"CENTROS ESPÍRITAS" - Antros medievais por dentro de fachadas falsamente "modernas".
Uma religião que merece investigação é o Espiritismo brasileiro, versão repaginada do Catolicismo medieval jesuíta que vigorou no Brasil durante boa parte do período colonial e que usa como fachada a Doutrina Espírita francesa, da qual finge seguir e ser fiel mas comete vergonhosas e preocupantes traições doutrinárias.
A religião “espírita”, poucos sabem, é muitíssimo pior do que as seitas neopentecostais, que já são muito nocivas em diversos aspectos. É porque os neopentecostais são tão brutos que são incapazes de qualquer sutileza e nem para iludir e enganar as pessoas têm habilidade.
Os neopentecostais se enriqueceram com o sustento dos fiéis a partir da extorsão da fé dos pastores e “bispos”, além de receber subsídios de setores ortodoxos das elites brasileiras. Mas quem pensa que os “espíritas” são pobrezinhos e que vivem e se alimentam de luz e de livros “mediúnicos” pode tirar o burrico do temporal.
Na fachada, o Espiritismo brasileiro se vende como despretensioso, ecumênico, acolhedor, solidário, intelectualizado e, ao mesmo tempo, humilde e sofisticado. Se diz defensor do progresso humano e se vende como crença de “vanguarda”. Alguns exageram ao definir o Espiritismo brasileiro como uma “filosofia”.
Mas isso é só fachada.
Segui essa religião por 28 anos, entre 1984 e 2012, e pude ver o lado sombrio dessa religião em que todos parecem viver sempre sorrindo. As energias espirituais chegam a ser macabras e trazem muito azar nas vidas de seis seguidores. A desculpa são sempre as “provas e expiações”, o que derruba as impressões da fachada.
O moralismo “espírita” é bastante severo. O oprimido é aconselhado a sofrer as piores desgraças. O Espiritismo brasileiro culpabiliza a vítima e, passando pano nos opressores, estes são reduzidos a meros “instrumentos” de “provas e expiações”, o que é um contrassenso, dentro do jogo de interesses em uma sociedade desigual.
A inspiração desse receituário moral é a Teologia do Sofrimento, corrente radical do Catolicismo da Idade Média. Não é invenção a constatação de que o Espiritismo brasileiro é uma religião de inspiração medieval, e tanto isso é verdade que os “espíritas” evocam um padre jesuíta e medieval, o Padre Manoel da Nóbrega, como seu “pensador maior”.
A Teologia do Sofrimento, que prega que a desgraça humana é um “atalho para o paraíso”, influi mais no Espiritismo brasileiro do que as ideias de Allan Kardec. Isso é fato. Mas poucos reconhecem isso e cometem o erro grosseiro de atribuir os erros da religião brasileira ao pedagogo francês, que nada teve a ver com isso. É aquela coisa, os delinquentes fazem bagunça na sala de aula e quem leva a culpa é o professor.
Confuso, o Espiritismo brasileiro tenta dizer que “ninguém nasceu para sofrer”, renega no discurso que siga a Teologia do Sofrimento e prega a “felicidade verdadeira”. Mas, de maneira contraditória, pede para os oprimidos sofrerem calados para “não atrapalhar a felicidade de outrem” e acham que ficar feliz na desgraça é “garantia de bençãos infinitas”.
Os pregadores “espíritas” chegam a dizer, na sua hipocrisia com mel na boca, frases falaciosas do tipo “Dia de desgraça, véspera de bençãos” ou “O que são décadas de infortúnio diante da eternidade de bençãos”?
Na fachada, o Espiritismo brasileiro é “tudo de bom”: simplicidade e sofisticação, misticismo e intelectualismo, resiliência e positividade, trazida por pessoas que de tão sorridentes parecem bobas. Mas é só se aprofundar no “espiritismo à brasileira” que se verá uma sombria, macabra e azarenta seita que nada faz para melhorar a voda das pessoas, que são convidadas a aceitar sofrer caladas em troca de recompensas no Céu. Pimenta nos olhos dos sofredores, para o Espiritismo brasileiro, é refresco.
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