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SERÁ PRECISO DESENHAR PARA EXPLICAR 'ESSES INTELECTUAIS PERTINENTES'?


Será preciso explicar as pessoas a respeito do propósito de Esses Intelectuais Pertinentes...?

Há pessoas que ficam naquela mania de quem "leu sem ter lido", fazendo resenha do nada, comentário na base do achismo, achando que o conteúdo do livro já foi publicado na Internet.

De jeito nenhum. Eu posso dar a falsa impressão disso, mas é porque não vou dar aqui o conteúdo de bandeja, que é diferente do que o leitor médio imagina que o livro contém.

Vale lembrar que, para aqueles que leem Música Brasileira e Cultura Popular em Crise, o livro Esses Intelectuais Pertinentes... complementa, e muito, a análise em torno de nossa crise cultural.

Claro que não é um volume dois, nem mesmo enrustido, como nessas sagas de cavaleiros medievais e adolescentes sofredoras que dominam os best sellers do mercado literário existente no Brasil.

Mas o livro traz mais informações a respeito do que causou essa crise, com mais detalhes e enumerando os intelectuais que contribuíram para a crise cultural.

É até gozado que esses intelectuais pró-brega falam tanto em "combater o preconceito". Mas a verdade é que Esses Intelectuais Pertinentes..., que denuncia essa falácia, é que é vítima de preconceito.

Imagine o isentão tudólogo fazer resenha e julgamento do livro que não leu. Um sujeito que apenas arruma as palavras e se acha com argumentos e respostas prontos para tudo, mas que apresenta sérios problemas na manifestação de ideias de que ele não faz ideia do que realmente são.

Vamos destacar, aqui, que existe o medo de ver cair intelectuais tidos como "queridos" e "influentes" que defendem a bregalização cultural que diverte a moçada que fica usando o WhatsApp o tempo todo.

Tanto que, no contexto do nosso país, em que, quando não dá para esconder um erro, cria-se um bode expiatório para levar a culpa sozinho, jogou-se a culpa da glamourização da pobreza na figura de Regina Casé, só porque ela teria feito um comentário elitista.

Pensa-se que ela era a faz-tudo no Central da Periferia, quando, na verdade, quem comandava a produção e o plano inicial dos roteiros era o antropólogo Hermano Vianna, da "santíssima trindade" de intelectuais junto a Paulo César de Araújo e Pedro Alexandre Sanches.

Não são só eles os focos desse trabalho. Há outros intelectuais analisados. Busquei textos que, em boa parte, eu não analisei nos antigos blogues Mingau de Aço e O Kylocyclo nem neste presente blogue.

É uma grande preguiça não ler Esses Intelectuais Pertinentes por achar isso, aquilo e acolá, fazendo julgamento de valor daquilo que não leu.

O livro é caro? Nem tanto assim. Com mais de 250 páginas de muito texto, é até mais barato que muito best seller que, apesar de suas 280 páginas, desperdiça papel com textos de fonte grande, páginas em branco, ilustrações e capítulos ilustrados em duas páginas de cada enunciado.

Sem falar que esses livros, sim, são séries de oito, dez, doze volumes ou mais, e o resultado final dá mais de R$ 300 de custo financeiro.

E o que dizer do público médio que também fuma e bebe muita cerveja, capaz de gastar, por mês, até R$ 500 por mês para essas porcarias?

Eu tive o compromisso de transmitir conhecimento de verdade, coisa que muito "bestiséler" se recusa a oferecer, e nem mesmo a curiosidade das pessoas estimula a leitura de um livro revelador.

Antes de haver Sérgio Moro e sua seletividade jurídica ou o opinionismo constrangedor de um Rodrigo Constantino, tivemos antropólogos, cineastas, historiadores etc que achavam o máximo o povo pobre fazer papel de idiota no entretenimento midiático.

Tínhamos que aceitar, como suposta ruptura de preconceito, essa falácia de que o povo pobre fica feliz quando faz papel de imbecil nos palcos da mídia.

Esses Intelectuais Pertinentes... é um livro sobre a sociedade do espetáculo que alimenta o discurso desses intelectuais "tão legais" e seu discurso que, por não ser raivoso, não é necessariamente progressista.

Não digo que gostem do livro, mas que ao menos se dediquem a adquiri-lo. Com toda certeza, é bem mais barato do que comprar sagas de cavaleiros medievais. E, além do mais, o custo benefício torna-se muito, muito maior.
 

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