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ESQUERDAS MÉDIAS PASSAM PANO EM PEDRO BIAL, FUNDADOR DO INSTITUTO MILLENIUM


Pedro Bial agora faz coro aos desiludidos com os rumos atuais da política brasileira, leia-se o desgoverno do cínico Jair Bolsonaro.

Em uma crônica que ele escreveu e leu na abertura do seu Conversa com Bial, o marido da apresentadora do Mundo S/A (Globo News), Maria Prata, chamou Bolsonaro de "acéfalo", "sem noção" e "inominável".

"Na pandemia desse 2020 nefasto, o Brasil se destacou. Desde o início, nosso desgovernante tentou negar a gravidade da crise, seguiu inventando remédios milagrosos, sabotou ministros da saúde e educação. Deu os piores exemplos", disse Bial, que acrescentou:

"Sem máscara e sem noção, ele causou aglomeração. O inominável contribuiu de forma decisiva para que mais gente morresse. Agora se supera, delirante, ao desprezar a única solução: a vacina. Como disse o próprio acéfalo que hoje ocupa o Palácio do Planalto: morrer todo mundo vai morrer mesmo. Pior quem tem uma vida pela frente".

Tudo bem, a direita comportada passou a repudiar Jair Bolsonaro. Melhor do que nada, melhor do que ficar apoiando e passando pano nas barbaridades tragicômicas que o "mito" faz diariamente.

Mas, muita calma nessa hora: as esquerdas ficam passando pano e apoiando quem dá uma vírgula em favor das causas identitárias ou, aparentemente, às classes populares.

Qualquer um que apareça com um bebê pobre no colo, elogie a causa LGBTQ, fale palavras-chave que variam de "empoderamento" à "mobilidade urbana", vira "progressista" assim de graça.

Não. Pedro Bial foi um apoiadores do golpe contra Dilma Rousseff e seu anti-petismo "técnico" - diferente da campanha histriônica dos bolsonaristas - se deu durante o governo Lula, com a fundação do Instituto Millenium, em 2005.

Seu conservadorismo era moderado, Bial não foi exatamente um bolsonarista, mas vibrava pelos rumos do golpe de 2016, como toda direita moderada, e até certo ponto esteve entre os que passaram pano na eleição de Bolsonaro, "preferível" do que Fernando Haddad.

Até no "espiritualismo" Bial, que faz concessos ao identitarismo social, recreativo e religioso, apresentou suas inclinações conservadoras.

Em conversa com a ex-Casseta & Planeta Maria Paula, ele sorriu quando ela falou que, quando bebê, o "médium de peruca" viu sua mãe e elogiou a então bebezinha, no começo dos anos 1970.

O "médium", tão conhecido pela (suposta) profetização (nos moldes reprovados por Allan Kardec), disse que a menina "traria alegria e popularidade para o Brasil inteiro".

Detalhe: Maria Paula estava passando por um período de ostracismo, tanto que havia voltado para sua terra natal, Brasília. Que "profeta" é esse?

Mas se trata do Espiritismo brasileiro do qual, corajosamente, eu abandonei em 2012.

A religião é marcada por traições constantes e permanentes aos ensinamentos de Kardec, trocados por conceitos católico-medievais mesclados com esoterismo barato, e difundidos através de literatura fake e moralismo punitivista.

E é gozado que Pedro Bial tenha lançado as denúncias contra João de Deus, divulgadas por mulheres entrevistadas pela reportagem do referido programa, e cerca de um ano depois tenha passado pano no "médium de peruca", suposto símbolo de "paz e caridade".

Afinal, João de Deus colaborou com o "médium" durante muitos anos e até quando estouraram o escândalo, o "bondoso médium" passou pano e encomendou doação de terreno para a Casa Dom Inácio, em Abadiânia, Goiás.

E ficam glorificando a "caridade padrão Luciano Huck" do "médium" tido como o "lápis de Deus", como se fosse grande coisa ficar recusando cachês de vendas de livros "psicográficos" e doando terrenos para a suposta filantropia.

Pedro Bial também elogiou Michael Sullivan que, agora, virou "MPB indie", depois de tanto lutar para destruir a MPB autêntica.

É aquela coisa dos arrivistas: primeiro eles destroem, para depois recorrer às vítimas para tentar salvá-lo.

E aí vemos que Michael Sullivan tentou bajular até Sérgio Ricardo, falecido há alguns meses, para tentar voltar à carreira.

Enquanto esperava a passagem de pano coletiva, Sullivan - cujo projeto anti-MPB foi denunciado por Alceu Valença em 2014; detalhes no meu livro Esses Intelectuais Pertinentes - investiu em música gospel, se casou com uma cantora do gênero e compôs até com Marcello Crivella.

E a memória curta agora exalta Michael Sullivan como "guru visionário da MPB", apenas porque "cantava o amor" e "era muito popular".

E muita gente séria exaltando até as rimas malfeitas tipo "motivo" e "contigo", jornalista sério passando pano na obra de Michael Sullivan.

Mas se, no segmento rock, temos muita gente séria passando pano na canastrice da Rádio Cidade, fazer o quê, né?

E aí vemos as esquerdas se babando por qualquer direitista comportado que não se chame Luciano Huck e venha com alguma atitude pró-identitária tendenciosa.

Daí que, sabiamente, Gustavo Conde chama esses setores das esquerdas de "esquerda deslumbrada-conciliadora", que parece querer retomar a subserviência à centro-direita no Brasil.

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