
Infelizmente,a mistificação religiosa persiste e usa famosos para fazer propaganda enganosa para favorecer o Espiritismo brasileiro, que é o Catolicismo medieval redivivo e sob nova personalidade jurídica. A atriz Rita Guedes, no seu perfil no Instagram, mencionou um falso milagre para glorificar um farsante religioso que também foi uma das pessoas mais reacionárias da História do Brasil.
Rita descreve um episódio de infância, quando ela teve problema num dos pés, que sofria um inchaço que a impedia de andar. Ela mancava na ocasião e isso preocupava seus pais, que chegaram a procurar tratamento médico e fisioterapia. Em dois anos, o problema se agravou e o pai da atriz teve a ideia de apelar para o misticismo para curar a doença da filha.
E aí o obscurantista religioso foi procurado, num famoso “grupo espírita” de Uberaba, no Triângulo Mineiro. A família de Rita Guedes e alguns amigos resolveram fazer preces e,consultando o famoso “médium”, ele aconselhou a família - originária da cidade de Catanduva, no interior paulista - a, pasmem, encher uma jarra de água e se reunir em casa para uma sessão de preces.
Por uma mera coincidência, o pé infectado da então criança Rita Guedes se curou e ela passou a andar normalmente. A família atribui isso a um milagre do mistificador, que na época era blindado pela Rede Globo de Televisão, a emissora que mais apoiava a ditadura militar na época e que via no "médium" de Uberaba uma figura estratégica para combater a Teologia da Libertação, movimento católico que estava denunciando as atrocidades do regime ditatorial.
EFEITO PLACEBO
Só que a “receita milagrosa” se explica não pela carteirada do “médium” diante de procedimento tão tolo. O efeito, na verdade, foi completamente nulo. Trata-se daquilo que se chama de “efeito placebo”, ou seja, quando uma solução inútil apenas inspira reações psicológicas positivas de dentro de cada pessoa. Ou seja, a pessoa tem a falsa impressão de que um suposto tratamento a curou, mas foi apenas sua sensação de bem estar que não dependeria de tais medidas.
No caso da jarra de água e das preces, a medida foi inútil. O que fez Rita Guedes se curar pode ter sido uma dieta alimentar que, aliada a uma hidratação constante, fez curar o problema da perna. Não foi a jarrinha de água na mesa e pessoas orando que fez o problema desaparecer. Isso não tem um pingo de lógica.
Não houve milagre. E nenhum mérito se pode dar ao “médium”, que agiu com o apuro “científico” pior do que a cloroquina que Jair Bolsonaro (que seria apoiado pelo referido “médium”), receitou para combater a Covid-19.
E os familiares de Rita Guedes não precisariam recorrer a este obscurantista da fé medieval para salvar a vida da então criança, pois havia meios de cura fora desse apego à fé tóxica do "médium" que em todas suas obras defendia que os sofredores aguentassem calados as suas desgraças.
É lamentável que uma atriz de talento reconhecido e indiscutível como Rita Guedes tem que apelar para essas tolices místicas, ainda mais depois de viver muitos anos em Los Angeles. Ela poderia ter aprendido lá a respeito das farsas religiosas, que até existem nos EUA, mas o pessoal de lá se esforça em desmascarar, enquanto no Brasil um farsante religioso tenta permanecer impune por mais de 90 anos.
Mas cada país tem um Maharishi que merece. Só que, se Maharishi não conseguiu se tornar uma “vaca sagrada” na Índia, o “médium” de Uberaba é protegido pelos grandes donos do gado zebu no Brasil. A mídia blinda e os famosos,na sua boa-fé, vão fazendo a propaganda do mistificador de estimação. Chamam de fé, mas é pura ilusão.
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