
O QUE LULA MAIS FEZ FOI, ALÉM DE VIAJAR, DISCURSAR, DESPERDIÇANDO METADE DO SEU MANDATO COM ESTAS FRIVOLIDADES.
Uma entrevista que o frade dominicano, teólogo, escritor e ex-militante de esquerda que lutou contra a ditadura militar Frei Betto, dada ao jornalista e humorista Marcelo Tas no podicaste Provoca, fez uma crítica consistente às esquerdas brasileiras. O frade comparou a situação das esquerdas com a da Seleção Brasileira de Futebol durante a derrota pela seleção da Noruega na Copa do Mundo de 2026. Disse Frei Betto:
“É uma esquerda que não se inovou. Ainda não foi capaz de encontrar seu caminho (...) a esquerda, infelizmente, abandonou o trabalho de base. Hoje você não encontra núcleos dos partidos progressistas nas favelas, no sertão, no meio dos sem teto, dos sem terra… você não encontra como você encontrava nos anos 70 e 80, inclusive durante a ditadura”.
Frei Betto tem razão. Afinal, vemos que, na prática, as esquerdas, como um movimento vinculado às forças populares, não retomaram o poder em 2022. As esquerdas apenas negociaram espaços políticos dentro de um cenário dominado pela direita desde 2016 e nosso blogue já alertou isso há tempos.
Além do fato das causas trabalhistas terem cedido espaço para a cultura woke, que são os movimentos identitários, as esquerdas médias, através da figura central de Luís Inácio Lula da Silva, reduziram seu projeto político ao mínimo denominador comum dos projetos sociais que não representassem risco aos interesses dos mais ricos.
Querendo buscar vantagens políticas, Lula deixou de lado as bases populares. Como um pelego político, ele ficou dependente das classes dominantes. Não fez a prometida recuperação do país e caiu em contradição em falar de um “Brasil em ruínas” e, depois, promover um clima de festa com uma “reconstrução” que terminou sem começar, com uma “colheita” sem plantação.
Lula se comporta como um mau aluno que, matriculado numa escola, passa o ano inteiro se ausentando das aulas - a famosa prática de “matar aula” - e, só no final, tenta correr contra o tempo para não ser reprovado, se dando ao luxo de não querer comparecer a certas provas de recuperação.
O presidente brasileiro perdeu praticamente um ano inteiro com política externa, incluindo uma risível proposta de paz para Ucrânia e Rússia. Ou seja, Lula queria reconstruir a Ucrânia antes do Brasil. Depois, Lula foi discursar e cometeu muitas gafes, o que influiu na queda de popularidade.
Só quando sentiu, mesmo nas supostas pesquisas de opinião, que sua popularidade está em queda, que Lula resolveu agir, e mesmo assim com desempenho aquém do desejado. Com seu governo medíocre, Lula perdeu uma grande oportunidade de fazer diferença no governo do Brasil. Com baixos salários, preços caros e impostos numerosos e elevados, Lula não conseguiu compensar com créditos e auxílios, pois estas são ações paliativas.
Com esse pouco caso com as causas trabalhistas e os projetos sociais, colocando acima disso a sua consagração pessoal, Lula se afastou das bases populares. Amigos íntimos e aliados de longa data de Lula não cansam de dizer para as classes populares irem para as ruas reivindicarem seus direitos ao presidente brasileiro.
Mas de que adianta? Lula parece viver pelos seus instintos e impulsos. Só pega uma pauta social se as conveniências pedirem. Daí que, diferente dos dois mandatos anteriores, quando Lula mostrava serviço, o terceiro mandato foi marcado pela publicidade e pelos simulacros de ações (relatorismo, opiniões, promessas etc). O povo não aguenta esperar e já suportou quatro anos. E ninguém é tolo para aceitar mais uma promessa de transformar dada por Lula.
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