LULA E A BURGUESIA ILUSTRADA QUEREM DOMINAR O MUNDO.
É preocupante a obsessão do presidente Lula, como se não bastasse sua doentia ambição em vencer as eleições na marra, em querer botar o Brasil prematuramente no Primeiro Mundo. Ainda social e culturalmente devastado, nosso país precisaria de rupturas violentas, em todos os planos ideológicos e em vários âmbitos socioculturais para estarmos no nível próximo ao de um país desenvolvido em padrões razoáveis.
Infelizmente, isso não é possível. Ser um país desenvolvido não é somente ter a Economia em ordem. Para um país que viu Lula, no seu terceiro mandato, priorizar a política externa enquanto forjava uma “reconstrução” que terminou sem começar, promover o Brasil como uma grande potência é um delírio que, em vez de aplausos, mereceria um tratamento psicanalítico dos mais sérios.
Afinal, a conversa de que nosso país “está pronto para o desenvolvimento” não atende a interesses do povo brasileiro, que continuará abandonado e sofrendo as mesmas adversidades e infortúnios, mas a um burguesia flexível que acolheu em seu seio os “pobres de novela” e a comunidade woke.
Assusta, e muito, o complexo de superioridade da elite do bom atraso, com seus empresários, jornalistas, acadêmicos, intelectuais, famosos, publicitários e qualquer um que siga seu embalo. O pedantismo de quem fala demais nas conversas cotidianas mostra uma preocupação de uma parcela de brasileiros em julgar a realidade sem compreender um décimo da mesma.
Vemos a “imprensa de escritório”, a “frente ampla” midiática que, comandada pelas grandes corporações (Globo, SBT, Folha, Abril, Estadão, Band), acolhe da Carta Capital à Super Rádio Tupi, da revista Oeste à revista Fórum, de O Antagonista ao Diário do Centro do Mundo. E isso sem citar os portais de Internet, como Terra, IG e MSN. Essa mídia trabalha os fatos como se eles não tivessem autonomia, daí os passaralhos que tiraram do caminho jornalistas com visões de mundo mais verdadeiras.
O pedantismo desse jornalismo meramente cartorial tenta fazer juízos de valor e, às vezes, se encanam em querer substituir psicólogos e nutricionistas. Tentam fazer bonito reproduzindo frases de filósofos, embora a irresponsabilidade de certos veículos insiram também frases de famosos que, pelas “lições de moral”, são vendidas como “filosóficas”.
A cultura musical apreciada no Brasil também preocupa. Há contrastes entre o público jovem que, lá fora, redescobre o rock clássico, o rock alternativo e o folk, e o público adulto que, no nosso país, curte a mediocridade musical mais constrangedora.
Aqui o pop musical brasileiro é datado - ele segue fórmulas copiadas do que fez sucesso nos EUA há mais de 25 anos - e a “nova” MPB soa domesticada, inócua e sem vigor artístico. Os insossos Jão e Anitta são tratados como se fossem a “salvação do planeta”. De revival, o brega vintage abre as portas para a nostalgia fabricada do “pagode romântico” dos anos 1990, enquanto a “cantora” Xuxa, de graça, recebe a reputação de “cantora de protesto” e Michael Sullivan tenta ingressar em espaços na MPB que ele quis destruir.
Que Brasil desenvolvido esperaríamos neste quadro? Nenhum. E ainda temos muita violência, não só a formal do crime organizado, mas também de violências feminicidas, fratricidas, parricidas e vicaricidas cometidas por pessoas tidas como “boas”. Temos também o obscurantismo religioso de “pastores” e “médiuns” a desnortear as consciências da multidão ludibriada.
Num país assim, não dá para desejar o status de desenvolvido. Nosso país teria muito trabalho, arrumar a casa e mudar hábitos será duro. O país está acostumado a um padrão de culturalismo originário da ditadura militar. A obsessão de Lula pela entrada do Brasil no Primeiro Mundo acaba se tornando mais uma neurose do que um desejo justo. Uma neurose que nada trará de benefícios ao povo excluído, mas às elites do privilégio brasileiras que querem dominar o mundo.
Se a juventude dos EUA começa a assumir uma recuperação cultural, não será a mediocridade brasileira que irá barrar esse caminho. O Brasil deveria abandonar de vez a Síndrome de Dunning-Kruger e ficar na sua, descendo do pedestal. Arrumar acasa antes de se ostentar ao mundo previne nosso país de passar vergonha no futuro.

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