Ainda temos que analisar o mercado de trabalho, que movido pelas conveniências, acaba comprometendo as próprias empresas que lidam com o setor de Comunicação, que até fazem um trabalho regular, mas esse trabalho é tão regular que acaba ficando irregular com o tempo devido à mediocridade.
Querendo apostar no prestígio, no status e na visibilidade, essas empresas acabam tendo o crescimento comprometido, pois permanecem na zona de conforto de buscar uma imagem atraente por fora, mas com um desempenho que não deixa marca alguma.
A onda de contratar influenciadores e comediantes para cargos de Comunicação queimou tanto a função de Analista de Redes Sociais que agora as empresas têm que mudar os nomes para Analista de Marketing Digital e repensar o trabalho todo, até pela má fama que o modismo causou.
A indefinição de um trabalho como Analista de Redes Sociais fez muita gente pensar se o cargo não era apenas um trabalho intermitente disfarçado, se era só uma questão de gravar vídeos publicitários no Instagram e caprichar nos gestos, sobretudo com as mãos juntando o dedo polegar com o indicador.
O lucro dessas empresas se torna “estável”, mas tão”estável” que gera prejuízo. A prioridade do prestígio sobre a qualidade - esta apenas garantida pelo mínimo de trabalho exigido, ou seja, fazer só o que “é obrigatório” - impede uma criatividade plena, pois o que interessa é o caráter de enfeite, com empregados de muito status e talento mediano.
E quando comediantes e influenciadores são contratados para cargos sérios de Comunicação, como as tais “oficinas de ideias” que prometem cargos como Analista de Redes Sociais, a coisa se complica. O que deveria ser um cargo técnico acaba sendo quase um trabalho intermitente, reduzido a uma atividade prosaica de produzir propaganda e que de “analista” só existe o nome.
E aí o pessoal desconfia, achando que “oficinas de ideias” são “oficinas de comédias”. Daí para achar que Analista de Redes Sociais é o mesmo que comédia de estandape é um pulo. Baita ironia diante de humoristas que se passavam por "jornalistas" para obter cargos como este, sob a desculpa de que "como os jornalistas, comediantes também comentam fatos do dia".
As empresas acabam tendo boa reputação apenas dentro da bolha empresarial, no seu circuito de relações socioeconômicas. Mas, na sociedade, essas empresas não possuem credibilidade e, no mercado em geral, elas mais parecem quase anônimas pela falta de marca que, mesmo com comediantes e influenciadores na equipe, têm dificuldade de conquistar.
Há uma necessidade de repensar o mercado de trabalho de todas as formas, e mostrar que gente talentosa não pode ser cobiçada por empresas medíocres ou arrivistas, e que devemos pensar nas vocações e não nas conveniências.
Caso contrário, estaremos sempre à mercê da “masterização” (no sentido Banco Master do termo) do emprego, sempre com os mesmos apadrinhamentos e visibilidades que não fazem o verdadeiro trabalho se mover. E aí os empresários podem lucrar mais, mas suas empresas se desgastarão ao longo do tempo.
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