SE ACHANDO VENCEDOR POR ANTECIPAÇÃO, LULA DECIDIU FUGIR DOS DEBATES PRESIDENCIAIS DO PRIMEIRO TURNO.
Não é segredo algum que Lula desenvolve um clima de "já ganhou" desde que começou o terceiro mandato. A ilusão da certeza de que vai para o quarto mandato, visando sua consagração pessoal, o faz recusar a ir a debates no primeiro turno.
Ontem Lula oficializou a sua candidatura na cerimônia do PT em São Paulo e, entre as cinco prioridades, não incluiu pautas trabalhistas. Falou em políticas de combate ao feminicídio, pela qual Lula disse não querer o voto de agressores de mulheres, política de assistência aos idosos, política de defesa e segurança, além de exploração de minerais estratégicos (terras raras e minerais críticos), e, de forma vaga, "transformação pela educação". É a partir desse contexto que Lula já se impõe como "vitorioso", se recusando a ir a debates na televisão.
Com um texto meramente especulativo e cheio de juízos de valor, o fundador do Brasil 247, Leonardo Attuch, escreveu em sua coluna da última sexta-feira que Lula “está certo” na sua intenção em faltar aos debates presidenciais de primeiro turno.
Attuch se baseia na entrevista que Lula deu ao podicaste Inteligência Ltda., na qual o presidente em busca de reeleição deu a seguinte declaração, com indisfarçada arrogância: “Eu, como presidente da República, não vou para debate para ouvir bobagem. Não vou. (…) Fazer debate com cara que não tem compromisso com ninguém?”.
Leonardo Attuch tenta argumentar de forma “lógica” a tese de que Lula não deveria comparecer aos debates, que o colunista julga “desnecessários”:
“Os debates de primeiro turno deixaram há muito tempo de ser espaços para a apresentação séria de propostas. Transformaram-se em arenas de provocação, lacração, produção de cortes para as redes sociais e ataques coordenados contra quem ocupa a liderança”.
Segundo Attuch, Lula seria o alvo central dos ataques dos adversários, mas o colunista acaba cometendo o equívoco, mostrando a fraqueza de Lula através de outro trecho da coluna:
“Candidatos como Romeu Zema, Ronaldo Caiado e Renan Santos têm tudo a ganhar em um confronto direto com Lula.
Para eles, um único minuto de embate com o presidente já seria uma vitória. Poderiam recortar a cena, espalhá-la pelas redes e fingir uma relevância que hoje não possuem”.
Então Lula é fraco, ele é um medroso. Se Lula tivesse jogo de cintura, ele teria justamente que comparecer aos debates e desmascarar seus adversários um a um. Lula não é considerado um “gigante”? O Brasil 247 não encomendou uma imagem de IA com Lula gigante agachado diante de um Milei pequenininho?
Lula também age com arrogância pois sua recusa em enfrentar os debates demonstra que sua defesa da democracia é conversa fiada, que o petista acha que pode ganhar na trapaça, na recusa em encarar concorrentes e achar que só ele é que representa a salvação do Brasil e do mundo. Puro sinal de profunda presunção, que se choca com a retórica da defesa da democracia.
Quanto à “falta de propostas” dos rivais, isso é um julgamento de valor de Attuch, mesmo quando os demais candidatos sejam, a princípio, mais conservadores em seus projetos. Na campanha de 2022, Ciro Gomes, por exemplo, tinha propostas, contava com programa de governo lançado até em livro.
Lula é que, confiando demais no seu carisma, não teve um programa de governo. “Não perguntem o que vou fazer. Perguntem o que eu fiz”, disse Lula certa vez em uma entrevista, confiante na zona de conforto de suas realizações passadas. E a ausência é que foi um erro estratégico.
O público acostumado com televisão, lembrando que, apesar da hegemonia atual das redes sociais e do streaming, a velha TV dos anos 1990 e 2000 ainda ditam os padrões culturais e os hábitos dos brasileiros, viu o debate presidencial e, notando a ausência de Lula, decidiu não votar nele.
Lula não saiu da bolha de seus seguidores e, sem participar dos debates, perdeu a chance de vencer no primeiro turno na campanha passada. No segundo turno, venceu de forma apertada, com diferença sobre Jair Bolsonaro que equivale a população de Manaus, que não é uma das maiores capitais estaduais no Brasil.
Agora Lula conta com a bolha de seguidores ainda menor do que antes, apesar das supostas pesquisas de opinião declararem o contrário. A aparente decadência de Flávio Bolsonaro pode fazer com que seus defensores reajam com mais convicção, pois eles não acreditam nas narrativas feitas pelos lulistas.
O que pode também acontecer é que Lula, estando “invisível” no debate presidencial, pode ser passado para trás pelos candidatos que compareceram. A ausência de Lula só será defendida por sua bolha de seguidores, mas fora dela haverá uma rejeição, pois o petista será visto como um “fujão”, fossem quais as muitas justificativas dos lulistas. E, sem Lula, concorrentes como Ronaldo Caiado, Renan Santos e Romeu Zema poderão crescer na campanha presidencial.
Portanto, Leonardo Attuch está errado quanto ao fato de que Lula, faltando os debates, estaria levando vantagem. A experiência de 2022 provou tamanho erro, com Lula perdendo a chance de furar a bolha e tendo que encarar o segundo turno das eleições. Com menos popularidade que há quatro anos, as “chances reais” de Lula vencer no primeiro turno serão apenas um sonho a se dissolver na realidade.

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