Que se mente muito nas redes sociais, isso é verdade. Lembra até o refrão da banda paulista de rock alternativo dos anos 1980, Voluntários da Pátria, “Verdades e Mentiras”, que diz: “O homem mente, é verdade”. Mas em dados momentos, a coisa chega a níveis insustentáveis, como nos devotos de fake news que são os bolsonaristas e os deslumbrados do reino do faz-de-conta do lulismo.
A polarização transforma as redes sociais em terra de ninguém. De um lado, o moralismo hipócrita e o falso humanismo dos bolsonaristas. De outro, o esquerdismo frouxo e conciliador com a direita moderada do lulismo. Ambos vendendo a “sua verdade” dentro dos mesmos clichês de sempre.
Os bolsonaristas vêm com a “luta contra a corrupção”. Os lulistas, com o assistencialismo identitário. Ambos os lados se achando triunfantes e vitoriosos, com suas argumentações desesperadas e cheias de convicções, prometendo fidelidade à realidade dos fatos mas nunca cumprindo essa promessa.
Bolsonaristas se achando “conscientizados” e despejando vitimismo nas redes sociais, muitas vezes com pitadas de fundamentalismo religioso. Lulistas com seu triunfalismo e sua ânsia exagerada de protagonismo mundial e a ilusão de que um país devastado possa se tornar desenvolvido.
Até na paranoia bolsonaristas e lulistas se igualam, uns reprovando o “comunismo” e outros o “fascismo”. Bolsonaristas chamando até a Fernando Henrique Cardoso, Globo e Folha de “esquerdistas” e lulistas achando que tudo que não é Lula é “fascismo”.
Para os bolsonaristas, “é de direita e não gosto, vira esquerda”. Para os lulistas, “é de direita e eu gosto, vira esquerda”. Para ambos, qualquer neoliberal que dá umas moeda de centavos para um morador de rua vira "de esquerda".
E agora temos aquelas charges de IA ilustrando as fantasias desses dois polos. E os mesmos apelos de beatitude religiosa, de defesa de pautas bolsonaristas do tipo escolas militares e do patriotismo caricato de ambos os lados.
É muito conhecido o “patriotismo” maluco dos bolsonaristas, que falam na “defesa da pátria verde-amarela” mas exaltam a Estátua da Liberdade. Mas os lulistas falam em “patriotismo de verdade” e culturalmente defendem a bregalização musical, dos ídolos cafonas do passado aos funqueiros de hoje, todos baseados em entreguismos musicais.
Tudo isso acaba se tornando um círculo vicioso. Os dois grupos não se acham perdedores, acham que estão vencendo e casa um impõe suas narrativas como se ela fosse a definitiva. Numa disputa em que os dois concorrentes acham que venceram, eles estão empatados. Empatados não na vitória, mas na derrota.
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