O bordão, de valor bastante duvidoso, que atribui o futebol como “única alegria do povo brasileiro”, tem um quê de ressentimento, de baixa autoestima disfarçada de orgulho e de altivez. E diz muito dessas emoções confusas, meio presunçosas, meio dotadas de falsa modéstia, que contamina a mente do brasileiro médio, perdido entre ser maioral e ser coitado.
Diante da proximidade da Copa do Mundo, o fanatismo pelo futebol, que costuma ser regionalizado, se torna nacional. E aí vemos surgirem “torcedores de ocasião” a “vestir a camisa de CBF”, não mais por histeria bolsonarista, mas por outra histeria, a futebolística.
No Rio de Janeiro, o futebol vira até pauta para assédio moral. E não é pela possibilidade de um patrão torcer pelo time diferente do seu empregado, pois aí eles acham até saudável fingir briguinha por causa do time de cada um. O drama cai contra quem não curte futebol, que acaba sendo vítima de desdém e até do risco de perder o emprego.
Mas no resto do Brasil, se esse risco de assédio moral é menor, mesmo assim o fanatismo pelo futebol existe e não é pequeno. Futebol virou “assunto” para homens sem assunto para conversar. E mesmo quando o papo tem um aparato “científico”, analisando jogadas e estratégias de times, a paixão tóxica é um risco provável, relacionada não necessariamente à preferência de um time, mas à obsessão pelo esporte.
As pessoas abrem mão de momentos de descanso, principalmente nas noites de quartas-feiras e nas tardes de domingos, para se preocupar, até com certa aflição, com o desempenho de seu time. É muito estresse e muita tensão por nada. Ninguém ganha com isso, somente jogadores, técnicos, dirigentes esportivos, empresários e a mídia associada é que saem ganhando, de forma terrivelmente abusiva.
O futebol é um reduto de super-ricos, como craques, dirigentes e técnicos, além da mídia envolvida nesta modalidade esportiva, cujos donos são muitas vezes grandes corporações. Os torcedores são os que menos ganham com isso. Gastam ingresso ou assinatura de TV e, quando seu time vence, não recebem benefício algum.
O sentimentalismo tóxico ocorre de tal maneira que a medíocre atuação da Seleção Brasileira de Futebol na fraudulenta Copa do Mundo de 2002 é glorificada como se o pentacampeonato fosse uma conquista sublime. Conhecedores de futebol que se distanciam dessa histeria tóxica reconhecem que a atuação do time brasileiro na Copa de 2002 não foi das melhores. Por sorte, os "dribles" financeiros de Ricardo Teixeira e João Havelange fizeram a Seleção Brasileira ganhar fácil demais.
O período de positividade tóxica em que vive o Brasil desde o fim da pandemia é cheio de expectativas, incluindo a obsessão em ver nosso país como "desenvolvido", mesmo que nas condições de um "parque de diversões" mundial. E já vemos o estrago que pode ser um Lula afoito em transformar uma "criança" de 526 aninhos em "nação desenvolvida" sem ter as condições socioculturais para tanto.
E A Seleção Brasileira de Futebol, com sua mediocridade e sob o poder de gananciosos dirigentes, se situa nesse clima em que os afoitos pedem o "hexa" que só vai enriquecer ainda mais os "cartolas". E tudo isso perdendo horas de tensão num domingo que era para ser de sossego.
Comentários
Postar um comentário