LINHAS COMO A 917M, NA VOLTA, DEIXAM OS MORADORES DE JARDIM LARANJEIRAS A PÉ, SOB RISCOS DE ENFRENTAR TEMPORAIS E ASSALTOS.
Dona Odete é uma senhora de 79 anos que mora num apartamento de um prédio no Jardim Laranjeiras, na região da Casa Verde, Zona Norte de São Paulo. Certa vez foi visitar uma amiga de infância de 82 anos que mora nas proximidades da Avenida Paulista. Morando só, Odete pega um ônibus e, mesmo andando muito devagar, consegue se deslocar para um ponto na Avenida Casa Verde, a poucos metros da loja Andra, para pegar um ônibus, seja da linha 917M, vindo do Morro Grande, seja da 975A, vindo da Brasilândia .
As duas amigas idosas gostam muito de conversar em casa. Às vezes vão para alguma lanchonete próxima para tomar café e comer croissant e pão de queijo. Gostam de passear na Avenida Paulista, não em toda sua área, mas no máximo dois quarteirões, devido às limitações físicas das duas. Mas é o suficiente para Odete sentir-se feliz no passeio na famosa avenida.
Odete costuma passear nos dias úteis e nos sábados. Nos dias úteis, ela tem um sério problema para voltar para casa. As duas linhas que pôde pegar na ida, 917M e 975A, não a levam de volta ao local, pois descem direto para a Marginal do Tietê. Odete precisa fazer uma manobra que lhe causa incômodo e até dor, para chegar ao Jardim Laranjeiras.
Ela tem que saltar na altura da Avenida Ordem e Progresso e esperar a linha 9500, que nos horários de pico fica bastante lotado. Odete, por sorte, tende a contar com a generosidade de algum passageiro para ceder o assento à idosa, assim como o motorista, que tem paciência de esperar a passageira descer devagar do ônibus, mesmo sendo de piso baixo.
Os tecnocratas do sistema de ônibus ignoram tais transtornos. O caso de Odete é fictício, mas se encaixa na realidade que as autoridades, sempre querendo parecer generosas ao impor limitações “suportáveis” para a população, ignoram.
Sem a menor necessidade, mas com riscos de acidentes graves, uma porção de linhas de ônibus que, na ida, passam por Jardim Laranjeiras, voltam descendo a Marginal do Tietê e pegando a Avenida Professor Celestino Bourroul, em trechos onde passam caminhões pesados, que transportam cargas e até entulhos.
Os congestionamentos também ocorrem e, com toda certeza, não compensam a suposta rapidez da descida direta para a Marginal do Tietê. Além disso, se uma linha como 978L que liga o Terminal Cachoeirinha ao Terminal Princesa Isabel, leva tempo fazendo escala pelo Terminal Barra Funda, por que não volta pegando a Praça Delegado Amoroso Neto e a Rua Reims, que levam menos tempo?
E quem saltar no precário ponto sem abrigo na descida entre a Ponte do Limão e a Marginal do Tietê tem que caminhar muito para o Jardim Laranjeiras, eventualmente enfrentando tempestades e assaltos, além de, no caso de idosos, gestantes e deficientes, a caminhada de “onze minutos” (segundo o portal Moovit) pode durar até uma hora.
A consciência social das autoridades se volta para prejuízos “sustentáveis” à população. E eles se atrevem a dizer que atuam “em benefício do povo”. Vão mentir em outras praças!

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