COM LINGUAGEM SUAVE E JEITO FALSAMENTE AMISTOSO, OS VENDILHÕES DA ESPERANÇA FORAM ERRONEAMENTE VISTOS COMO "PROGRESSISTAS" AO USAR AS "BÊNÇÃOS FUTURAS E INFINITAS" COMO MOEDA DE TROCA PARA A DESGRAÇA PRESENTE.
A sociedade brasileira tem uma visão de mundo atrofiada de tal forma que até as esquerdas demonstram limitações na sua visão crítica. Na religiosidade, teimam em ver o mal apenas nas seitas neopentecostais, pelo caráter explícito e pouco sutil de seus pregadores explorarem a fé do povo e a despejar um discurso claramente raivoso.
Esquecem as esquerdas que não foram só os “neopenteques” que foram apoiados pela ditadura militar para a cruzada contra a Teologia da Libertação. O Espiritismo brasileiro, que é apenas uma “identidade jurídica” para tendências medievais expulsas pela Igreja Católica, também veio para combater a Teologia da Libertação, através de um “médium” que difundiu uma forma ao mesmo tempo precária, demagoga e farsesca de caridade.
As esquerdas foram enganadas e,mesmo que os alertas sejam dados a respeito desses lobos em peles e vozes de cordeiros desse obscurantismo disfarçado de ecumenismo progressista, elas ainda focam naquela postura teimosa de achar que esses fatos são “opiniões”. Se deixam levar pela lábia peçonhenta de “médiuns” que falam macio sobre princípios como sofrer calado as piores adversidades e ainda agradecer a Deus pela desgraça obtida.
O Espiritismo brasileiro é a religião principal, se não a única, dos vendilhões da esperança, pessoas que, apesar do jeito simpático e amistoso e da voz suave, muitas vezes não escondem seu prazer em ver o outro sofrer os piores infortúnios. Chegam mesmo a sorrir quando o outro diz que “tudo dá errado na vida” e uns ainda se atrevem a dizer que o infeliz vive “a melhor fase de sua vida”.
Os vendilhões da esperança tentam teorizar a defesa da desgraça alheia. Da forma como falam, muitos acreditam, ingenuamente, que essa teoria, a Teologia do Sofrimento, seria uma doutrina “progressista”. Mas não é. Trata-se de uma espécie de “bolsonarismo com água e açúcar”, só para usar as ideias da moda.
A Teologia do Sofrimento, sabemos, foi uma corrente da Idade Média resgatada por Santa Teresa de Lisieux no Século 19. Foi reciclada por Madre Teresa de Calcutá e pelo “médium” de Pedro Leopoldo e Uberaba, este de maneira nunca assumida no discurso, mas explícita na prática.
E por que essa teoria enganou tanta gente, inclusive pessoas de mentalidade que, até certo ponto, parecia avançada e com visão de mundo crítica e insubordinada?
Simples. É que seus pregadores usavam a falácia da recompensa futura. Para justificar as agonias e opressões do presente, se falava dos prêmios futuros. A narrativa de “aguentar as piores desgraças”, de vender o silêncio como “sabedoria” para que ninguém sequer gritasse de dor, de censurar qualquer tipo de queixume e forçar a pessoa a se alegrar na pior adversidade, tudo isso é descrito sob palavras suaves e dóceis, a ponto de tentar desarmar o cético que se deixar levar por essas argumentações.
E as pessoas apenas criticando a fúria de pastores e “bispos” pedindo para os pobres darem o que não tem para comprar o céu! Isso parece fichinha diante dos vendilhões da esperança que oferecem abraços falsamente fraternais e se dispõem a fazer falsos diálogos e falsas metáforas para mascarar ideias perversas com discursos de pretensa bondade.
Mesmo as esquerdas caíram nesse conto, como galinhas apaixonadas pela raposa. O futuro usado como desculpa para desgraças sem fim, e cuja narrativa tenta justificar o longo sofrimento das favelas. Tudo por conta da conversa furada do “progresso futuro e distante”, mas que se diz supostamente “certeiro”, desde que as pessoas aguentem caladas as desgraças do presente, mesmo aquelas que levam à ruína e à tragédia.
Prometendo as bênçãos futuras e infinitas, os vendilhões da esperança, como um famoso "médium espírita" de Minas Gerais, defendiam que os oprimidos suportassem, em silêncio e sem sequer pensar em gemer de dor, as desgraças sem fim, longas e difíceis de encarar.
Com seu discurso habilidoso e traiçoeiro, mas disfarçado de "bons conselhos", os vendilhões da esperança chegam a comparar a desgraça humana a um "aprendizado" ou a um "desafio de prova", enganando a sociedade vendendo o prejuízo como se fosse "uma grande oportunidade", que, em tese, serve como "porta de entrada para o progresso".
Sim, os “neopenteques” são estúpidos, desonestos e autoritários. Mas os vendilhões da esperança, escondidos sob a capa do espiritualismo ecumênico, prometem o paraíso futuro para quem aguentar o longo inferno do presente.
Os vendilhões da esperança falam isso com jeito manso, voz dócil e palavras aparentemente amigas, mascarando seu propósito traiçoeiro de dominar corações e mentes. Se devemos ter cuidado com os vendilhões do templo, maior cuidado temos que ter com os vendilhões da esperança.
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