM 2002 - Gols fáceis demais que abafaram jogadas medíocres.
Não é preciso gostar ou entender de futebol para desmentir as narrativas que tentam engrandecer o medíocre desempenho da Seleção Brasileira nas eliminatórias e na Copa de 2002, há cerca de 25 anos. Virou onda falar do medíocre time comandado pelo técnico Luís Felipe Scolari, o Felipão, como “genial e grandiosa”, sobretudo quando se discute o empate que a Seleção sofreu quando enfrentou a seleção do Marrocos, no sábado passado.
A narrativa é construída por uma campanha da mídia que, através da fragmentação de cenas dos jogos, evidentemente destacando os momentos de gols marcados pelos jogadores brasileiros, procura explorar comercialmente o legado da desastrosa Copa de 2002. Afinal, alguns desses jogadores do “penta” seguem com contratos publicitários muito rentáveis.
Além da mídia empresarial, as narrativas são espalhadas pelas redes sociais por gente que foi criança ou adolescente em 2002, que mal conseguiu compreender o que realmente foi o desempenho da Seleção Brasileira e que só recorda o momento dos gols e alguns segundos que o antecederam. Apenas um recorte de memória que foi temperado pela cobertura sensacionalista da mídia.
Trata-se de uma pegadinha. A mídia esconde as jogadas pachorrentas da Seleção e mostra apenas as jogadas marcantes, que não passam apenas de uns poucos minutos de jogo. Mas a cobertura desses gols ganha um discurso pomposo, com falsas analogias a antigas goleadas, que fazem 2002 parecer um pretenso 1970 em termos de espetáculo futebolístico.
A verdade é que a Seleção Brasileira de Futebol teve uma performance medíocre na campanha de 2001-2002. Nas eliminatórias, a atuação foi tão ruim que o time brasileiro quase ficou de fora na referida competição. A estranha “desistência” da Seleção do Chile abriu caminho para os verde-amarelos buscarem sua vitória marcada por irregularidades.
O time brasileiro era medíocre no campo. Suas jogadas não eram seguras, perdiam tempo fazendo passes de bola no campo de defesa, sem apresentar uma atuação ofensiva. Até pelada de várzea empolgava mais do que os jogos da Seleção Brasileira em 2002.
A Seleção Brasileira de Futebol não ousava nos dribles, não tInha o entrosamento pelo fato dos jogadores terem origem dispersa, alguns em times estrangeiros. Houve também um juiz que errou numa das faltas e, em outro jogo, Ronaldinho Gaúcho perdeu a cabeça e foi expulso de campo. Por outro lado, foi estranho demais que as seleções mais fortes tivessem sido derrotadas enquanto um time fraco buscava uma vitória fácil demais.
Mais tarde, livros sobre a corrupção nos bastidores do futebol mostraram que interesses empresariais direta ou indiretamente ligados às copas foram publicados, demonstrando as ambições do presidente da FIFA, João Havelange, e do presidente da CBF na época, Ricardo Teixeira.
Marcas como Nike e Coca-Cola também tinham interesses com a vitória da Seleção Brasileira de Futebol em 2002, garantindo faturamento em verbas publicitárias em níveis vantajosos. A própria mídia, brasileira e internacional, tinha também suas ambições com a vitória dos jogadores brasileiros.
Tudo indica que em 2002 o que ocorreu foram jogos de traves marcadas. Os resultados teriam sido comprados. Numa sociedade hipermidiatizada, faz sentido acreditar que a Seleção Brasileira de Futebol teria sido genial em 2002. A edição de imagens da mídia garante o espetáculo. Mas os verdadeiros dribles ocorreram nos bastidores, através da sagacidade de Ricardo Teixeira. Foi ele quem fez as maiores jogadas, para garantir a vitória e a glória de um time fraco.

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