LULA NÃO É DE FAZER RUPTURAS E NÃO COMBATE INTEGRALMENTE OS RETROCESSOS OCORRIDOS NO BRASIL.
Notamos que as esquerdas brasileiras se tornaram frouxas, fajutas, mais preocupadas em discursar do que fazer. A cada retrocesso que o Brasil vive, as esquerdas se sentem impotentes em revertê-los e acabam aceitando vários deles com naturalidade.
É o caso dos “brinquedos culturais” da direita, o culturalismo viralata dos tempos da ditadura militar que envolveram a bregalização cultural e o obscurantismo religioso, entre outras coisas. Se esses fenômenos, que geraram funqueiros, “médiuns”, ídolos cafonas, mulheres-objetos e craques fanfarrões, faziam, em tese, o povo pobre sorrir, as esquerdas apoiavam.
Bastava a direita moderada dizer palavras mágicas como “paz”,”amor”, “interatividade”, “mobilidade urbana”, “sustentabilidade” e “democracia” para dominar as esquerdas médias conquistando seu apoio. Daí que, nos primeiros mandatos de Lula e nos de Dilma Rousseff, boa parte das agendas culturais dignas da Era Geisel foram absorvidas por setores das esquerdas.
Hoje são as pautas políticas, o que se torna pior, A falta de coragem das esquerdas em combater o legado político de Michel Temer fez com que as pautas desse temeroso governo sobrevivessem por pelo menos 75% do terceiro mandato de Lula. A hesitação entre romper e revisar a reforma trabalhista de 2017 demonstrou isso.
Num país em que coisas nocivas, quando duram mais tempo, são aceitas como “naturais” e até “benéficas”, é preocupante ver as forças que se dizem progressistas não terem espírito de ruptura. Ver Lula rebaixado a um cosplei de José Sarney com FHC é vergonhoso.
E isso acaba empoderando as narrativas golpistas. O golpismo de 2016 foi favorecido pela aceitação dos “brinquedos culturais” da direita pelas esquerdas. Foi só acatarem o “canto de sereia” que Pedro Alexandre Sanches, “filho” do Projeto Folha de Otávio Frias Filho, fez em prol da bregalização, que as esquerdas, mordendo a isca, deram palanque para a réplica reacionária dos Rodrigo Constantino da vida.
O ápice disso foi o “baile funk” organizado por Rômulo Costa, DJ e empresário da Furacão 2000, aliado da bancada evangélica do Congresso Nacional e sogro, na época, da golpista radical Antônia Fontenelle. O baile da “quinta coluna” soou como uma “Eguinha Pocotó de Troia” e iludiu as esquerdas, que foram anestesiadas com tal evento, supostamente em “solidariedade” a Dilma Rousseff, e deram o sossego necessário para a votação do impeachment.
Lula, que recentemente disse “nunca ser esquerdista”, depende das forças políticas que fizeram o golpe de 2016 para se viabilizar. Em 2022, ele negociou com essas forças para voltar ao poder e amenizou seu projeto político, reduzido ao mínimo denominador comum dos projetos sociais que não assustam as classes dominantes. Daí as medidas paliativas, em maioria voltadas a auxílios financeiros e facilitação do crédito.
Não são medidas, portanto, transformadoras, mas que suavizam a pobreza. As famílias são obrigadas a racionalizar o orçamento para obter algo mais do que a sobrevivência. E ver que, sob Lula 3.0, a situação das pessoas pobres quase nunca melhorou em relação ao governo Temer é frustrante.
E Lula mais parece próximo dos que sabotaram seu projeto político nos dois mandatos anteriores do que da sua base original de apoiadores. Lula demonstrou que não é uma pessoa de rupturas, preferindo apenas eliminar os aspectos extremos dos retrocessos sociais, culturais, políticos e econômicos.
Por isso o terceiro mandato de Lula só empolga quem está bem de vida, como a classe média abastada. Quem ganha mais de cinco salários mínimos é só sorrisos, enquanto o povo pobre da vida real se decepcionou com Lula, um sujeito que promete combater o tarifaço mas tem medo de combater os juros da dívida pública dentro do Brasil. Daí que faz sentido Donald Trump, o presidente dos EUA, definir Lula como volátil, pu seja, inconstante.

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