A tragédia pessoal de um feminicida não ocorre porque supostamente nós desejamos ou não que isso aconteça. Queiram ou não queiram, essa tragédia vem da própria personalidade tóxica do feminicida, que não tinha uma personalidade zen quando cometeu o crime e nem vira um primor de longevidade tempos depois.
O próprio feminicida constrói sua morte que de qualquer maneira reduz seu tempo de vida. Antes de cometer o crime, ele desenvolve um sentimento de ódio contra sua vítima, quase sempre uma esposa ou namorada cuja relação terminou ou está para terminar. Esse ódio lhe causa mal estar e isso mina seu organismo e, não obstante, lhe tira o sono, prejudicando seu rendimento físico.
Sua consciência, evidentemente, lhe adverte para não cometer o crime, mas a obsessão pelo ato lhe faz o coração bater acelerado, o que se agrava no exato momento do crime, que causa, no seu praticante, um desgaste energético que é apenas pequeno para causar algum problema de saúde, mas abala seu funcionamento de qualquer forma.
Depois do crime, o feminicida ainda abala seu organismo com um misto de arrogância, medo e irritação. Mesmo na frieza, o homem que comete esse crime desgasta seu organismo com o efeito psicológico que mistura sentimentos contraditórios de desafiar a sociedade com um dano irreversível e um medo de sofrer alguma represália. Um feminicida acaba vivendo um transtorno bipolar ao seu modo.
Com o tempo,o feminicida envelhece rápido e vive alternando emoções. Num momento, é o orgulho de ter eliminado uma pessoa que ele achava insuportável. Em outro, é o trauma de não poder, mesmo na impunidade, viver a vida que tinha antes. Em dada ocasião, é o arrogante provocador que justifica o crime cometido. Noutra, é o sujeito deprimido e atormentado que não pode voltar atrás em relação a um ato prejudicial.
Levemos em conta que boa parte dos feminicidas são alcoólatras, fumam cigarros, são negacionistas em relação à prevenção contra doenças e muitos são vulneráveis no volante. Alguns são viciados em drogas. Na pandemia, dados extra-oficiais indicam que mais de três mil feminicidas morreram de Covid-19, apesar do silêncio da mídia.
Estima-se que um feminicida tem uma expectativa de vida que, no máximo, atinge 80% da vida de um homem comum. A crença religiosa ou mesmo a manipulação midiática tentam fazer crer o contrário, mas a verdade é que um feminicida tem comportamento de risco, cujos males mais frequentes são o infarto, o câncer e os acidentes de trânsito.
Pelo temperamento, os feminicidas também podem ser vítimas de assaltos mesmo sem reação, pois só o semblante pesado já irrita um ladrão. E podem também ser assassinados por outras pessoas, já que o crime causa revolta. Por sorte, quase todo feminicida quando recebe ordem de prisão, não reage, mas quando reagiram, foram mortos pela polícia. E se um feminicida pode matar alguém durante uma discussão, pode ser morto em outra, se ele estiver desarmado e algum desafeto não.
Também as pressões morais e sociais de todos os lados fazem com que um feminicida se torne cada vez mais debilitado. Com a amplitude das redes sociais, um feminicida é capaz de receber ameaças de morte de internautas diversos. O simples “desabafo” de um machista tirar uma mulher “de circulação” acaba custando caro para ele que, embora possa viver muitos anos, acaba sendo sempre menos do que poderia viver. Machismo também mata machista.

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