TUDO PELAS VERBAS FEDERAIS - O prefeito carioca Eduardo Cavalliere fazendo um agradinho ao presidente Lula.
Devemos tomar muita cautela com a aliança “apaixonada” do grupo político de Eduardo Paes com o governo Lula. Sem sucumbir à narrativa bolsonarista “contra a roubalheira” - há corrupção, mas ela é diferente e mais complexa do que espalham os “bolsonínions” - , temos que ver que não se trata do renascimento das forças progressistas no Rio de Janeiro, depois de anos com Witzel, Crivella e Cláudio Castro.
A recente manifestação do “amor” do grupo de Eduardo Paes por Lula foi a entrega de uma camiseta da Seleção Brasileira pelo prefeito substituto do Rio de Janeiro, Eduardo Cavalliere, ao presidente brasileiro. Bajulando Lula visando obter mais verbas federais, Cavalliere declarou: “Aqui você tem um prefeito aliado, que defende e que fica orgulhoso quando vê o senhor defendendo o Brasil, a soberania”.
As autoridades cariocas ligadas ao hoje candidato ao governo do RJ prometem “urbanizar” as favelas e criar projetos de “inclusão social” que podem sinalizar mais um esquema de superfaturamento do que de verdadeira melhoria de vida da população que hoje é refém do crime organizado. Na verdade, o grupo de Eduardo Paes despreza o interesse público, agindo mais para obter vantagens políticas e financeiras para ele e seus pares.
Eduardo Paes é um político de direita. Sim, isso mesmo. Se ele se autoproclama de”esquerda”, ele está mentindo. Por trás do político calmo e sorridente e de ares joviais, está um político autoritário, populista, paternalista e que não está aí para melhorar a vida do povo pobre, mas apenas de uma classe média abastada que quer voltar a ser “a elite mais legal do Brasil”. O atendimento ao povo pobre, quando houver, sempre será paliativo,nos limites de evitar que a burguesia seja assaltada.
Não existe feijoada grátis. Se o grupo de Eduardo Paes está apoiando abertamente o governo Lula - considerando que Lula se vendeu às forças que sabotaram seus mandatos anteriores - , é porque Lula é o único a enviar verbas federais em grande quantidade para o Rio de Janeiro.
Não creio que o instinto “Justo Veríssimo” que assola a política carioca e fluminense veja no grupo de Paes uma exceção. As elites cariocas querem mesmo uma “higienização” do Grande Rio, o projeto é transformar a região numa Mônaco brasileira. E Paes é um representante estratégico dessas elites que sonham em ver a outrora Cidade Maravilhosa virar a Monte Carlo tupiniquim.
Daí a estranha exaltação das favelas, do ufanismo das ditas “periferias”, da glamourização da pobreza, que começaram no Rio de Janeiro. Reduzir as favelas a “paisagens de consumo” é algo contrário aos dramas populares que, na literatura, têm exemplo fiel na obra de Carolina Maria de Jesus.
Paes é um mero gerente de parque de diversões. Ele governa e vai governar para a burguesia. As classes populares no RJ continuarão abandonadas e agora, com os ônibus padronizados, as pessoas, além de enfrentar longas esperas por ônibus superlotados, precisam dobrar a atenção para não embarcar nos ônibus errados.pelo transporte público a gente vê o que Eduardo Paes quer para o povo do Rio de Janeiro. E não é coisa boa.

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