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OFICINA DE IDEIAS OU DE MOVIMENTOS BRAÇAIS?


A má repercussão da função de Analista de Redes Sociais e similares, um trabalho que poderia ser técnico e no entanto se torna mais um trabalho impertinente, com o empregado fazendo umas duas campanhas para o cliente da tal empresa de Comunicação, ou então indo para algum lugar para gravar propagandas para o Instagram.

Vemos o quanto essas empresas, que se comportam como se fossem consultorias de fundo de quintal, "oficinas de ideias" que mudam de nome a cada seis ou oito meses, dependem de influenciadores ou comediantes para projetar suas imagens, e fica fácil apelar para eles para obter visibilidade e prestígio.

O trabalho acaba ficando longe de qualquer propósito técnico. Em tese, um analista de redes sociais deveria ter atribuições de Publicidade e Propaganda, algum apuro que pudesse administrar a imagem do cliente, estudando seu desempenho nas redes sociais e suas maneiras para conquistar o público específico.

Em vez disso, o que se tem? Uma ligeira análise do desempenho de um cliente na divulgação do seu produto ou serviço nas redes sociais e, depois, uma criação de uma campanha que pudesse gerar efeito. Em seguida, o empregado vai para o local do cliente e grava um vídeo publicitário, caprichando na fala coloquial e, principalmente, nos movimentos braçais.

É sempre aquela gesticulação, principalmente com os dedos indicador e polegar formando um círculo, como se o propagandista pudesse "explicar" o motivo de sua campanha, geralmente para vender um produto ou serviço. Algo bastante banal, embora correto para os padrões da mensagem comunicativa, e que pouco tem a ver com desempenho técnico.

Além disso, o caráter banal desses cargos, que forçou o mercado a rebatizar a função de Analista de Redes Sociais para Analista de Marketing Digital, faz com que o nome "analista" nem seja posto em prática. Influenciador digital gesticulando e falando gírias não é algo que seja parecido com um desempenho técnico.

Isso mostra o quanto o mercado de trabalho é marcado pela mediocridade de seus executivos e contratadores, que reduzem suas empresas de "consultoria" a algo que nem lembra consultoria. Até conversar e contar piadinhas no intervalo do café soa mais produtivo do que o trabalho intermitente mal-disfarçado em "atividade técnica", com o comediante, antes de fazer a sua campanha, perder tempo acariciando a barbinha e brincando com o mouse.

Fazer o quê? Foram anos e anos de contratações na base do clientelismo do "quem indica" que gerações de profissionais medíocres se ascenderam para cargos de direção. Para arrumar desculpa aqui e ali, fica muito fácil, mas o desempenho não cria marca, não fortalece a empresa e apenas gera lucro dentro dos limites mínimos esperados.

O relativo êxito apenas gera prêmios que as elites empresariais dão para si mesmas, com festas que celebram os medíocres profissionais que recebem troféus nos coquetéis de luxo. Mas isso nada diz quanto à real situação da empresa, pois até essas premiações caem no esquecimento e não geram efeito útil algum. Tudo fica no semi-profissionalismo "mais ou menos", que de tão chinfrim mais parece amadorismo. E os profissionais seguem gesticulando os braços nas propagandas das redes sociais.

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